Mercados 5 coisas que precisa de saber para começar o dia

5 coisas que precisa de saber para começar o dia

As negociações do Deutsche Bank com Washington para baixar o valor da multa ao banco alemão e a negociação dos juros de Portugal deverão estar em foco esta sessão. A especulação em torno dos juros nos EUA também deverá continuar em destaque.
5 coisas que precisa de saber para começar o dia
Patrícia Abreu 07 de outubro de 2016 às 07:30
Negociações do Deutsche Bank com Washington

A situação do Deutsche Bank e a potencial renegociação do valor da multa nos EUA deverá voltar a agitar a negociação nos mercados esta sexta-feira. Depois de ter sido noticiado durante a manhã de quinta-feira que o Governo alemão estará em conversações com as autoridades norte-americanas para garantir um bom acordo para a instituição bancária no país, foi a directora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, a aconselhar o Deutsche Bank a chegar a um acordo com os EUA: "Quanto mais cedo, melhor". Em causa está a intenção dos EUA aplicarem uma multa de 14 mil milhões de dólares pela venda irregular de instrumentos financeiros ao banco alemão, uma notícia que espoletou a queda a pique dos títulos da instituição nos últimos dias e que levantou preocupações em relação à solidez financeira do maior banco europeu.



FMI e Banco Mundial realizam reunião anual

As perspectivas para a economia global também estarão em foco neste final de semana, no dia em que decorre a reunião anual do FMI e do Banco Mundial, em Washington. Num momento em que persistem muitas preocupações em relação ao ritmo de crescimento da economia global, representantes das duas instituições irão discutir as suas expectativas para o crescimento mundial, bem como analisar os principais riscos para a economia. A política monetária e a crise da banca deverão ser temas em discussão, numa semana em que o FMI reviu significativamente em baixa a sua previsão de crescimento para a maior economia mundial, antecipando que, em ano eleitoral, os Estados Unidos cresçam apenas 1,6%, menos seis décimas do que estimava ainda há três meses.



Juros portugueses sob pressão
Depois de terem negociado em máximos de quase oito meses, os juros de Portugal deverão manter-se debaixo dos holofotes dos investidores esta sessão. Os alertas deixados pela DBRS, de que o país vive num "ciclo vicioso", no mês em que tem agendada uma possível revisão do "rating" português, associados à especulação de que o Banco Central Europeu estará a preparar uma retirada dos estímulos monetários na região deverão manter as "yields" da República Portuguesa sob pressão. Ainda assim, as declarações do comissário europeu, Carlos Moedas, sobre o país poderão dar algum suporte aos juros. O comissário europeu da Inovação afastou esta quinta-feira, 6 de Outubro, a possibilidade de um novo programa de assistência económica e financeira a Portugal. E disse que o país tem estado a cumprir as metas orçamentais.


Dados económicos nos EUA em análise
A especulação em torno de uma possível subida de juros nos EUA até ao final do ano deverá continuar a determinar o rumo dos mercados. Depois de vários membros do banco central norte-americano terem discursado nos últimos dias, deixando em aberto uma subida da taxa de referência ainda este ano, Stanley Fischer, vice-presidente da Fed, discursa numa conferência em Washington. Além disso, serão conhecidos números no retalho e a taxa de desemprego no país, em Setembro. A divulgação de indicadores robustos poderá reforçar a tese para uma mexida na taxa de juro até ao final de Dezembro. 


Comentários de agências de "rating"
As análises das agências de notação financeira também deverão concentrar atenções esta semana. Num dia em que está agendada uma possível revisão do "rating" de Itália por parte da Moody’s e de Espanha pela DBRS, as instituições deverão deixar alertas para os riscos políticos em ambos os países. Enquanto os espanhóis podem repetir a ida às urnas na véspera do Natal para escolher o novo Governo, os italianos têm agendado um referendo para Novembro. E do resultado deste levantamento popular poderá resultar a demissão do primeiro-ministro Matteo Renzi. Risco político deverá ser também um dos temas em destaque caso a Moody’s decida emitir alguma nota sobre a dívida norte-americana esta sexta-feira. Num momento em que permanece elevada incerteza em relação a quem irá vencer as presidenciais nos EUA, os especialistas deverão realçar os riscos de uma vitória de Donald Trump. A política da Fed também deverá ser alvo de atenção.