Obrigações BCE estuda facilitar empréstimos de obrigações aos bancos. Juros sobem na Zona Euro

BCE estuda facilitar empréstimos de obrigações aos bancos. Juros sobem na Zona Euro

O BCE está a estudar formas de estimular os mercados de financiamento de curto prazo, segundo a Reuters. E esse é um dos motivos apontados para as subidas das taxas da dívida na Zona Euro esta quarta-feira.
BCE estuda facilitar empréstimos de obrigações aos bancos. Juros sobem na Zona Euro
Reuters
Rui Barroso 23 de Novembro de 2016 às 12:43

O Banco Central Europeu está a estudar várias formas de assegurar a transmissão da política monetária, sendo que os analistas antecipam que o banco central possa anunciar algumas novas medidas na reunião de 8 de Dezembro. Um dos cenários alvo de análise é o incentivo às operações de reporte, segundo a Reuters. O estudo dessa opção é apontada como uma das explicações para a subida dos juros das obrigações da Zona Euro esta quarta-feira.

De acordo com fontes citadas pela Reuters, o BCE entende que as operações de reporte são um factor essencial para garantir a transmissão da política monetária. Estas operações, conhecidas também como acordos de recompra, permitem que entidades financeiras garantam liquidez de curto prazo em troca da cedência temporária de títulos. Geralmente os activos cedidos nessas operações em troca de liquidez de curto prazo são obrigações de países com "ratings" de qualidade, caso da dívida alemã.

No entanto, com o programa de compras o BCE esvaziou o mercado de obrigações, retirando uma quantidade significativa de títulos que podem ser utilizados em operações de reporte. O banco central já comprou 1,13 biliões de euros de obrigações soberanas. Só em dívida alemã, a mais utilizada nos acordos de recompra entre instituições financeiras, adquiriu 273 mil milhões de euros.

Colocar a liquidez a circular

Para assegurar o funcionamento do mercado de operações de reporte, o BCE já possibilita o empréstimo dos títulos que compra ao abrigo do programa. "O objectivo é apoiar o mercado de obrigações e a liquidez sem limitar a actividade normal do mercado de operações de reporte", refere o banco central no seu site. Estas operações são direccionadas "principalmente aos participantes do mercado com obrigações de criação de mercado".

Mas o BCE tem regras específicas para emprestar essas obrigações, de forma a diminuir o risco de incumprimentos por parte das contrapartes, as entidades que pedem os títulos emprestados ao banco central. Há prazos específicos para os empréstimos, preços pré-definidos e penalizações para quem falhar os termos dos acordos.

Apesar da cedência desses títulos estar disponível, segundo a Reuters, no BCE existe a preocupação de que não isso não seja suficiente para impedir uma seca nos mercados de financiamento de curto prazo, que movimentam 5,5 biliões de euros, de acordo com a agência. E a entidade liderada por Mario Draghi estuda flexibilizar as regras para emprestar obrigações que venham a ser utilizadas em operações de reporte.

Algumas das soluções apontadas passam por estender os prazos em que as obrigações podem ser emprestadas e reduzir as penalizações para quem não devolver os títulos na data pré-acordada, segundo a Reuters. Uma das fontes citadas pela agência justifica essas medidas. "Se a liquidez secar haverá mais incumprimentos [no mercado de reportes] e os bancos ficarão maus cautelosos quando tiverem de assumir funções de criação de mercado". Algo que cria o risco de tensões nos mercados de financiamento de curto prazo.

De referir que a Reuters utiliza fontes não identificadas e que o BCE não fez nenhuma reacção oficial a esta informação.

Juros da dívida da Zona Euro sobem

Após a notícia da Reuters, as taxas das obrigações soberanas da Zona Euro intensificaram as subidas. A "yield" alemã a dez anos sobe 5,8 pontos base para 0,279%. A taxa italiana a dez anos agrava 11,8 pontos base para 2,142%. A espanhola escala 5,4 pontos base para 1,579%. E a portuguesa aumenta 8,2 pontos base para 3,71%.

Apesar da reapreciação global no mercado de obrigações devido à expectativa de um regresso da inflação devido às políticas de Trump, houve alguns segmentos da dívida alemã em que as taxas de juro atingiram mínimos recentemente. Foi o caso da "yield" germânica a dois anos que atingiu esta terça-feira um mínimo de -0,735%.

Uma das causas apontadas para esse desempenho foi que, perante as perspectivas de escassez desses títulos, os investidores entraram numa corrida para ficar com essas obrigações de forma a terem colateral para entregar em operações de reporte. Mas depois da notícia da Reuters, a taxa alemã a dois anos aumentou 5,3 pontos base para -0,683%. E como a dívida germânica é a referência na Zona Euro, esse movimento reflectiu-se nos títulos de outros países da união monetária.

"Algo se está a passar nos mercados de operações de reporte e podemos ver que assim que o BCE começa a falar sobre resolver estes problemas há uma reacção do mercado", referiu David Schnautz, estratego do Commerzbank, citado pela Reuters. 




A sua opinião1
Este é o seu espaço para poder comentar o nosso artigo. A sua opinião conta e nós contamos com ela.
Faltam 300 caracteres
Negócios oferece este espaço de comentário, reflexão e debate e apela aos leitores que respeitem o seu estatuto editorial, promovam a discussão construtiva e combatam o insulto. O Negócios reserva-se ao direito de editar, apagar ou mesmo modificar os comentários dos seus leitores se atentarem contra o bom senso e seriedade.O acesso a todas as funcionalidades dos comentários está limitada a leitores registados e a Assinantes.
comentar
comentários mais recentes
Criador de Touros Há 1 semana

Parece-me que esta medida ainda poderia ser mais flexível.

pub