Bolsa Lucros das cotadas com melhor arranque de ano desde antes da crise

Lucros das cotadas com melhor arranque de ano desde antes da crise

As cotadas do PSI-20 tiveram um lucro acumulado de 850 milhões de euros nos primeiros três meses do ano, os melhores resultados desde o período anterior ao início da grande crise financeira de 2008.
Negócios
Rui Barroso 31 de maio de 2016 às 07:00

As empresas cotadas em bolsa confirmaram no primeiro trimestre a tendência de recuperação dos lucros. Após terem conseguido, em 2015, o melhor resultado anual dos últimos anos, registaram o arranque de ano mais lucrativo em quase uma década. Excluindo a Pharol, as entidades que integram o PSI-20 registaram um resultado conjunto de 845 milhões de euros, mais 10,2% do que no mesmo período do ano anterior. Foram mais de nove milhões de euros por dia.

É o valor mais elevado, no que diz respeito a primeiros trimestres, desde 2007, ano em que as empresas que integram actualmente o índice reportaram um lucro acumulado de 835,6 milhões de euros, impulsionado sobretudo pela banca. E marca uma recuperação de mais de 65% face ao registado nos primeiros três meses de 2014, altura em que os resultados das cotadas portuguesas atingiram o fundo, ficando-se pelos 496,7 milhões de euros. De referir que os números apenas incluem os CTT desde o primeiro trimestre de 2014, data dos últimos dados desse período disponibilizados pela empresa no seu site. De qualquer forma, excluindo este factor, as conclusões são as mesmas.

Para Albino Oliveira, "os números do primeiro trimestre de 2016 mostraram tendências bem diversas entre os títulos do PSI-20". Mas o analista da Patris Investimentos refere que, "de uma forma geral, as cotadas apresentaram números acima do consenso do mercado".



Procura interna, BCE e corte de custos ajudam resultados

Há vários factores que ajudam a explicar a recuperação dos resultados das cotadas nacionais, desde as políticas monetárias do Banco Central Europeu (BCE), passando pelos dados do consumo interno. E alguns deles permitem manter algum optimismo para os resultados semestrais. "Apesar da desaceleração das exportações de bens e serviços, a procura interna sólida tem permitido manter algum optimismo para os resultados semestrais", considera Eduardo Santos, gestor da XTB Portugal.

Acrescenta que a política monetária expansionista do BCE, apesar de pressionar as margens no sector financeiro, tem um "impacto positivo na economia real" e que isso "deverá suportar o crescimento". A banca contribuiu para o lucro total das cotadas do PSI-20 com 72,7 milhões de euros, uma descida de 34,5% em relação a 2015. Isto depois de, em 2013 e 2014, os resultados conjuntos de BCP, BPI e Montepio terem sido negativos nos arranques desses anos.

Além da procura interna e das medidas do BCE ajudarem os resultados das empresas, também por via da diminuição do custo de financiamento, Eduardo Santos enumera um outro ingrediente que está a permitir a recuperação das contas das empresas da bolsa: "A preocupação em ajustar os custos operacionais à realidade económica actual tem um impacto positivo no resultado líquido das cotadas do PSI-20".

Empresas não-financeiras aumentam lucros em 110 milhões

 

Excluindo as cotadas do sector bancário, os resultados das empresas do PSI-20 totalizaram 771,7 milhões de euros nos primeiros três meses do ano. Trata-se de um aumento superior a 17%, o equivalente a 112 milhões de euros, face ao mesmo período de 2015. Algumas cotadas tiveram mesmo os lucros mais volumosos desde, pelo menos, 2007. 



Foi o caso da Jerónimo Martins, da Mota-Engil, da Sonae, da Altri e da Corticeira Amorim. A retalhista lucrou 77 milhões de euros nos primeiros três meses do ano, mais 18,5% que no período homólogo. "Os resultados do primeiro trimestre reflectem um arranque forte do ano e confirmam a dinâmica de vendas em base comparável na Polónia e em Portugal", referiu Pedro Soares dos Santos, presidente da empresa, no documento de prestação de contas.

Já a Mota-Engil aumentou o lucro de três milhões para 64 milhões de euros. No entanto, a diferença foi explicada pela construtora "com a concretização em Fevereiro de 2016 da alienação do Negócio Portuário e de Logística por 245 milhões de euros, o qual gerou uma mais-valia (apurada à data, mas sujeita a possíveis alterações) de cerca de 63 milhões de euros".

Por seu lado, a Sonae beneficiou em parte do efeito calendário. A dona do Continente lucrou 30 milhões de euros, mais dez milhões do que no mesmo período do ano passado e teve o maior resultado líquido dos últimos anos. "Mesmo descontado o efeito favorável de antecipação da Páscoa e do ano bissexto, os resultados obtidos são muito positivos tendo em consideração o abrandamento do crescimento económico na Península Ibérica e a elevada agressividade concorrencial que se verifica nestes sectores", considerou Ângelo Paupério, co-presidente executivo da "holding", no documento de prestação de contas.


Também a Altri e a Corticeira Amorim reportaram resultados recorde. No caso da empresa de pasta e papel, o lucro aumentou mais de 13% para 25,12 milhões de euros. Já a Corticeira melhorou os resultados em quase 65%, lucrando quase 14 milhões de euros.

A ajudar à subida dos lucros do PSI-20 esteve também o grupo EDP. A eléctrica liderada por António Mexia teve uma subida de quase 11% nos resultados para 263 milhões de euros, reforçando o estatuto de cotada mais lucrativa da bolsa nacional. Já a EDP Renováveis melhorou os resultados em mais de 30% para 75 milhões de euros. 


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mais votado Anónimo 31.05.2016

Efeito geringonça agrava o já moribundo mercado de capitais. Ler o contrata assinado com os estivadores poderá ajudar a ganhar dinheiro a quem especula na desvalorização das acções. Se for assinado tal como está todos os trabalhadores serão sindicalizados e acaba-se a concorrência. Acabaram as promoções por mérito. Tem tudo a ver com economia globalizada. O PCP está de volta e igualzinho a 75.

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Anónimo 31.05.2016

Efeito geringonça agrava o já moribundo mercado de capitais. Ler o contrata assinado com os estivadores poderá ajudar a ganhar dinheiro a quem especula na desvalorização das acções. Se for assinado tal como está todos os trabalhadores serão sindicalizados e acaba-se a concorrência. Acabaram as promoções por mérito. Tem tudo a ver com economia globalizada. O PCP está de volta e igualzinho a 75.

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