Câmbios BCE receia subidas expressivas do euro

BCE receia subidas expressivas do euro

Na última reunião do BCE, os responsáveis do banco central mostraram-se preocupados com o risco de subidas acentuadas do euro.
BCE receia subidas expressivas do euro
Rui Barroso 17 de agosto de 2017 às 20:27
É um factor que pode dificultar a estratégia de saída dos estímulos por parte do BCE. Nos relatos da última reunião do banco central, a 20 de Julho, os responsáveis de política monetária expressaram preocupações sobre as consequências de subidas expressivas do euro no futuro.
"Em relação às taxas de câmbio, apesar de ter sido sublinhado que a valorização do euro até à data pode ser, em parte um reflexo das alterações nos fundamentais da Zona Euro em relação ao resto do mundo, foram expressadas preocupações sobre o risco da taxa de câmbio ter aumentos significativos no futuro", revelam os relatos.

A moeda única acumula uma valorização de mais de 11% face ao dólar desde o início do ano.  E isso é mais um factor que pode dificultar a recuperação da inflação não suba para os níveis desejados pelo BCE, de perto mais abaixo de 2%.  Os responsáveis do banco central admitem que os valores da inflação no curto prazo possam ser ainda mais baixos que o anteriormente previsto.  Em parte, devido à subida do euro.

 "No curto prazo espera-se que a inflação permaneça aos níveis actuais, apesar de ligeiramente mais baixa que o esperado anteriormente, devido principalmente aos desenvolvimentos recentes nos preços do petróleo e nas taxas de câmbio", referem os relatos. A taxa de inflação foi de 1,3% em Junho, abaixo de 1,4% em Maio e de 1,9% em Abril.

Os economistas da Algebris Investments referem que "segundo um estudo do BCE, uma desvalorização de 1% do euro aumenta a taxa de inflação entre 0,02 e 0,11 pontos percentuais após um ano e entre 0,12 a 0,25 pontos percentuais em três anos". E salientam, numa nota, que "desde as eleições francesas, o euro apreciou 8% face a um cabaz de moedas e 10% em relação ao dólar. Isso pode em breve tornar-se um vento contrário para as exportações e para a inflação".

Em reacção aos relatos, o euro desceu 0,21% para 1,1742 dólares e as taxas das obrigações europeias desceram. Mas Florian Hense considerou que as preocupações expressas pelo BCE não foram com o nível actual do euro, mas sim com o risco de, no futuro, ter subidas expressivas. Até porque, defende o economista do Berenberg numa nota, o BCE salientou que a subida do euro foi explicada pelo próprio banco central com a melhoria da economia da Zona Euro. Ou seja, "está a subir pelas boas razões", defende.

Os relatos não deixaram pistas sobre o "timing" do fim do programa de compras. Em Julho, Draghi não deu detalhes, adiando as decisões para o Outono.



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