Bolsa Altice pode ter de pagar mais na OPA à Media Capital

Altice pode ter de pagar mais na OPA à Media Capital

O preço da OPA da Meo lançada à Media Capital pode ter de ir além dos 2,5546 euros, admite a empresa da Altice depois de questões da CMVM. Tudo vai depender do valor do contrato de compra e venda negociado com a Prisa no momento do fecho do negócio.
Altice pode ter de pagar mais na OPA à Media Capital
Miguel Baltazar
Diogo Cavaleiro 20 de julho de 2017 às 17:07

A Altice pode ter de pagar mais do que os 2,5546 euros por acção prometidos na oferta pública de aquisição (OPA) lançada sobre a Media Capital. Tudo vai depender do momento do fecho do negócio entre a empresa dona da PT Portugal e a Prisa, que controla praticamente 95% da proprietária da TVI.

 

Em causa estão dois negócios: a compra e venda da posição de quase 95% da Media Capital nas mãos da Prisa, através da Vertix; e a OPA que se seguiu obrigatoriamente, lançada sobre os 5,31% nas mãos de outros investidores, na sua grande maioria um banco galego, o NCG Banco.

Numa alteração ao anúncio preliminar da OPA, publicada esta quinta-feira 20 de Julho, a Meo – que é a empresa escolhida pela Altice para fazer a compra – esclarece que o preço final do primeiro negócio poderá influenciar o segundo. Se for acima da contrapartida oferecida actualmente, terá de aumentar. Se não for, fica o actual preço.

 

"Caso o preço por acção definido no contrato de compra e venda seja superior a € 2,5546 (dois euros, cinquenta e cinco cêntimos e quarenta e seis centésimas de cêntimo), a contrapartida por acção objecto da oferta será revista em alta por forma a igualar o preço por acção no contrato de compra e venda", assinala o comunicado.

O melhor de dois preços

 

O Negócios noticiou, no início da semana, que a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários pedira o acesso ao contrato de venda da Media Capital, precisamente para salvaguardar a ligação entre os dois preços. A alteração no comunicado da oferta do grupo Altice, liderado por Patrick Drahi (na foto ao lado de Rosa Cullell, da Media Capital), acontece depois disso. 

 

"O preço por acção no contrato de compra e venda corresponde ao capital próprio (‘equity value’) da sociedade visada, calculado por referência à data de fecho do contrato de compra e venda, dividido pelo número total de acções. Com base na melhor estimativa actual do oferente, e conforme referência no contrato de compra e venda, o capital próprio (‘equity value’) relativo à participação indirecta de 94,69% (noventa e quatro vírgula sessenta e nove por cento) detida pela Prisa na sociedade visada, à data de fecho do contrato de compra e venda, seria de aproximadamente € 321.000.000 (trezentos e vinte e um milhões de euros)", indica o comunicado à CMVM.

 

É esse montante que pode mudar: "Este valor será ajustado, positiva ou negativamente, de acordo com as rubricas de dívida e equivalentes definidas no contrato de compra e venda, calculadas na data de fecho do contrato de compra e venda".

 

Na prática, respeitando as regras legais, a contrapartida será um de dois preços: os 2,5546 euros, que corresponde ao preço médio ponderado de fecho nos seis meses anteriores ao anúncio ou, então, será o preço por acção assumido no contrato de compra e venda à Prisa, se este for maior que a primeira contrapartida. 

Os negócios foram anunciados na sexta-feira passada, 14 de Julho. A OPA carece de três condições: registo pela CMVM e as aprovações da Autoridade da Concorrência e da Entidade Reguladora para a Comunicação Social. 

Esta quinta-feira, a acção da Media Capital subiu 9,09% para valer 3,60 euros por acção. 




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