OPV dos CTT Goldman Sachs e Deutsche Bank com 7% dos CTT (act.)

Goldman Sachs e Deutsche Bank com 7% dos CTT (act.)

O banco norte-americano adquiriu 5% dos CTT enquanto a instituição alemã comprou 2% do seu capital. A casa de investimento XTB considera que tanto o Deutsche Bank, como a Goldman Sachs, são investidores puramente financeiros, que não deverão ser decisivos na estratégia e orientação futura da empresa.
Goldman Sachs e Deutsche Bank com 7% dos CTT (act.)
Bloomberg
Ana Filipa Rego 11 de dezembro de 2013 às 16:07

Em comunicado à Comissão de Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), os CTT informam que receberam uma comunicação de participação qualificada do Goldman Sachs Group. O banco norte-americano detém 4,998% dos CTT após a compra de 7.496.479 acções da nova cotada.

 

Os CTT sublinham que a data da operação e a data em que o limiar dos 2% (participação qualificada) foi ultrapassado ou alcançado foi a 5 de Dezembro de 2013 (dia em que a empresa se estreou em bolsa). Tendo em conta o preço a que as acções foram vendidas na privatização, ou seja 5,52 euros, isto representa um investimento de 41,4 milhões de euros.

 

O Goldman Sachs é, assim, o segundo investidor relevante dos CTT a ser divulgado.

 

Esta quarta-feira foi também conhecido que o Deutsche Bank adquiriu cerca de três milhões de acções da nova cotada na venda directa (antes da estreia em bolsa), ficando, assim, com 2,04% do seu capital, num investimento de 16,9 milhões de euros. 

 

Deutsche Bank com 2% dos CTT

 

O Deutsche Bank foi o primeiro a anunciar a obtenção de uma participação qualificada (acima de 2%) nos CTT. As companhias, segundo o Código dos Valores Mobiliários, têm um prazo de quatro dias para comunicar ao emitente participações qualificadas, pelo que nos próximos dias ainda poderão surgir mais anúncios como os de hoje, caso mais investidores tenham adquirido posições relevantes no capital dos CTT.

 

Recorde-se que a Oferta Pública de Venda (OPV) da empresa de correios colocou Portugal no radar dos investidores mundiais. Cerca de 77% das acções destinadas aos investidores institucionais foram colocadas junto de estrangeiros que ficaram com quase 44% do capital. Apesar do domínio internacional nas ordens reservadas aos institucionais, a maior "fatia" de capital mantém-se em mãos nacionais: 56,8%, incluindo os 30% do Estado.

 

As acções alienadas na oferta pública de venda (OPV) dos CTT estrearam-se em bolsa quinta-feira, 5 de Dezembro, às 10h30.

 

O Estado alienou 70% do capital dos CTT, tendo fixado o preço das acções a 5,52 euros, o que corresponde ao valor mais elevado do intervalo estabelecido pelo Governo no lançamento da operação. Os trabalhadores beneficiaram de um desconto de 5% no preço.

 

No total entraram em bolsa 105 milhões de acções dos CTT que começam a negociar no dia 5 de Dezembro. 

 

Esta quarta-feira as acções sobem 1,23% para 5,77 euros.

 

XTB: Deutsche Bank e Goldman Sachs não deverão ser decisivos na estratégia futura

 

Tanto o Deutsche Bank, como a Goldman Sachs são investidores puramente financeiros, que não deverão ser decisivos na estratégia e orientação futura da empresa, sublinha Steven Santos, account manager da XTB Portugal, numa nota enviada ao Negócios.

 

Quanto ao banco alemão, o responsável explica que “não é uma notícia surpreendente, visto que o Deutsche Bank, através do Deutsche Asset & Wealth Management, é um dos accionistas estratégicos do operador belga Bpost”, acrescentando que “ a apetência do banco de investimento alemão e dos seus clientes pelo sector postal tornava-o num candidato natural a accionista dos CTT”.

 

Relativamente à Goldman Sachs, Steve Santos relembra que o banco detém uma participação relevante no Royal Mail, tendo actuado também como banco organizador na oferta pública inicial. “A forte procura e a valorização rápida das acções da Royal Mail podem ter levado o banco de investimento a esperar um comportamento semelhante nos CTT”, salienta a XTB.

 

“Além de investidores financeiros, pessoalmente esperaria que empresas relacionadas com os sectores postal ou logístico tivessem participações significativas, com o objectivo de construir uma posição estratégica”, conclui Steve Santos.

 

(Notícia actualizada às 16h44m com o comentário da XTB Portugal)




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