Bolsa Bolsas americanas apanhadas no "arrastão" turco. Citigroup com maior queda desde Maio

Bolsas americanas apanhadas no "arrastão" turco. Citigroup com maior queda desde Maio

As bolsas norte-americanas encerraram no vermelho, pressionadas pelos apuros da Turquia, numa altura em que a forte desvalorização da lira turca e a subida dos juros soberanos do país fazem crescer os receios de um contágio generalizado.
Bolsas americanas apanhadas no "arrastão" turco. Citigroup com maior queda desde Maio
Reuters
Carla Pedro 10 de agosto de 2018 às 21:07

O Dow Jones fechou a recuar 0,77% para 25.313,07 pontos e o Standard & Poor’s 500 perdeu 0,71% para 2.833,29 pontos.

 

Por seu lado, o tecnológico Nasdaq Composite cedeu 0,67% para 7.839,11 pontos.

 

A lira turca continuou a desvalorizar e a marcar sucessivos mínimos históricos, sobretudo devido à incapacidade de o banco central do país controlar a inflação e em resultado das preocupações em torno da guerra diplomática com os Estados Unidos. Também os juros da dívida soberana da Turquia dispararam, o que agravou o cenário.

 

O presidente turco, Tayyip Erdogan, falou ao país e pediu à população para trocar ouro e dólares por liras, numa altura em que as relações com os EUA estão a deteriorar-se.

 

Nessa mesma altura, o presidente norte-americano, Donald Trump, deitava achas na fogueira, dizendo ter decretado um aumento das tarifas aduaneiras sobre as importações de produtos turcos, impondo assim taxas de 20% sobre o alumínio e de 50% sobre o aço. No Twitter, a sua rede social de eleição, Trump congratulou-se com a "rápida queda da lira contra o nosso fortíssimo dólar".

 

Ao final do dia, numa declaração pública, o ministro turco do Comércio, Ruhsar Pekcan, declarou que "têm sido infrutíferos, até agora, os repetidos esforços no sentido de comunicar com a Administração norte-americana para dizer que nenhum dos critérios que levou à imposição de tarifas é aplicável à Turquia".

 

"No entanto, imploramos ao presidente Trump que regresse à mesa das negociações, pois isto pode e deve ser resolvido através do diálogo e cooperação", acrescentou.

 

Mas nem implorando a Turquia parece fazer recuar Trump e os dissabores de Ancara contagiaram os mercados globais, com especial destaque para as cotadas com exposição à Turquia, como é o caso da banca – nomeadamente Itália, Espanha e França no continente europeu, sendo que entre os muitos exemplos constam o BBVA, Unicredit, ING Groep e BNP Paribas.

 

Apesar de as empresas americanas terem divulgado níveis de exposição relativamente baixos à Turquia, também acabaram por ser apanhadas por este "arrastão" a nível mundial.

 

O Citigroup caiu perto de 3%, para menos de 70 dólares por acção, naquela que foi a maior descida desde Maio – o que demonstra o quão sensíveis estão os investidores a quaisquer riscos num sector que perdeu milhares de milhões com a crise na Grécia e que está ainda a caminho de recuperar a rentabilidade dos níveis pré-crise financeira de 2008.

 

Por outro lado, hoje foi anunciado que o índice de preços no consumidor nos EUA subiu em Julho e que a tendência subjacente continua a fortalecer, apontando para um aumento das pressões inflacionistas.

 

Os investidores têm estado atentos aos dados da inflação para terem pistas sobre a evolução do ritmo de subida dos juros directores por parte da Reserva Federal.

 

A Fed já elevou duas vezes os juros este ano e está previsto que o faça mais duas vezes até ao final do ano.




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