Mercados Bancos cortam nas isenções das contas-ordenado

Bancos cortam nas isenções das contas-ordenado

Dos cinco grandes bancos, já só BPI e CGD mantêm isenções para quem domiciliar o ordenado. Os outros associam um conjunto de serviços, mediante o pagamento de um valor mensal que oscila entre 3,00 e 5,5 euros.
Bancos cortam nas isenções das contas-ordenado
Bruno Simão
Patrícia Abreu 18 de abril de 2017 às 00:01
Domiciliar o ordenado no banco já não é sinónimo de custos zero. São cada vez menos os bancos que garantem isenção de comissões de manutenção nas chamadas conta-ordenado. Em vez de garantirem contas sem custos, os bancos estão a optar por associar um conjunto de serviços em troca do pagamento de um valor mensal que ronda os cinco euros.

Receber o ordenado através do banco já não é garante de isenção de comissões. Com os bancos determinados em aumentar as suas receitas através do agravamento das comissões, o ordenado tem vindo a perder o seu "estatuto", com as instituições financeiras a retirarem benefícios antes dados como quase certos. Dos cinco grandes bancos, apenas BPI e CGD mantêm contas-ordenado isentas de comissões. Já BCP, Santander e Novo Banco aplicam um custo mensal, que dá acesso a um "pack" de serviços.

O Novo Banco foi o último dos grandes a deixar cair a conta-ordenado, juntando-se a outros concorrentes onde receber o ordenado no banco apenas dá acesso a contas "pack". A instituição propõe agora a conta à ordem NB 100%, com uma comissão mensal de 5,20 euros mensais (incluindo o imposto de selo), um custo que pode baixar para metade se, além do ordenado superior a 500 euros, o cliente movimentar mais de 50 euros por mês com o cartão.

Além do banco liderado por António Ramalho, o Santander e o Deutsche Bank abandonaram ao longo do último ano as suas contas-ordenado, substituindo-as por contas que dão acesso a vários serviços, como a oferta de anuidades de cartões de débito e crédito, ou o pagamento de serviços através do débito directo. Uma forma de aliciar os clientes para manterem uma maior ligação com a instituição, apesar de retirarem a isenção geralmente associada ao ordenado.

Entre os bancos que ainda dão isenção mediante a domiciliação de ordenado, há várias instituições que colocam obstáculos a este benefício. O BCP exige pagamentos mínimos de 100 euros por mês com o cartão de débito ou crédito, ao passo que o BBVA associa a isenção de custos à domiciliação de ordenados iguais ou superiores a 1.500 euros, enquanto no Bankinter o tecto imposto para esta benesse é de 800 euros, exigindo ainda a manutenção de um cartão e o pagamento de serviços através da conta.

Entre os bancos que cobram, mesmo quando o cliente recebe o o seu salário através da instituição, o Santander apresenta o custo mais baixo. O banco aplica uma comissão mensal de 3,12 euros, para quem for titular da Super Conta Ordenado Global. Já o Deutsche Bank cobra 4,86 euros, enquanto a conta à ordem no Crédito Agrícola tem um encargo mensal de 5,20 euros, o mesmo valor exigido pelo Novo Banco. No BBVA, a comissão mensal associada à Conta Ordenado Domiciliação BBVA é de 5,72 euros.

Tudo somado, ter uma conta pode custar até perto de 70 euros por ano. Um custo que, tendo em conta as alterações feitas pelos bancos aos preçários nos últimos meses, poderá ser alvo de novos agravamentos.




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mais votado 5640533 17.04.2017

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comentários mais recentes
bazanga 19.04.2017

Sendo assim as empresas deviam ser obrigadas a não pagar por transferência bancária, pois senao o real salário da pessoa tem de descontar do custo obrigatório do banco. Ou seja, o salário liquído baixa e para quem ganha 500€ baixará 1% o que é muito.

E mais. Se uma pessoa tem crédito habitação e a conta-ordenado foi uma das condições, então não deveria ser permitido a criação de comissões não acordadas desde o início do crédito, pois isso significará que os bancos podem fazer o que quiserem, pois essas estão agarradas e isso deveria ser crime.

bazanga 19.04.2017

Sendo assim as empresas deviam ser obrigadas a não pagar por transferência bancária, pois senao o real salário da pessoa tem de descontar do custo obrigatório do banco. Ou seja, o salário liquído baixa e para quem ganha 500€ baixará 1% o que é muito.

Lusitano 19.04.2017

Então querem o serviço mas não querem pagar. Eu também não quero pagar para ir ao médico e muito menos pelos serviços públicos.

É caso para dizer ... Vão mas é ao Totta

Anónimo 18.04.2017

Estão a esquecer-se do Montepio, que também segiu o mesmo caminho...!!!

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