Bolsa Acções do BCP afundam 16% após anúncio de aumento de capital

Acções do BCP afundam 16% após anúncio de aumento de capital

O forte desconto aplicado na emissão das novas acções está a pressionar os títulos na sessão desta terça-feira, tendo já fixado um novo mínimo histórico abaixo de 0,90 euros.
Acções do BCP afundam 16% após anúncio de aumento de capital
Miguel Baltazar/Negócios
Nuno Carregueiro 10 de Janeiro de 2017 às 08:05

As acções do Banco Comercial Português estão a reagir em forte queda ao anúncio efectuado ontem, de que o banco vai emitir novas acções para encaixar 1,33 mil milhões de euros, de forma a devolver a ajuda estatal e reforçar os rácios de capital.

 

Os títulos abriram a descer 13,56% para 0,90 euros, o que compara com a cotação de fecho de ontem, nos 1,0412 euros. O início de dessão está a ser marcado por forte volatilidade, com as acções a oscilarem entre perdas de 10,68% e 16,44%. A queda máxima atirou o valor das acções para 0,87 euros, o que corresponde a um novo mínimo histórico.


Além da queda acentuada, a negociação está a ser marcada por uma forte liquidez. Nos primeiros minutos da sessão foram já transaccionadas 2,76 milhões de acções, o que supera a liquidez de toda a sessão de segunda-feira e compara com a média diária dos últimos seis meses de 2,96 milhões de acções.
 

A descida das acções reflecte o desconto que vai ser aplicado no aumento de capital. O BCP vai emitir 14.169.365.580 novas acções, ao preço de 9,4 cêntimos cada uma. Este valor representa um desconto de 90% face à cotação de fecho de ontem e de 38,6% tendo em conta o preço teórico da acção pós aumento de capital: 15,32 cêntimos.

 

Por cada acção, os accionistas do BCP vão receber um direito, que por sua vez vai permitir a subscrição de 15 novas acções, mediante o pagamento de 9,4 cêntimos por cada uma.


Somando o encaixe com o aumento de capital (1,33 mil milhões de euros), à capitalização bolsista de 9 de Janeiro (983,5 milhões de euros), o BCP apresenta um valor de mercado pós-aumento de capital de 2,315 mil milhões de euros. Dividindo este valor pelo número de acções após a conclusão da operação (15.113.989.952), o valor teórico da acção do BCP pós aumento de capital e destaque dos direitos é de 0,1532 euros.

 

Tendo em conta a actual cotação do BCP (fecho de segunda-feira, 9 de Janeiro), cada direito do BCP apresenta um valor teórico de 0,888 euros. Este valor corresponde à diferença entre a cotação actual e a cotação teórica pós destaque dos direitos. Pode também ser encontrado multiplicando 15 (número de acções que cada direito permite subscrever) pela diferença entre o preço teórico da acção pós destaque dos direitos (0,1532 euros) e o preço do aumento de capital (0,094 euros).

 

Contudo, este valor teórico dos direitos é nesta altura apenas uma referência, pois vai variar em função da evolução da cotação das acções.

 

Tendo em conta a cotação das acções nesta terça-feira (0,90 euros), o valor teórico dos direitos já é de 0,756 euros. Apesar de já ter anunciado a realização do aumento de capital, não há ainda datas para as várias etapas do aumento de capital. Quando a operação arrancar oficialmente haverá lugar ao destaque dos direitos, sendo que nessa altura as acções vão sofrer um ajuste técnico em bolsa.

 

Encaixe para reembolsar estado está garantido e Fosun vai reforçar

 

Segundo o comunicado emitido pelo BCP, o encaixe com este aumento de capital vai permitir que o BCP devolva os últimos 700 milhões de euros de ajuda estatal de que a instituição liderada por Nuno Amado ainda beneficia. Além disso, servirá para dar folga de solidez ao banco, pois o rácio de solvabilidade CET 1 seria de 11,4%, tendo em consideração os valores a 30 de Setembro de 2016, o que compara com os 9,5% sem ter em conta o aumento de capital.

 

O encaixe de 1,33 mil milhões de euros está já garantido para o BCP, uma vez que a Fosun se compromete a reforçar a sua posição no BCP de 16,7% para 30%, através desta operação. Além disso, há uma tomada firme de por parte de um consórcio de bancos internacionais, composto pelo JP Morgan, Goldman Sachs, Bank of America Merril Lynch, Crédit Suisse e Mediobanca.

 

Segundo contas do Negócios, a Fosun vai investir cerca de 400 milhões de euros para reforçar no BCP, sendo que participação da Sonanfol na operação ainda não é certa. Caso não acompanhe o aumento de capital, verá a sua posição no BCP fortemente diluída. Pelo contrário, se quiser manter a posição de 14,87% que tem actualmente terá de investir 193 milhões.

Os números do aumento de capital do BCP

Novas acções a emitir: 14.169.365.580
Acções após aumento e capital: 15.113.989.952
Preço do aumento de capital : 9,4 cêntimos
Encaixe com aumento de capital: 1,33 mil milhões de euros
Preço teórico da acção após aumento de capital: 15,32 cêntimos*
Desconto face ao preço teórico da acção: 38,6%
Desconto face ao preço da acção: 90%
Preço teórico dos direitos: 88,8 cêntimos*
Valor de mercado do BCP pós aumento de capital: 2,315 mil milhões de euros

 

*Tem em conta cotação de fecho do dia de anúncio do aumento de capital, nos 1,0412 euros   


(notícia actualizada às 8:20 com actualização da cotação e mais informação)

 




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mais votado Rapaz Há 1 semana

A banca nacional e não só, está totalmente falida, e com a provável subida da taxa de juro ( Verão de 2017 ) as imparidades vão rebentar todo e qualquer balanço de qualquer banco, originando novos aumentos de capital e falências em cadeia e em toda a Europa! O mercado chinês está hiperinflacionado, ( Bolha Imobiliária ) que fará implodir todo o mercado financeiro asiático e em particular a China, arrastando a city! As bolsas sofrerão um crash, nunca antes visto e dez vezes pior a 1929. O refúgio está nos metais e em cofres na suiça!Estejam atentos.

comentários mais recentes
Observador Há 1 semana

Mas afinal existe algum banco em que eu possa confiar? Não tenho dinheiro para depositar nem para comprar ações mas isso será para mim um problema a menos quando a bolha rebentar. Acho que vou comprar pipocas, sentar-me num sofá e divertir-me com o espetáculo.

Basico Há 1 semana

ÒH Rapaz....se isso acontecer como dizes o melhor refúgio é um banker anti "fungos"

Carlos Henriques Há 1 semana

Isto era optimo se não houvesse aumento de capital. Esta Administração do BCP é uma lástima, e há cerca de 2 anos só tem "baixado as calças" . Vergonha para com os pequenos accionistas que estão co uma perca de 80% sobre o capital investido neste banco, e as percas continuam...Vale mais darem insolvência...

Accionista BCP com grandes perdas Há 1 semana

Nuno Amado e o resto da gerencia BCP escreve hoje historia.
Deixar 194 500 velhos accionistas a perder practicamente o investimento total.
Muito parabens ao grande portugues. Como estrangeiro com ainda uma boa reforma estrangeiro não posso imaginar o que um investidor portugues estar a sentir...

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