Obrigações Obrigações de retalho compensam cada vez menos

Obrigações de retalho compensam cada vez menos

A oferta arranca na próxima quarta-feira e termina a 28 de Novembro. Período que coincide com o pagamento do subsídio de Natal a muitos portugueses.
Obrigações de retalho compensam cada vez menos
Bruno Simão
O IGCP decidiu avançar com uma nova emissão de Obrigações do Tesouro de Rendimento Variável (OTRV). À semelhança do que fez no ano passado, pretende tirar partido dos subsídios de Natal. A remuneração oferecida foi novamente cortada. É atractiva perante a maior parte das alternativas disponíveis, mas compensa cada vez menos, sobretudo tendo em conta que requer o pagamento de comissões.

O IGCP vai avançar com a terceira emissão de ORTV do ano. Vai pagar uma taxa de juro bruta de 1,1%, o que representa um corte de meio ponto percentual face à emissão anterior de Julho e metade da remuneração da primeira emissão destes produtos (2,2% em Março de 2016). Este foi mesmo o corte de remuneração mais expressivo desde que as OTRV foram lançadas no ano passado.

"A remuneração continua a ser atractiva em termos relativos, porque é acima do mercado secundário e das taxas da maioria dos depósitos", adianta Filipe Garcia. Mas, "em termos absolutos, já começa a ser um nível muito baixo de juros e que pode levar os aforradores a pensar que não vale a pena aplicar, tal como já acontece em muitos depósitos que acabam por ficar à ordem. Com os juros mais baixos, as comissões envolvidas já têm um peso muito significativo na rentabilidade", frisa o economista da IMF ao Negócios.

 Apesar do corte sucessivo nas remunerações das obrigações para o retalho, o IGCP tem conseguido forte procura. Nas cinco colocações anteriores angariou um total de 5.650 milhões de euros em financiamento. A emissão de Julho deste ano atraiu o interesse de mais de 70 mil investidores. A oferta pública de subscrição vai decorrer entre 15 e 28 de Novembro, pelo que ainda irá a tempo para muitos portugueses aproveitarem o subsídio de Natal para reforçar a aposta nos produtos de poupança do Estado.

"Continuará a ser um produto interessante face à concorrência e por isso terá procura. No entanto, quem fizer as contas notará que só compensa este investimento para montantes elevados e que os Certificados do Tesouro Poupança Crescimento (CTPC), não comissionados, são mais interessantes a prazo", defende Filipe Garcia.

Caso a procura o justifique, o Ministério das Finanças tem até 21 de Novembro para rever em alta o montante indicativo da operação, que é de 500 milhões de euros. "A emissão insere-se no objectivo assumido pelo IGCP há vários anos de recorrer ao retalho como fonte de financiamento", conclui o economista da IMF que realça a expectativa de que os "aforradores de retalho sejam mais estáveis quer na procura quer na detenção de títulos de dívida do Tesouro".



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