Bolsa Acções da Sonae nas mãos do BPI continuam a influenciar retalhista por mais um ano

Acções da Sonae nas mãos do BPI continuam a influenciar retalhista por mais um ano

O BPI e a Sonae alargaram, até 2018, o derivado de cobertura de risco que protege mais de 5% do capital da retalhista que está nas mãos do banco. O BPI detém os votos, o grupo Sonae fica exposto às oscilações das acções.
Acções da Sonae nas mãos do BPI continuam a influenciar retalhista por mais um ano
Paulo Duarte
Diogo Cavaleiro 03 de novembro de 2017 às 21:14

A ligação contratual entre o BPI e a Sonae Investments, relativamente ao capital da "holding" Sonae SGPS, vai manter-se. Há 10 anos que há esta união e manter-se-á, pelo menos, mais um. O banco é o dono de 8,9% da Sonae, mas cerca de 5,5% são um risco assumido pelo grupo de Belmiro de Azevedo.

 

Em causa está um "cash settled equity swap" que existe desde 2007 entre o BPI e aquela subsidiária do grupo que tem Belmiro de Azevedo como beneficiário último. Tudo começou quando o banco do Porto comprou uma parte do capital da empresa dona do Continente em 2007.

 

O BPI, então liderado por Fernando Ulrich, comprou cerca de 6,6% do capital da Sonae à própria Sonae, mas celebrou depois um contrato que o protegia das oscilações do preço das acções entretanto adquiridas. Ou seja, o BPI ficava coberto do risco dos títulos, ainda que fosse ele quem exercesse os direitos de voto. Quem assumia o risco de mercado era a Sonae Investments.

 

Na altura, o grupo Sonae vendeu as acções, encaixou dinheiro com a alienação, mas manteve-se exposta, através daquela subsidiária, à evolução das acções. E assim continuou ao longo dos anos. Em 2017, completam-se dez anos dessa ligação. E vai chegar-se aos onze. O número de acções é que é ligeiramente inferior: agora não é de 6,6%, mas de 5,22%. O montante tem vindo a descer ao longo dos anos. 

 

"A Sonae informa que o ‘cash settled equity swap’, inicialmente celebrado em 15 de Novembro de 2007, e sucessivamente renovado em 19 de Outubro de 2010, 20 de Novembro de 2013, 20 de Novembro de 2014, 20 de Novembro de 2015 e em 21 de Novembro de 2016, abrangendo actualmente um total de 104.442.164 acções Sonae, representativas de 5,22% do respectivo capital social, entre a sua subsidiária integral Sonae Investments, B.V. e o Banco BPI, S.A., foi automaticamente renovado por um prazo adicional de 12 (doze) meses, até Novembro de 2018", revela um comunicado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários.

 

Mesmo terminando nessa data, sem nova renovação, a Sonae não terá qualquer obrigação de adquirir os títulos. "Mantém-se a natureza exclusivamente financeira do mecanismo de liquidação da transacção, não existindo obrigação ou direito à compra do título subjacente por parte da Sonae ou de qualquer sua participada", assegura a mesma fonte.


Em 2007, as acções da Sonae valiam cerca de 1,80 euros. Esta segunda-feira, 3 de Novembro, os títulos da empresa encerraram a cotar nos 0,999 euros, desvalorizando 2,25% em relação ao fecho da sessão anterior.

 

O BPI, agora sob o comando de Pablo Forero (e com Ulrich na presidência da administração), é o segundo maior accionista da retalhista, com 8,9% do capital (6,6% directamente através do banco, e o restante por outras participadas). A Efanor, de Belmiro de Azevedo, é a maioritária, com 52,6%.

 




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ACIDOSULFURICO Há 2 semanas

Enquanto a SONAE não comprar esta posição as ações pouco ande subirão!Já me pronunciei várias vezes sobre este assunto e mais uma vez digo que a SONAE tudo fará para que as ações não subam muito para não ser obrigada a comprar por um valor excessivo.

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