Bolsa Fundo de 126 mil milhões foca-se nas acções devido à subida de juros

Fundo de 126 mil milhões foca-se nas acções devido à subida de juros

Um dos maiores fundos de pensões da Europa pretende reforçar a aposta em acções para sobreviver à histórica retirada dos estímulos monetários, que tanto preocupa os mercados mundiais.
Fundo de 126 mil milhões foca-se nas acções devido à subida de juros
Reuters
Bloomberg 28 de abril de 2018 às 18:00

"Temos uma alocação maior em acções do que em dívida e achamos que é a melhor posição neste contexto", afirmou Christian Hyldahl, presidente do fundo de pensões dinamarquês ATP. "Acreditamos nas acções no longo prazo e a nossa exposição combina títulos não cotados e acções de empresas dinamarquesas."

 

O fundo, com sede no norte de Copenhaga, está "bastante focado na inflação", com aplicações em commodities, segundo Hyldahl.

 

A Reserva Federal elevou a taxa de juros dos EUA três vezes no ano passado e uma vez este ano. A perspectiva para a política monetária desencadeou um abalo sísmico nos rendimentos dos títulos de dívida. O banco central americano sinalizou mais dois ou três aumentos de juros em 2018. Para a reunião da semana que vem, a expectativa é que a taxa fique inalterada.

 

"Os juros vão subir várias vezes este ano", afirmou Hyldahl. "E provavelmente mais depressa do que os mercados esperam."

 

Isoladamente, nenhuma classe de activos será capaz de proteger o retorno durante a turbulência que está por vir, explicou. "Não há almoços grátis em lado algum, pelo que é aconselhável ter uma diversificação em todos os aspectos", disse Hyldahl, explicando que se referia a uma diversificação "em termos de activos, liquidez e regiões".

 

O maior fundo de pensão da Dinamarca teve um prejuízo reduzido no primeiro trimestre, provocado pela queda das bolsas e pela subida dos juros, que prejudicaram o seu retorno. Para Hyldahl, o pior cenário possível no actual ciclo de restrição da política monetária concretizar-se-á se os mercados acreditarem que os bancos centrais estão a agir muito rapidamente. Se houver temor em relação a uma "aterragem forçada" da economia, o risco é de inversão da curva de juros. "E ninguém quer chegar a esta situação", disse.

 

"Não se sabe se os mercados terão pouca variação, se haverá um revés significativo ou se as pessoas serão surpreendidas e o ciclo todo continuará por mais dois anos", afirmou Hyldahl. "Isso nunca foi feito e não há experiência" passada que sirva como referência.