Bolsa Accionistas da Uber vendem acções com desconto ao Softbank, mas alguns ganham 10.000%

Accionistas da Uber vendem acções com desconto ao Softbank, mas alguns ganham 10.000%

Os que venderam agora e tinham investido no início da Uber viram o valor da aposta inicial, de cerca de 35 cêntimos de dólar, para quase 33 dólares, segundo um investidor que solicitou o anonimato, porque as vendas são privadas.
Accionistas da Uber vendem acções com desconto ao Softbank, mas alguns ganham 10.000%
Amr Abdallah Dalsh/Reuters
Lusa 03 de janeiro de 2018 às 07:57

Os investidores na plataforma de serviços de transporte Uber venderam parte das acções ao conglomerado japonês Softbank com 30% de desconto em relação a 2016, mas em alguns casos com uma valorização de 10.000% em relação ao início.

 

Os que venderam agora e tinham investido no início da Uber viram o valor da aposta inicial, de cerca de 35 cêntimos de dólar, para quase 33 dólares, segundo um investidor que solicitou o anonimato, porque as vendas são privadas.

 

A Uber foi avaliada em 68,5 mil milhões de dólares (56,8 mil milhões de euros), em 2016, durante uma operação de investimento de capital, mas caiu para 48 mil milhões no acordo anunciado na semana passada com o SoftBank.

 

As razões para o desconto são muitas, entre as quais uma série interminável de escândalos, processos e conflitos que afectaram a Uber durante a maior parte de 2017.

 

Por outro lado, a concorrência intensificou-se nos EUA, com a Lyft and Grab, e na Índia, com a Ola, e em outros países com o aparecimento de operadores locais.

 

Durante o último ano, a Uber foi abalada por revelações de uma situação generalizada de assédio sexual na empresa, manipulações tecnológicas para enganar reguladores e a dissimulação ao longo de um ano de ataque cibernético, que roubou informação pessoal de 57 milhões de passageiros e 600 mil motoristas.

 

Rohit Kulkarni, gestor da SharesPost, uma empresa que analisa investimentos privados na Uber, destacou três acontecimentos relevantes, ocorridos ao mesmo tempo que começaram as negociações com a SoftBank, que provocaram a descida do preço das acções.

 

Mesmo antes do anúncio da intenção do SoftBank investir na Uber, os reguladores britânicos recusaram renovar a licença para a empresa operar em Londres. Depois foi revelado o ataque informático e o seu encobrimento e, por fim, a empresa anunciou perdas de 1,46 mil milhões de dólares no terceiro trimestre por devido a elevados custos judiciais.

 

Muitos dos principais investidores na Uber são fundos de capital de risco que estão presentes desde o início. Agora, cobriram a sua aposta, vendendo parte da sua posição, para dar lucros relevantes aos accionistas, mas permanecendo na empresa, esperando mais ganhos importantes, passados os escândalos, adiantou Kulkarni.

 

Tudo junto, o grupo SoftBank vai colocar cerca de nove mil milhões de dólares na Uber. O grupo vai ficar com 15% e outros investidores no perímetro do grupo com outros 3%.

 

O negócio, que deve ficar concluído este mês, também deve trazer estabilidade à gestão, reduzindo a influência do demitido presciente executivo, Travis Kalanick. O SoftBank, que também tem investimentos em outras empresas do mesmo género, obtém dois lugares na administração e vai ajudar a Uber a navegar através de uma forte concorrência global, afirmou Kulkarni.

 

Os novos presidente executivo, Dara Khosrowshahi, e de operações, Barney Harford, são executivos experientes que têm tido sucesso em aumentar o valor de empresas de viagens, destacou Kulkarni, que prevê que a Uber venha a valer 100 mil milhões de dólares quando venha a abrir o seu capital ao público, algures em 2019.

 

Até lá, "um caminho para a rentabilidade é imperativo", considerou Kulkarni.

 




A sua opinião0
Este é o seu espaço para poder comentar o nosso artigo. A sua opinião conta e nós contamos com ela.
Faltam 300 caracteres
comentar
Negócios oferece este espaço de comentário, reflexão e debate e apela aos leitores que respeitem o seu estatuto editorial, promovam a discussão construtiva e combatam o insulto. O Negócios reserva-se ao direito de editar, apagar ou mesmo modificar os comentários dos seus leitores se atentarem contra o bom senso e seriedade.O acesso a todas as funcionalidades dos comentários está limitada a leitores registados e a Assinantes.
pub