Banca só aumenta financiamento a grandes empresas
06 Agosto 2012, 12:37 por Sara Antunes | saraantunes@negocios.pt
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Os novos financiamentos da banca aumentaram 13% em Junho, quando comparado com o mês anterior. Um aumento que é justificado pelos novos créditos a empresas superiores a um milhão de euros. Famílias viram os novos financiamento diminuírem para um valor inferior a 500 milhões de euros, algo nunca visto.
A banca emprestou 4,59 mil milhões de euros, em Junho, às empresas e famílias, de acordo com os dados estatísticos divulgados esta segunda-feira pelo Banco de Portugal. Este valor corresponde a um aumento de 13,23% face a Maio e de 1,3% quando comparado com igual período do ano passado.

Deste total, 4,1 mil milhões de euros, ou 89,5%, corresponde a empréstimos realizados a empresas. Este é o maior peso alguma vez observado, segundo os dados do BdP que reportam a Janeiro de 2003.

Assim, o financiamento às empresas cresceu 17,34% em termos mensais e 13,74% em termos homólogos. Uma evolução que é explicada pelos financiamentos feitos a grandes empresas. Estas viram os novos créditos aumentar em mais de 41%, em termos mensais, para um total de 2,49 mil milhões de euros.

Já os financiamentos até um milhão de euros caíram 7,1% para 1,62 mil milhões de euros. Em termos homólogos a queda é de 11,48%.

Famílias com o menor financiamento de sempre

Os novos créditos às famílias estão em mínimos de, pelo menos, Janeiro de 2003 que é o registo mais antigo divulgado pelo BdP.

No total, a banca concedeu 481 milhões de euros em novos créditos para os particulares, o que representa uma descida de 12,86% face a Maio e de 47,60% quando comparado com igual período do ano passado.

Este valor espelha bem a realidade da concessão de crédito em Portugal. Entre o final de 2003 e meados de 2008, só os novos financiamentso para a compra de casa superavam os mil milhões de euros. Nessa altura, os empréstimos às famílias eram superiores a dois mil milhões de euros por mês.

Mas isso foi antes da crise financeira assolar os mercados e ter dado origem a uma crise de dívida na Europa. O que provocou o pedido de intervenção externa em Portugal, dando origem ao fecho dos mercados para a banca nacional. E isso tem-se reflectido na concessão de crédito. Os bancos dificultam o acesso ao crédito, porque eles próprios têm dificuldade em o obter.

Por outro lado, a procura de financiamento por parte das famílias também tende a diminuir, numa altura de grande incerteza económica, com uma taxa de desemprego acima dos 15%, pela primeira vez na história, com aumento de impostos e redução de rendimentos por parte de muitas famílias, nomeadamente dos funcionários públicos.

Assim, as famílias conseguiram financiar-se em 156 milhões de euros para comprar casa, em 161 milhões de euros para consumo e em 164 milhões para outros fins.
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