Bolsa Petróleo afunda 6% e castiga Wall Street

Petróleo afunda 6% e castiga Wall Street

As bolsas norte-americanas encerraram em terreno negativo, pressionadas pelo recrudescer das tensões comerciais entre os EUA e a China e sobretudo pela forte queda dos preços do petróleo, o que penalizou as cotadas da energia.
Petróleo afunda 6% e castiga Wall Street
Reuters
Carla Pedro 11 de julho de 2018 às 21:08

Após quatro sessões em alta, naquela que foi a mais longa série de ganhos desde inícios de Junho e colocou o S&P 500 em máximos de quatro meses, as praças em Wall Street quebraram com as tensões comerciais e com o mergulho das cotações do petróleo.

 

O Dow Jones encerrou a recuar 0,88% para 24.701,13 pontos e o índice tecnológico Nasdaq Composite perdeu 0,55%, a valer 7.716,61 pontos.

 

Já o Standard & Poor’s 500 cedeu 0,71% para 2.774,04 pontos, depois de ontem ter marcado o mais elevado nível de fecho desde 1 de Fevereiro.

 

As acções da energia pressionaram as bolsas do outro lado do Atlântico, num dia em que os preços do petróleo estão a afundar devido à junção de vários factores.

 

Um dos factores diz respeito à própria guerra comercial entre Washington e Pequim, depois de os EUA terem ontem dito que vão impor novas tarifas alfandegárias sobre produtos chineses no equivalente a 200 mil milhões de dólares – que irão assim somar-se aos já prometidos 50 mil milhões.

 

Além dos receios de uma escalada da guerra comercial, que por si só já penalizam o sentimento dos investidores, o facto de a China retaliar impondo tarifas sobre produtos agrícolas norte-americanos que entrem no país está a afectar inúmeras matérias-primas do sector (café, algodão, soja e milho são alguns dos exemplos), bem como o petróleo – já que o intensificar de tensões ameaça a procura deste produto.

 

Em Londres, o Brent do Mar do Norte, que serve de referência às importações europeias, segue a cair 5,92% para 74,19 dólares por barril, depois de já ter estado a afundar mais de 7%.

 

No mercado nova-iorquino, o "benchmark" West Texas Intermediate recua 4,32% para 70,91 dólares, tendo estado já a perder mais de 5%.

 

Por outro lado, os Estados Unidos tinham pressionado os seus aliados no sentido de reduzirem a zero as suas importações de petróleo iraniano até 4 de Novembro, ameaçando-os com sanções caso não o fizessem. Mas ontem ao final do dia o presidente Donald Trump deu mostras de que está a ponderar recuar nesta exigência, o que fez diminuir os ganhos do "ouro negro" no mercado.

 

Os EUA saíram do acordo nuclear com Teerão, tendo imposto novas sanções (como não comprar petróleo iraniano), mas União Europeia, por exemplo, não rasgou esse acordo.

 

Um terceiro factor que esteve hoje a castigar os preços do crude teve a ver com a reabertura de importantes portos líbios.

 
Líbia pressiona petróleo

As forças da milícia do comandante líbio Khalifa Haftar tinham tomado o controlo de alguns dos maiores terminais de exportação de crude do país, impedindo que a petrolífera pública National Oil Corporation (NOC) pudesse gerir esse petróleo, o que afectou a produção – que caiu de 1,28 milhões de barris por dia em Fevereiro para 527.000 barris diários este mês.

 

Agora, com a devolução desses terminais à NOC, a pressão foi evidente sobre os preços do petróleo.

 

Esta "tempestade perfeita" com três frentes ofuscou por completo o facto de as reservas norte-americanas de crude terem caído mais do que o esperado na semana passada.

 

A Administração de Informação em Energia (sob a tutela do Departamento norte-americano da Energia) divulgou hoje os dados relativos aos inventários de crude dos EUA na semana terminada a 6 de Julho, que caíram 12,6 milhões de barris, quando os analistas apontavam para uma redução média de 4,5 milhões. Os stocks recuaram assim para mínimos de Fevereiro de 2015.

 

Além das cotadas da energia, com a Chevron a perder mais de 3%, outras "blue chips" de relevo marcaram o dia pela negativa em Wall Street, muito à conta dos receios com a guerra comercial: Boeing, 3M e Caterpillar.




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