OPV dos CTT CTT fecha 2 cêntimos acima do preço da OPV em estreia com forte volume

CTT fecha 2 cêntimos acima do preço da OPV em estreia com forte volume

No dia de estreia em bolsa, as acções dos CTT fecharam nos 5,54 euros, ligeiramente acima do preço a que foram vendidas na oferta pública de venda. A sessão foi marcada por uma tendência de queda no final do dia e por uma forte liquidez, com os títulos transaccionados a representarem 41,5% dos que estão disponíveis para negociação.
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Nuno Carregueiro Paulo Moutinho 05 de dezembro de 2013 às 16:50

A estreia dos CTT em bolsa foi positiva, com as acções a fecharem acima do preço a que o Estado português alienou os títulos aos investidores, mas com uma subida tímida.

 

As acções fecharam a valer 5,54 euros, 0,36% acima do preço da OPV, tendo ao longo da sessão oscilado entre um máximo de 5,95 euros e um mínimo de 5,52 euros (precisamente o preço a que foram vendidas aos investidores).

 

A estreia em bolsa foi marcada também por uma forte liquidez, já que foram negociadas 38,8 milhões de acções. Um volume que representa pouco mais de 25% do capital total, 37% das acções vendidas aos investidores (70% do capital) e 41,5% do capital disponível para negociação (excluindo o capital detido pelo Estado, pelos trabalhadores e o lote suplementar).

 

No arranque da negociação, às 10h30, as acções estrearam-se nos 5,90 euros, 6,9% acima do preço a que foram vendidas na OPV. Depois de fixarem o máximo nos 5,95 euros, os títulos foram perdendo terreno ao longo da sessão, chegando a igualar o preço da OPV, para fecharem com uma subida de apenas 0,36%.

 

18º empresa mais valiosa da bolsa

 

Com esta subida na estreia, os CTT ficam avaliados em 831 milhões de euros, o que lhes garante o estatuto de 18ª cotada mais valiosa da bolsa portuguesa. Ao preço da OPV, a empresa liderada por Francisco Lacerda ficou avaliada em 828 milhões de euros.

 

Pouco depois da estreia em bolsa, operadores de mercado comentaram de forma positiva a estreia dos CTT em Bolsa. "O preço continua a evidenciar o interesse dos investidores, mesmo depois da forte procura que registou (no IPO) e que levou a que fosse colocado no máximo do intervalo previsto", disse João Cabeçana, analista do Banco Big, à Reuters.

 

Remuneração aos accionistas é “aliciante”

 

João Queiroz, responsável da sala de mercados da casa de investimento GoBulling, mostrou-se surpreendido com a forte valorização inicial, acreditando que os investidores deverão manter-se interessados na companhia porque as perspectivas em torno da remuneração dos accionistas são "aliciantes". João Queiroz estima que a cotação deverá atingir um nível de estabilização entre os 5,70 euros e os 6 euros, “se o ambiente das bolsas e dos mercados se mantiver a estes níveis”.

 

Um dos principais atractivos dos CTT está nos dividendos que a empresa vai pagar aos seus accionistas. Os CTT vão pagar 60 milhões de euros aos accionistas, com base nas contas deste ano. São 40 cêntimos por acção. Quem ficou com 100 acções, receberá 40 euros brutos, que se transformam em 31,20 líquidos (à taxa liberatória de 28%), um valor que pode não chegar para as comissões. Só com 150 a 200 acções é que estes custos são compensados pela remuneração.

 

Apesar de as acções terem sido vendidas ao preço mais elevado do intervalo, a rentabilidade do dividendo é a segunda mais elevada do PSI-20 (índice que a empresa não vai integrar para já). O “dividend yield” é de 7,25%, só superado pela rentabilidade da remuneração da REN.

 

"Em termos fundamentais, os dois 'triggers' de valorização dos CTT deverão ser o atractivo dos dividendos e a possibilidade de crescimento dos serviços financeiros", disse Albino Oliveira, analista da Fincor, à Reuters.

 

João Cabeçana, concordando que o dividendo e a possibilidade de um banco postal "podem continuar a ser apelativos para os investidores", lembrou que os CTT "têm também um 'trigger' mais global, como pano de fundo, que é o facto de, ao abrirem o capital a privados, terem margem para uma melhoria operacional".

 

"Há claramente espaço para uma melhoria, uma optimização operacional via corte de custos. Além disso, a dívida líquida é até negativa", referiu o analista do Banco Big.

 

Forte procura justifica encaixe máximo para o Estado

 

O Estado português vendeu 70% do capital dos CTT, numa operação que rendeu 579 milhões de euros aos cofres do Estado (assumindo o exercício do lote suplementar). O preço de venda foi fixado no ponto mais elevado do intervalo definido previamente (4,10 a 5,52 euros), uma decisão que o Governo justificou com a elevada procura.

 

No segmento destinado aos pequenos investidores (público em geral e trabalhadores), a procura excedeu em mais de 9 vezes as 21 milhões de acções disponíveis. Estes investidores (mais de 25 compraram acções) ficaram com 20% da oferta e 14% do capital da empresa.

 

Nos investidores institucionais foram colocadas 84 milhões de acções, sendo que não foi divulgado a procura neste segmento. Sabe-se que 77% das ordens dos institucionais vieram do estrangeiro, sendo que no total estes investidores controlam agora 54% do capital dos CTT. Os restantes 30% continuam nas mãos do Estado.

 

A forte procura registada entre os pequenos investidores levou a que o rateio fosse expressivo. Cerca de 3.000 investidores conseguiram pouco mais de 2.500 títulos, enquanto a média encaixou 740 títulos. A maioria recebeu entre 100 e 500 acções dos CTT. E uma "fatia" relevante terá em carteira bem menos do que isso. Os dados finais da OPV mostram que 6.985 investidores, 27,4% do total, ficaram com entre 10 a 100 acções.

 




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