Bolsa 2017 com o maior número de IPO em dez anos

2017 com o maior número de IPO em dez anos

Durante este ano cerca de 1.700 empresas lançaram ofertas públicas iniciais (IPO), mais 44% que no ano anterior. Além disso, durante 2017 registaram-se o maior número de IPO desde 2007.
2017 com o maior número de IPO em dez anos
Reuters
Ana Laranjeiro 28 de dezembro de 2017 às 21:50

O ano de 2017 está a chegar ao fim. Ao longo dos últimos 12 meses, várias empresas entraram bolsa. De acordo com dados da Dealogic, citados pelo Financial Times (FT), durante este ano quase 1.700 empresas lançaram ofertas públicas iniciais (IPO na sigla em inglês). Este valor representa um crescimento de 44% face ao ano anterior e foi o maior número de IPO desde 2007, portanto em dez anos.

Dados da EY, citados pelo mesmo jornal, indicam que as entradas em bolsa de empresas europeias subiram 40% em 2017. Já as empresas chinesas tiveram também um ano em grande: mais de 400 entraram no mercado de capitais - sobretudo nas bolsas de Shenzhen e de Xangai.

Houve várias empresas que estiveram em destaque. Recordamos o que se passou com três: Snap, AIB e Rovio.

Snap: a mensagem foi-se apagando?

Não foi uma surpresa total quando, em Novembro de 2016, foi noticiado que a Snap, antiga Snapchat, estava a trabalhar no sentido de cotar em bolsa, tendo dado entrada com os papéis necessários para o efeito. Semanas antes tinham sido publicadas várias notícias que indicavam precisamente isso: que a start-up fundada por Evan Spiegel e que tinha desenvolvido um serviço que permite a troca de mensagens, que se apagam poucos segundos depois de serem lidas, estava a abrir caminho na direcção de fazer uma oferta pública inicial (IPO na sigla inglesa).

A estreia foi em Março. A 2 de Março foram revelados os dados da oferta pública inicial da Snap. Foram vendidas 200 milhões de acções da dona do Snapchat a 17 dólares cada uma, um valor que superou as estimativas. O intervalo previsto situava-se entre 14 e 16 dólares.

Poucas horas depois, as acções da Snap estrearam-se em Wall Street nos 24 dólares, um valor 41% acima dos 17 dólares a que acções foram vendidas na operação de colocação em bolsa. Terminaram o dia nos 24,48 dólares. E no dia seguinte chegaram a transaccionar nos 29,44 dólares.

Mas desde então muito aconteceu. Por exemplo, em Julho, concretamente nos dias 10 e 11 de Julho, a empresa afundou em bolsa, penalizada por nota de análise menos positiva de um banco de investimento. Nesses dias, as acções negociaram abaixo do preço do IPO. Os resultados do segundo e terceiro trimestre não agradaram aos investidores. No início de Novembro, a empresa reportou, receitas no valor de 207,9 milhões de dólares no terceiro trimestre, que ficaram assim aquém das estimativas. O resultado líquido foi negativo em 443,2 mil milhões de dólares. No dia seguinte surgiu a notícia que a tecnológica chinesa Tencent detinha uma participação de 12% na Snap.

Aquando do IPO, e segundo dizia a Bloomberg, a empresa liderada por Evan Spiegel, tendo em consideração os múltiplos, ficava com uma avaliação que era o dobro da do Facebook e quatro vezes acima do Twitter, empresa que protagonizou a última operação semelhante de uma rede social.

Esta quarta-feira, a Snap tem uma capitalização bolsista acima dos 18 mil milhões de dólares (a capitalização bolsista do Facebook supera os 519 mil milhões de dólares e a do Twitter os 18 mil milhões de dólares). Desde o início do ano, as acções registam uma queda de 38,68%.

O pior mês para a Snap foi precisamente Julho, com uma queda acumulada de 23,07% - segundo dados disponibilizados pela Bloomberg. Em Novembro, a empresa liderada por Evan Spiegel recuou 10,17%.

AIB: milhões para os cofres públicos

Falar da dispersão em bolsa de cerca de 25% do Allied Irish Banks exige recuar no tempo até 2010. Este foi um dos bancos irlandeses que teve de ser resgatado e que acabou por determinar que, em Novembro de 2010, Dublin tenha pedido um resgate financeiro aos parceiros internacionais.

Mais de sete anos depois, e com o resgate financeiro há muito no passado, o ministério das Finanças da Irlanda anunciou que ia colocar em bolsa cerca de 25% do capital do AIB. A 23 de Junho, foi noticiado que a Irlanda obteve um encaixe de três mil milhões de euros pela venda desta participação na casa dos 25% - vendeu 679 milhões de acções a 4,40 euros, o que permitiu que o banco ficasse avaliado em cerca de 12 mil milhões de euros.

O banco liderado por Bernard Byrne conta com uma capitalização bolsista de 14,7 mil milhões de euros, segundo os dados da Bloomberg, nesta quarta-feira, 27 de Dezembro. Desde o início do ano, acumula um ganho de 8,86%. Junho foi um mês muito negativo para AIB (-30,28%) e Novembro foi o mês em que registou o maior ganho mensal: 7,41%.

Rovio: Angry Birds não convence?

Em Setembro, surgiram notícias que davam conta que a finlandesa Rovio, produtora nomeadamente do jogo Angry Birds, estava a preparar-se para entrar no mercado bolsista. A 28 de Setembro, a firma anunciou que as acções no IPO iam ser fixadas em 11,50 euros, o mais elevado do intervalo estabelecido inicialmente e que apontava para um preço entre os 10,25 euros e os 11,50 euros. Este preço avaliou a empresa de jogos em 896 milhões de euros.

A 23 de Novembro, a companhia já tinha perdido um quinto do seu valor em bolsa. A Rovio afundou em bolsa, na sequência de resultados decepcionantes. Os títulos chegaram a cair um máximo de 20,47%, subtraindo um quinto do valor de mercado à fabricante de jogos. Segundo avançavam na altura os analistas da FIM, citados pela Bloomberg, os resultados do terceiro trimestre foram uma "decepção brutal".

Em termos mensais, Outubro foi um mês negativo para as acções – tendo acumulado uma perda mensal de 7,39% - mas Novembro foi pior: acumulou uma queda mensal de 12,96%.

A finlandesa acumula uma capitalização bolsista de 708 milhões de euros.




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