Petróleo Angola aumenta produção petrolífera em Outubro e "fura" acordo com a OPEP

Angola aumenta produção petrolífera em Outubro e "fura" acordo com a OPEP

O volume de produção petrolífera angolana cresceu acentuadamente em Outubro, invertendo assim a tendência de quebras mais recente. Este aumento faz com que Angola não cumpra o corte à produção decidido no âmbito da OPEP.
Angola aumenta produção petrolífera em Outubro e "fura" acordo com a OPEP
Reuters
Lusa 14 de novembro de 2017 às 07:53
A produção petrolífera angolana inverteu as quebras e aumentou fortemente em Outubro, equivalente a 69.800 barris diários, reaproximando-se da líder Nigéria no topo dos produtores africanos, mas "furando" o limite acordado com a OPEP.

De acordo com dados do último relatório mensal da Organização de Países Exportadores de Petróleo (OPEP), compilados hoje pela Lusa, Angola atingiu em Outubro uma produção diária média de 1,711 milhões de barris de crude, com dados baseados em fontes secundárias.

Com este registo, em volume produzido, Angola continua atrás da Nigéria, país que no entanto viu a sua produção diminuir em 54.400 barris diários de Setembro para Outubro, recuando para a média de 1,738 milhões de barris por dia, de acordo com os mesmos dados da OPEP.

Durante praticamente todo o ano de 2016 - e até maio último - Angola liderou a produção de petróleo em África.

A produção na Nigéria foi condicionada entre 2015 e 2016 por ataques terroristas, grupos armados e instabilidade política interna.

O acordo entre os países produtores de petróleo, para reduzir a produção e fazer aumentar o preço do barril, obrigou Angola a cortar 78.000 barris de crude por dia com efeitos desde 01 de Janeiro de 2017, para um limite de 1,673 milhões de barris diários. Um acordo, entretanto prolongado até Março de 2018, que Angola terá "furado" em Outubro.

O relatório da OPEP refere que em termos de "comunicações directas" à organização, Angola terá produzido 1,601 milhões de barris de petróleo por dia em Outubro, enquanto a Nigéria chegou aos 1,663 milhões de barris.

O documento acrescenta igualmente informação sobre as compras de petróleo pela China, neste caso no mês de Setembro, com Angola a manter-se entre os principais fornecedores, com uma quota de 13%, atrás da Rússia (17%) e à frente da Arábia Saudita (12%).

Angola enfrenta desde final de 2014 uma profunda crise económica, financeira e cambial decorrente da forte quebra nas receitas petrolíferas.

Em menos de dois anos, o país viu o preço do barril exportado passar de mais de 100 dólares para vendas médias, no primeiro semestre de 2016, de 36 dólares por barril, segundo dados do Ministério das Finanças de Angola.

Desde o início do ano que as vendas de petróleo angolano têm estado, em regra, acima dos 50 dólares por barril no mercado internacional, tendo entretanto ultrapassado os 60 dólares.



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