OPV ES Saúde Espírito Santo Saúde desvaloriza mais de 1% no primeiro dia em bolsa

Espírito Santo Saúde desvaloriza mais de 1% no primeiro dia em bolsa

Acções da empresa que detém o Hospital da Luz caem mais de 1% face ao preço a que foram vendidas na oferta pública de venda (OPV).
Espírito Santo Saúde desvaloriza mais de 1% no primeiro dia em bolsa
Miguel Baltazar/Negócios
Sara Antunes Paulo Moutinho 12 de fevereiro de 2014 às 12:29

As acções da Espírito Santo Saúde (ES Saúde) estrearam-se em bolsa com um comportamento negativo. Depois de terem marcado o primeiro negócio a 3,20 euros (preço a que as acções foram vendidas aos investidores), as acções evoluíram em alta ligeira nos primeiros minutos, mas entraram depois numa trajectória negativa.

 

Os investidores compraram 49% da Espírito Santo Saúde (ES Saúde) a 3,20 euros por título, o que corresponde ao valor mais baixo do intervalo definido inicialmente pela empresa na oferta pública de venda (OPV).

 

Esta quarta-feira, 12 de Fevereiro, as acções estrearam-se em bolsa, mas sem entusiasmo. Os títulos seguem a perder 1,25% para 3,16 euros, depois de esta manhã terem chegado a subir 1,25%.

 

Tendo em conta esta cotação de 3,16 euros, 4 cêntimos abaixo do preço da OPV, a ES Saúde fica avaliada em 301,9 milhões de euros.

 

Nas primeiras quatro horas de negociação foram movimentadas 2,2 milhões de acções, o que corresponde a 2,2% do capital da companhia e 4,7% dos títulos vendidos aos investidores.

 

No primeiro mês de cotação o Credit Suisse pode realizar operações de estabilização das acções, o que poderá suportar os títulos quando estes negoceiam abaixo de 3,20 euros.

 

Os analistas tinham já antecipado uma estreia com pouco fulgor por parte da ES Saúde, devido à fraca procura na OPV.

 

Múltiplo acima da média do sector europeu

 

"A fraca procura justifica reservas, visto que poderá traduzir-se em baixo volume negociado no mercado secundário", disse ao Negócios Steven Santos, gestor da XTB, antes do arranque da negociação.

 

"Os sinais de uma procura relativamente fraca e o facto de o preço final de venda ter sido fixado no limite mínimo do intervalo definido para a operação justificam uma postura cautelosa para as primeiras sessões de negociação das acções em bolsa", adianta Albino Oliveira, analista da Fincor.

 

Ao vender as acções a 3,20 euros, a ES Saúde fica avaliada em 306 milhões de euros. Tendo em conta os resultados líquidos nos 12 meses até ao terceiro trimestre do ano passado (13,2 milhões de euros), entrará em bolsa a valer 23 vezes os lucros, "um múltiplo que está acima da média do sector europeu", nota Steven Santos.

 

"A parte inferior do intervalo de preços foi desde o início a área desse mesmo intervalo onde a empresa melhor comparava com o sector Europeu", diz Albino Oliveira. Mas alerta para "o prémio de risco que os investidores continuam a exigir para investir em Portugal, quando comparado com a Alemanha e a França, o que poderá justificar que a ES Saúde possa transaccionar a um desconto face a esses mesmos comparáveis".

 

A ESS entrou em bolsa com 2.800 accionistas, segundo a informação divulgada pela empresa na última sexta-feira. Este número de accionistas compara com os 25 mil conseguidos pelos CTT (a última OPV realizada em Portugal) e com os quase 195 mil da REN e 131,9 mil da Galp Energia.

 

Os resultados da OPV revelaram que a procura total pelo público geral por acções da ES Saúde foi de 105,1% a oferta. Já os trabalhadores garantiram, no final da operação, 100% da oferta que ficou destinado para este segmento. Contudo, no início estava reservado para os trabalhadores quase 3,3 milhões de acções e no final foram atribuídas apenas 502,16 mil acções. No total, a procura foi de 104,9% a oferta.

 

O público em geral subscreveu 9.363.140 acções, garantindo um encaixe de 29,96 milhões de euros. Os investidores institucionais compraram 37.452.564 acções, o que traduz um encaixe de 119,8 milhões de euros. No total a operação gerou um encaixe de 149,8 milhões de euros, sendo que 22,5 milhões de euros serão para a própria ES Saúde e o restante para os accionistas vendedores.




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