Obrigações BCE acelera compras de dívida portuguesa para mais de mil milhões

BCE acelera compras de dívida portuguesa para mais de mil milhões

As compras de obrigações portuguesas por parte do BCE recuperaram em Setembro, mas continuam abaixo do ritmo registado antes de Julho.
BCE acelera compras de dívida portuguesa para mais de mil milhões
Rui Barroso 04 de Outubro de 2016 às 15:13

O BCE acelerou as compras de dívida portuguesa ao abrigo do programa de compras de títulos do sector público. Em Setembro, Frankfurt comprou obrigações portuguesas com um valor nominal de 1.022 milhões de euros, segundo dados divulgados pela entidade liderada por Mario Draghi esta terça-feira, 4 de Outubro.

Em Julho e Agosto, o ritmo das compras do BCE tinha travado a fundo. No caso das obrigações portuguesas, Frankfurt fez aquisições de 958 milhões e 722 milhões de euros, respectivamente, nesses meses. Apesar da recuperação em Setembro, o montante comprado está abaixo do que se verificava antes de Julho. Desde o início do ano até final de Junho, a média mensal das aquisições era de 1.320 milhões de euros.

Apesar dos meses de Verão terem menos liquidez, a desaceleração das compras em Julho e Agosto levantou questões no mercado sobre se o banco central estaria a ficar sem títulos para comprar, dado que uma das regras do programa é que o BCE não pode deter mais de 33% de uma linha de obrigações. No caso português, a restrição activa é o limite por linha", explicou recentemente Cristina Casalinho, a presidente do IGCP, entidade que gere a dívida pública.

O receio dos analistas era de que, sob as actuais regras do programa, Frankfurt poderia ficar sem títulos para comprar de forma a manter o ritmo de compras até Março de 2017 ou, ainda mais difícil, se pretendesse estender a duração do programa de compra de activos. No entanto, o Banco de Portugal, em declarações à Reuters, referiu a meio de Setembro que "a disponibilidade de dívida pública portuguesa para compras está longe de atingir o seu limite".

Compras de dívida alemã também recuperam

Além da dívida portuguesa, os bancos de investimento e gestoras de activos apontavam também para a possibilidade do BCE ter dificuldades em manter o ritmo das compras de obrigações germânicas. Isto porque outra das regras do programa de compra é que não podem ser adquiridos títulos com uma taxa de rentabilidade inferior à taxa de depósitos definida pela entidade liderada por Mario Draghi, que é actualmente de -0,40%. E uma parte significativa das obrigações alemãs transaccionam com taxas ainda mais negativas.

No entanto, em Setembro, o BCE também intensificou as compras de títulos germânicos, com aquisições de 17.188 milhões de euros. Este valor compara com os 12.368 milhões comprados em Agosto e com a média de 16.964 milhões de euros verificada entre o início de Janeiro e o final de Junho.

Dadas as limitações das compras que têm sido referidas pelos analistas, o mercado antecipava que na reunião de Setembro o BCE tivesse anunciado uma alteração às regras do programa, algo que acabaria por não se concretizar. Mario Draghi deixou tudo na mesma. Adiantou apenas que o Conselho do BCE "encarregou os comités relevantes de avaliar as opções que garantem uma boa execução do nosso programa de compra de activos".

No total, o BCE já comprou 1,07 biliões de euros em obrigações soberanas da Zona Euro. No caso português, as aquisições acumuladas totalizavam, no final de Setembro, 21.840 milhões de euros. Já as obrigações germânicas foram alvo de aquisições de 255.072 milhões de euros desde o início do programa de compras de títulos do sector público, a 9 de Março de 2015.              




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mais votado Anónimo 04.10.2016


PS ROUBA OS TRABALHADORES DO PRIVADO

FP SEMPRE A ROUBAR À GRANDE

Por que razão o cálculo da pensão da sua CGA era mais generoso do que o cálculo da pensão do regime geral?

Porquê?

Por que razão uns tinham reforma de filhos e outros reforma de enteados?

Esta discrepância logo à partida é que é razão para indignação, meu caro amigo.

A equiparação prometida é da mais elementar justiça.

Por que razão trabalha V. Exa. menos 5 horas semanais do que os trabalhadores dos sectores privados?

Pior: além de trabalhar menos horas, ainda tem direito a mais dias de férias.

Porquê?

Que razões podem justificar estes privilégios injustificáveis?

Que aritmética laboral pode justificar esta diferença entre V. Exa. e a restante população?

Que equidade pode existir aqui?

comentários mais recentes
Anónimo 04.10.2016

A Bloomberg ja noticiou que Setembro foi o pico das compras do BCE, a aprtir daqui é sempre a diminuir e Portugal ficará entregue completamente aos valores de mercado.

Anónimo 04.10.2016

ACHO QUE NAO FOI ESCOLHIDO:vao crescer menos os paises que tem os dois cabecilhas no BCE.Havera explicacao para tal fenomeno?Socialista de carteira roubada.

Anónimo 04.10.2016

E UM CONSOLO:os portugueses desta gerigouca so precisao de viver para gastar,porque trabalhar e para os estrangeiros.Pais belissimo plantado a beira mar com tudo a cair-lhes no regaco.

Anónimo 04.10.2016


FP e CGA - SEMPRE A ROUBAR À GRANDE

E não deixa de ser anedótico que o contribuinte que vê a sua reforma cada vez mais longe e mais baixa, ainda seja chamado para pagar as reformas da CGA.

Fica aqui a lista do pilim que a CGA consome ao OE (e que todos os contribuintes pagam):

Milhares de € - Pordata

Ano - Receitas CGA / Trf Orç. Estado / Despesa total
2008 - 2.298.320,0 / 3.396.097,0 / 6.705.927,0
2010 - 3.453.777,2 / 3.749.924,6 / 7.489.193,3
2012 - 2.846.863,0 / 4.214.632,7 / 7.196.785,9
2015 - 4.927.319,1 / 4.601.342,3 / 9.528.661,4

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