Obrigações "Ameaça Trump" atinge qualidade da dívida soberana do México

"Ameaça Trump" atinge qualidade da dívida soberana do México

A agência de rating Fitch reviu em baixa a perspectiva para a evolução da qualidade creditícia do México, cortando o seu "outlook" para "negativo".
"Ameaça Trump" atinge qualidade da dívida soberana do México
reuters
Carla Pedro 09 de dezembro de 2016 às 21:07

A Fitch reviu em baixa, de "estável" para "negativo", o "outlook" da dívida soberana de longo prazo do México. A agência justificou a decisão com o crescimento medíocre do país e com os riscos associados à presidência de Donald Trump nos Estados Unidos.

 

Com este anúncio, o rating do México está agora sob vigilância junto das três principais agências de notação financeira, uma vez que a Moody’s e a Standard & Poor’s já tinham tomado a mesma decisão.

A decisão provocou uma queda do peso mexicano, mas a Bloomberg sublinha que deverá ser temporária, uma vez que os investidores já há alguns anos que estão a antecipar um corte do rating soberano, actualmente em BBB+.

O custo para garantir as obrigações soberanas do México contra o incumprimento (medido pelo preço dos credit default swaps - CDS) disparou 11% desde a eleição de Trump, com o mercado a levar a sério as suas ameaças de sair do NAFTA e de reprimir os imigrantes sem documentos. 

 

"A procura interna e o crescimento económico do México vão ser penalizados por uma maior incerteza económica, reflectindo dúvidas em torno de uma possível renegociação do Acordo de Comércio Livre da América do Norte (NAFTA)", sublinha a Fitch  no seu relatório divulgado esta sexta-feira, 9 de Dezembro.

Recorde-se que o presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, já está a efectivar algumas das promessas feitas durante a campanha relativamente a acordos comerciais já estabelecidos ou em curso, que pretende reverter. A 21 de Novembro anunciou que em Janeiro, logo no seu primeiro dia em funções na Casa Branca, irá retirar os EUA da Parceria TransPacífico.

 

Durante a sua campanha para as eleições presidenciais norte-americanas, o republicano defendeu medidas proteccionistas e insistiu que iria retirar os EUA dos acordos comerciais multilaterais já assinados ou em negociação.  Um deles era a Parceria TransPacífico (TPP) e o outro o Acordo de Comércio Livre da América do Norte (NAFTA). Prometeu "rasgar" ambos. E no passado dia 21 de Novembro declarou que no seu primeiro dia como presidente irá retirar os EUA da TPP.

Depois de vários anos de negociações, o acordo de associação comercial TPP foi assinado em 2015 por 12 países que abarcam 40% da economia mundial - Estados Unidos, Austrália, Brunei, Canadá, Chile, Japão, Malásia, México, Nova Zelândia, Peru, Singapura e Vietname -, tendo Barack Obama sido um dos seus grandes impulsionadores. No entanto, a Parceria TransPacífico não foi ainda ratificada pelo Congresso norte-americano - precisamente devido à oposição dos republicanos.


(notícia actualizada às 21:43)




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comentários mais recentes
Criador de Touros 11.12.2016

Mais...Se Trump nomear o CEO da Exxon, como se fala, isto parecerá um western spaghetti diplomático ao gosto de Putin, pois esse nome foi medalhado há pouco tempo por Putin. Tudo isto é tão fraco. Os políticos que vão aparecendo são todos fraca roupa, cá, lá, everywhere... A bitola está muito baixa e o povo cada vez enlouquece mais a ver tv e facebook. Os negócios dos Estados estão entregues a chico-espertos, que esses não têm mãos a medir. Por cá, este governo de miseráveis é para os miseráveis, não é para mim. Neste momento tenho vergonha de ser português, com um governo de esquerda apoiado por comunistas e comunistas trotskistas !!...

Criador de Touros 11.12.2016

Iremos ver o que Trump vale, à partida não passava de um brutinho com cacau. O Criador de Touros está muito de pé atrás. Pudera, com um cartão de apresentação low life como o dele, só mesmo os brutinhos americanos do Midwest para o meter no poleiro !...Hillary era uma nulidade, este é igual ou parecido, aguardemos e espero sinceramente que a próxima administração americana seja superior à de Obama, que foi a pior de sempre ao incendiar o Médio Oriente num ápice. Se houvesse justiça, Obama deveria ir para a prisão e provavelmente Hillary também. A ver se Trump não faz parecido.Trump com o Criador de Touros chumbaria sempre, porque a conversa dele não tem consistência nenhuma em política internacional. Era chumbo redondo... DEUS QUEIRA QUE EU ME ENGANE...

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