Crédito Menor exposição internacional tornou sistema financeiro mais seguro, diz o FMI

Menor exposição internacional tornou sistema financeiro mais seguro, diz o FMI

Nos últimos anos, e na sequência da crise financeira, os bancos diminuíram os empréstimos transfronteiriços, ficando mais dependentes das suas operações locais. Uma evolução que faz dos sistemas financeiros nacionais mais seguros, acredita o Fundo Monetário Internacional.
Menor exposição internacional tornou sistema financeiro mais seguro, diz o FMI
Bloomberg
Negócios 08 de abril de 2015 às 14:36

No Relatório de Estabilidade Financeira, divulgado esta quarta-feira, o FMI, dedica um capítulo à presença internacional dos bancos. Os bancos têm duas formas de conduzir a sua actividade de crédito a nível internacional: ou directamente além-fronteiras ou através das filiais no estrangeiro.

 

"Os bancos internacionais agora confiam relativamente mais no crédito de filiais estrangeiras do que em empréstimos transfronteiriços", refere o FMI que considera que as instituições da Zona Euro lideram este processo. Uma mudança que se verifica desde a crise financeira que trouxe mais regulação para os bancos, quer para as operações nacionais, quer para as internacionais.

 

As instituições tiveram necessidade de "limpar" os seus balanços, o que as levou a diminuir o crédito a nível internacional e a focar-se mais nas actividades internas e nas regiões mais importantes para a sua estratégia. Entre 2008 e 2013, em 64 países, desenvolvidos e emergentes, os bancos cortaram em cerca de 5% as agências e sucursais no estrangeiro.

 

A instituição liderada por Christine Lagarde (na foto) acredita que "este desenvolvimento tornou os sistemas financeiros nos países mais seguros". Isto porque o crédito transfronteiriço pode trazer "choques adversos domésticos e globais à economia e ao sistema financeiro de um país", sublinha o FMI.

 

"Enquanto as ligações bancárias transfronteiriças tendem a agravar os efeitos de choques adversos domésticos e globais no crédito nos países, os empréstimos locais podem ter um papel de estabilizador durante as crises internas", frisa a instituição. Esta mudança "deverá ter implicações positivas para a estabilidade financeira dos países", a nível interno.

 

Apesar de sublinhar as implicações positivas deste desenvolvimento para a estabilidade financeira, o FMI também identifica benefícios. "Por exemplo, o crédito directo transfronteiriço dos bancos globais contribui para a alocação das poupanças mundiais nos países e ajuda os mutuários a diversificar as suas fontes de financiamento", sublinha o FMI.

 

Deste modo, os responsáveis políticos "devem agir para tornar a banca internacional mais segura", resume o FMI. A instituição aponta para políticas que impulsionem nomeadamente a cooperação internacional nos mecanismos transfronteiriços de resolução para "limitar os riscos associados à falência de bancos internacionais".

 

O FMI realça ainda que a queda do crédito transfronteiriço "tem sido acompanhado de um aumento das emissões de dívida internacionais de empresas não-financeiras", nomeadamente nos mercados emergentes. "Confrontadas com constrangimentos de crédito nos bancos, as empresas, especialmente as maiores, podem voltar-se para os mercados de capitais para obter financiamento", sublinha o relatório.




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TBrites 08.04.2015

ahahah sinal de que o CIRCO está prestes a pegar FOGO!

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