Bolsa Oi devolverá recursos após homologação parcial do aumento de capital

Oi devolverá recursos após homologação parcial do aumento de capital

A Pharol, accionista da operadora brasileira Oi através da Bratel, anunciou na semana passada que não participou neste aumento de capital de conversão de dívida em acções e não tinha ainda decidido se vai participar no aumento de capital por injecção de dinheiro.
Oi devolverá recursos após homologação parcial do aumento de capital
Reuters
Carla Pedro 24 de julho de 2018 às 00:56

A Oi disse esta noite aos seus accionistas e ao mercado que, em razão da homologação parcial do aumento de capital, irá devolver no dia 25 de Julho "os valores integralizados para os subscritores que condicionaram a sua participação no aumento de capital à subscrição da quantidade máxima de acções do aumento de capital, sem juros ou actualização monetária, por meio dos agentes de custódia dos referidos subscritores".

 

Recorde-se que na passada sexta-feira a operadora brasileira – da qual a Pharol é accionista, através da Bratel – anunciou a homologação parcial do aumento de capital através da conversão de dívida em acções, que denomina de "aumento de capital realizado mediante a capitalização de créditos quirografários dos bondholders qualificados".

 

O conselho de administração da Oi "aprovou por unanimidade a homologação parcial do aumento de capital da companhia, com diluição da base acionista superior a 50%", sublinhou então a empresa.

 

A Oi anunciou ainda, nesse mesmo comunicado, que o aumento de capital atraiu mais interessados do que o previsto: "a empresa verificou a subscrição de acções mediante a capitalização de créditos quirografários dos bondholders qualificados em quantidade superior ao mínimo de acções para o aumento de capital aprovado em Março".

 

"Com isso, serão emitidas 1.514.299.603 novas acções ordinárias, ao preço de 7 reais por acção, totalizando 10,6 mil milhões de reais [2,39 mil milhões de euros], e 116.480.467 bónus de subscrição, que serão entregues aos accionistas que exerceram o seu direito de preferência e não condicionaram a sua decisão e bondholders que capitalizaram seus respectivos créditos", explicou.

 

A operadora sublinhou ainda que as novas acções e os bónus de subscrição seriam emitidos no aumento de capital e passariam a ser negociados no B3 [Bolsa de São Paulo] já esta segunda-feira, 23 de Julho.

 

Com o aumento aprovado, o capital social da Oi passa a ser de 32,038 mil milhões de reais (7,2 mil milhões de euros), divididos em 2,340 mil milhões de acções, sendo 2,182 mil milhões de acções ordinárias e 157,727 milhões de acções preferenciais, todas nominativas e sem valor nominal.

 

Segundo a Oi, do total de novas acções e bónus de subscrição, 68,2 mil acções ordinárias e 5,2 mil bónus foram subscritos por accionistas que exerceram o seu direito de preferência e não condicionaram a sua decisão à subscrição da totalidade das acções no aumento de capital. Além disso, 1,514 mil milhões de acções ordinárias e 116,4 mil bónus, que serão representados por American Depositary Shares e American Depositary Warrants [transaccionados nos mercados norte-americanos], foram subscritos por bondholders com a capitalização dos seus créditos.

 

Conforme o artigo 72.º do estatuto social, uma vez que a Oi diluiu a base accionista acima de 50%, a restrição de voto prevista foi extinta e deixou, "imediata e irrevogavelmente", de operar efeitos em relação ao exercício do direito de voto por accionistas, sublinhou a TeleTime.

 

Pharol não participou

 

Recorde-se que, no passado dia 18 de Julho, a Pharol confirmou que não participou neste aumento de capital da Oi através de conversão de dívida em acções. Segundo o comunicado da empresa liderada por Palha da Silva, um dos motivos foi o facto de o preço mínimo deste aumento de capital ter sido fixado em 7 reais por acção, um valor bem acima da actual cotação.

 

Nesse mesmo dia, a Pharol referiu não ter ainda decidido se vai participar no aumento de capital (no valor de 4 mil milhões de reais – 904,5 milhões de euros) por injecção de dinheiro.

 

A operadora brasileira pretende apresentar em Setembro ao mercado o projecto da operação de aumento de capital, apurou recentemente a Valor Económico. A expectativa da companhia é de que a capitalização ocorra ainda em 2018 – antes, portanto, do prazo final estipulado no plano de recuperação, que termina em Fevereiro do próximo ano.

 

Numa primeira etapa, anterior ao aumento de capital, estava prevista a conversão de dívida em acções, operação crucial para reduzir o endividamento da operadora. Foi essa operação – quel vai levar à diluição da posição dos actuais accionistas – que agora terminou.

 

Os accionistas tinham direito de preferência nesta operação, tendo que o exercer até 16 de Julho através da utilização dos direitos de subscrição.

 

A operadora de telecomunicações brasileira viu o seu plano de recuperação judicial aprovado pelos credores em assembleia geral realizada nos passados dias 19 e 20 de Dezembro. Esse plano foi depois homologado a 8 de Janeiro deste ano pelo Juízo da Recuperação Judicial e oficializado em Março.




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