Mercados num minuto Abertura dos mercados: Espectro de guerra comercial afunda bolsas. Stoxx 600 em mínimos de um ano

Abertura dos mercados: Espectro de guerra comercial afunda bolsas. Stoxx 600 em mínimos de um ano

O presidente dos EUA assinou o memorando que prevê a aplicação de mais tarifas sobre as importações chinesas. Pequim não tardou a responder e já fez saber que está a estudar a aplicação de taxas aduaneiras sobre as importações americanas. O mercado teme uma guerra comercial e as bolsas mundiais estão em queda.
Abertura dos mercados: Espectro de guerra comercial afunda bolsas. Stoxx 600 em mínimos de um ano
Reuters
Ana Laranjeiro 23 de março de 2018 às 09:27

Os mercados em números

PSI-20 recua 1,54% para 5.290,62 pontos

Stoxx 600 cai 1,20% para 364,72 pontos

Nikkei desvalorizou 4,51% para 20.617,86 pontos

Juros da dívida portuguesa a dez anos ganham 4,3 pontos para 1,797%

Euro sobe 0,29% para 1,2338 dólares

Petróleo em Londres aprecia 0,46% para 69,23 dólares o barril

Guerra comercial iminente afunda bolsas

As principais bolsas mundiais estão esta sexta-feira em queda acentuada com os investidores a recearem o surgimento de uma guerra comercial. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou ontem um memorando que permite a entrada em vigor de novas taxas aduaneiras sobre as importações chinesas.

O objectivo destas medidas é responder às práticas chinesas em termos de propriedade intelectual. A estas novas taxas devem somar-se aquelas que já tinham sido anunciadas há dias, que incidem sobre as importações de aço e alumínio.

Pequim já respondeu, fazendo saber que está a estudar a possibilidade de implementar taxas alfandegárias sobre as importações norte-americanas. O cenário de uma eventual guerra comercial começa a ganhar mais força e os investidores manifestaram os seus receios afastando-se dos mercados accionistas e apostando em outras classes de activos.

No Japão, o Nikkei terminou a sessão a afundar 4,51% e o Topix recuou 3,62%. Na China, o Shanghai Stock Exchange Composite Index terminou o dia a cair 3,39% e o Hang Seng de Hong Kong desvalorizou 2,49% no fecho da sessão.

Na Europa o cenário não é mais positivo. Em Lisboa, o PSI-20 desvaloriza 1,54%, tendo tocado já no valor mais baixo desde 2 de Março. E acumula uma perda semanal superior a 2,5%, o que representa, para já, a pior semana desde a que terminou a 9 de Fevereiro. O Stoxx 600, índice de referência, perde 1,20%, tendo já recuado esta manhã para mínimos de Fevereiro do ano passado. No acumulado da semana o índice de referência perde mais de 3%, o que é – por enquanto – a pior semana desde a que terminou a 2 de Março.

Juros em alta

Os juros da dívida pública portuguesa estão em alta no mercado secundário. A dez anos, as "yields" nacionais somam 4,3 pontos base para 1,797%. Esta tendência alarga-se a outros países do euro, num dia em que a agência de notação financeira S&P pode pronunciar-se sobre o rating de Espanha.

Os juros exigidos pelos investidores para trocarem dívida espanhola a dez anos entre si avançam 3,1 pontos base para 1,323% e os de Itália ganham 3,2 pontos base para 1,918%. Já os da Alemanha cedem 0,1 pontos base a dez anos para 0,528%.

Euro em alta

A perspectiva crescente de uma guerra comercial – que foi acentuada pela decisão do presidente norte-americano de aplicar mais tarifas sobre as importações que dão entrada nos EUA, sendo que desta vez o alvo é a China – está a penalizar a evolução do dólar. A moeda norte-americana está assim em queda face a várias congéneres mundiais. Por esta altura, o euro sobe 0,29% para 1,2338 dólares.

Donald Trump dá ganhos ao petróleo

A dança das cadeiras na administração norte-americana deu ontem uma nova volta. Esta quinta-feira, o presidente dos EUA anunciou que o conselheiro para a segurança nacional, tenente-general HR McMaster vai abandonar o cargo e ser substituído por John R. Bolton, ex-embaixador norte-americano nas Nações Unidas.

O mercado acredita que John R. Bolton tem uma perspectiva mais agressiva que o seu antecessor, pelo que pode vir a verificar-se um aumento das tensões geopolíticas. Esta decisão de mudar um dos principais conselheiros surge numa altura em que Washington tem de decidir se vai manter o acordo nuclear com o Irão. Se os Estados Unidos abandonarem o acordo, os investidores temem que possam surgir sanções contra as vendas de petróleo dos países que pertencem à Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP).

O West Texas Intermediate sobe 0,76% para 64,79 dólares por barril. E o Brent do Mar do Norte, referência para Portugal, avança 0,46 % para 69,23 dólares por barril.

Ouro em alta

Os preços do ouro estão em alta, beneficiando do apetite dos investidores por activos de refúgio, numa altura em que o espectro de uma guerra comercial paira no mercado. O ouro, para entrega imediata, sobe 0,77% para 1.339,29 dólares por onça. Para já, no acumulado da semana, o metal amarelo sobe 1,91%.




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