A autoridade monetária deverá optar por voltar a comprar obrigações soberanas com o intuito de controlar as taxas de juro no mercado secundário, em detrimento do programa de financiamento ilimitado a três, dizem os economistas.

A Bloomberg inquiriu 22 economistas durante a semana e 17 acreditam que o
Banco Central Europeu (BCE) vai acabar por se ver obrigado a continuar com o programa de compra de activos à banca.
Apenas um dos economistas consultados pela agência noticiosa defendeu que a autoridade monetária vai recorrer aos empréstimos com prazo de três bancos. Um recurso a que já acedeu por duas vezes para reforçar a liquidez da banca. Em alternativa, para reduzir o stress, o
BCE deverá comprar dívida no
mercado secundário de dívida.
"O stress do mercado vai acabar por forçar o BCE a reiniciar o programa de compra de acções", disse o analista chefe do
BNP Paribas em Londres, Ken Wattret, citado pela Bloomberg. "Obter o consenso do Conselho [do BCE] vai ser difícil", advertiu.
A última vez que a autoridade responsável pela política monetária da Zona Euro levou a cabo uma operação de financiamento da banca a três anos foi a 29 de Fevereiro. Operação em que os bancos nacionais aproveitaram 15 mil milhões de euros de um
bilião que o BCE emprestou aos bancos.
"Acumulam-se os indícios de que o programa de financiamento a três anos é bastante tóxico no longo prazo e que não está a resultar”, disse o economista chefe do Société Générale, James Nixon. "Não creio que haja outro".
Depois das últimas operações de financiamento e com o BCE a manter-se afastado do mercado secundário de obrigações há quatro semanas, os receios no mercado de dívida voltaram a surgir. Espanha viu a taxa de juro implícita nas obrigações negociadas no mercado secundário subir para 5,99% esta semana e o custo que
Itália teve de pagar num leilão de dívida a três anos, que decorreu esta semana, subiu um ponto percentual.
No dia 11 de Abril, o membro francês do BCE Benoît Coeure sinalizou que a autoridade monetária poderá voltar a comprar dívida soberana no mercado secundário.
"A crise vai forçar o BCE intervir outra vez e eu suspeito de que o comentário de Coeure serviu um pouco para testar as águas", disse o economista sénior do
ING, Carsten Brzeski, citado pela agência noticiosa Bloomberg. "A reacção demonstrou que até uma intervenção não verbal surte efeito, nesta altura", acrescentou.