Mercados num minuto Fecho dos mercados: Emprego forte nos EUA e resultados fracos arrastam acções. Juros e dólar sobem

Fecho dos mercados: Emprego forte nos EUA e resultados fracos arrastam acções. Juros e dólar sobem

As bolsas europeias transaccionaram no vermelho e fecharam a semana com fortes desvalorizações, pressionadas pelos dados positivos do mercado laboral dos Estados Unidos. Juros e dólar sobem e o petróleo cai.
Fecho dos mercados: Emprego forte nos EUA e resultados fracos arrastam acções. Juros e dólar sobem

Os mercados em números

PSI-20 perde 1,61% para 5.516,87 pontos

Stoxx 600 caiu 1,38% para 388,07 pontos

S&P 500 recua 1,19% para 2.788,35 pontos

Juros da dívida portuguesa a dez anos sobem 6,9 pontos base para 2,017%

Euro estável nos 1,2513 dólares

Petróleo em Londres desvaloriza 2,33% para 68,03 dólares

 

Emprego forte nos EUA castiga acções, obrigações e euro

A queda acentuada das obrigações europeias e dos Estados Unidos continua a contagiar os mercados accionistas, que registaram mais uma sessão de fortes desvalorizações, culminando assim uma semana bastante negativa para as bolsas. As "yields" dos títulos de dívida aceleraram as subidas depois do Departamento do Trabalho dos Estados Unidos ter revelado que foram criados 200 mil empregos em Janeiro e que os salários cresceram ao ritmo mais elevado desde 2009.
 

Acresce que o sentimento nos mercados já era negativo, pois foram várias as cotadas que apresentaram resultados que decepcionaram os investidores. Foi o caso da Alphabet, dona da Google, que apresentou lucros abaixo do esperado, e também da Apple, que apresentou estimativas de receitas que decepcionaram os investidores. Já hoje, na Europa, o Deutsche Bank afundou 6,21% para 13,856 euros depois do banco alemão ter apresentado resultados que ficaram abaixo do esperado. O BT Group também apresentou resultados decepcionantes e cedeu 2,21%.

 

O Stoxx600 caiu 1,38% para 388,07 pontos, na quinta sessão em terreno negativo, a série de perdas mais longa desde Novembro. Na semana o índice europeu recuou 3%.

 

Muitos analistas consideram que as bolsas estão apenas a corrigir do forte arranque de ano. "O crescimento económico global é forte e os resultados das empresas é muito sólido, pelo que não há razões para questionar o ‘bull market’ nas acções. A subida das ‘yields’ das obrigações é positiva, apenas a velocidade com que está a acontecer é que está a deixar os investidores nervosos.

 

Em Lisboa o PSI-20 acompanhou este sentimento negativo, sofrendo também a quinta sessão consecutiva de perdas (desvalorizou 4,36% na semana). O índice português foi hoje pressionado sobretudo pelo Banco Comercial Português, que desceu 1,93% para 0,3042 euros, depois desta manhã o Bank Millennium, banco polaco participado em 50,1% pelo BCP, ter comunicado ao mercado que obteve lucros de 681 milhões de zlotys (160 milhões de euros) em 2017.

 

Juros da dívida prolongam escalada

É o tema do momento nos mercados e está a condicionar muitos activos. As obrigações soberanas estão a acelerar as quedas, devido sobretudo às perspectivas de subida da inflação, que levem os bancos centrais a adoptar uma política monetária mais restritiva. Uma visão que saiu reforçada com o relatório do emprego dos Estados Unidos e que contribui para acelerar a escalada dos juros da dívida.

 

A "yield" das bunds a 10 anos subiu 4,7 pontos base para 0,767%, o que corresponde ao nível mais elevado desde Setembro de 2015. Nos Estados Unidos o juro dos títulos de dívida soberana a 10 anos já está em máximos de Janeiro de 2014 e acima dos 2,85%. Analistas citados pela Bloomberg adiantam que o mercado accionista sofrerá uma correcção quando a "yield" das treasuries superar os 3%.

 

Na dívida portuguesa a "yield" das obrigações do Tesouro a 10 anos avançou 6,9 pontos base para 2,017%..

 

Dólar recupera com perspectiva de subida de juros

O relatório do emprego nos EUA também teve forte impacto no mercado cambial, já que aumentaram as expectativas de que a Reserva Federal vai subir os juros já em Março, o que contribuiu para uma recuperação acentuada do dólar. Depois de várias sessões a ganhar terreno e de ter negociado perto de máximos de Dezembro de 2014, o euro está a cair 0,34% para 1,2467 dólares.

Crude com maior queda semanal desde Outubro

Os preços do petróleo seguem em queda nos mercados internacionais, com as matérias-primas negociadas tanto em Londres como em Nova Iorque a encaminharem-se para a maior desvalorização semanal desde Outubro.

 

Na capital inglesa, o Brent do mar do Norte, utilizado como valor de referência para as importações nacionais, recua 2,33% para 68,03 dólares por barril, sendo que esta sexta-feira já transaccionou nos 67,96 dólares, o valor mais baixo desde 9 de Janeiro.

 

Já em Nova Iorque, o West Texas Intermediate (WTI) cai 1,76% para 64,64 dólares por barril. O Brent acumula nesta altura uma desvalorização semanal superior a 3,30% e o WTI perde mais de 2% na semana.

 

A contribuir para a queda do crude está a forte valorização hoje verificada pelo dólar negociado nos mercados cambiais. Um dólar mais forte reduz o interesse dos investidores na procura de matérias-primas denominadas na divisa norte-americana, como é o caso do petróleo.

 

Por outro lado, também a contribuir para a queda do crude está a apreensão dos investidores quanto a um potencial aumento da produção petrolífera norte-americana, em especial da perfuração de xisto betuminoso, o que aumentaria os níveis de oferta, pressionando o preço.




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