Mercados BIG espera 2018 positivo nas bolsas e alerta para risco das criptomoedas

BIG espera 2018 positivo nas bolsas e alerta para risco das criptomoedas

As estimativas do BIG Research apontam para ganhos moderados nas bolsas, com a Europa a apresentar uma perspectiva mais favorável. O BCE poderá subir a taxa dos depósitos no final do ano e as criptomoedas são uma "aposta altamente arriscada".
BIG espera 2018 positivo nas bolsas e alerta para risco das criptomoedas
Reuters
Nuno Carregueiro 05 de janeiro de 2018 às 12:45

Depois das valorizações acentuadas em 2017, as bolsas deverão voltar a apresentar um comportamento positivo este ano, de acordo com as perspectivas do BIG Research.

 

No "Outlook 2018", divulgado esta sexta-feira, 5 de Janeiro, o banco revela as suas estimativas para diversas classes de activos e mercados financeiros. Antecipa uma subida de 2% no S&P500, com o cenário mais optimista a apontar para uma subida de 13% e um pessimista uma queda de 11%. Quanto ao europeu Euro Stoxx 50, as perspectivas do BIG apontam para uma valorização de 5%, que corresponde ao cenário base de um intervalo entre +15% e -5%.

 

"Em 2017 tivemos mais um ano de encarecimento do mercado accionista em termo de múltiplos de preço, mas ao contrário do ano passado, este ano também assistimos a um encarecimento em termos de yield", refere o banco de investimento, referindo que "ainda assim, o investimento nas acções continua a fazer sentido devido ao ambiente de baixíssimas taxas de juro em que vivemos actualmente".

 

Na justificação para estar mais optimista para as bolsas europeias face às norte-americanas, o BIG salienta que o dividend yield do S&P 500 está actualmente em linha com a sua mediana dos últimos 15 anos, enquanto na Europa, o dividend yield do Euro Stoxx 600 já está abaixo da sua mediana histórica mas continua bem acima das yields oferecidas pelas obrigações soberanas.

 

No mercado norte-americano o banco recomenda a aposta nas empresas de baixa capitalização (small caps), pois são "um dos activos [que] mais beneficiam com a reforma fiscal em curso no Congresso dos Estados Unidos".

 

Nas praças europeias, entre as acções "com um perfil de crescimento, que têm histórico de crescimento de receitas alto, com margens atractivas, e baixo endividamento", as apostas são a Kering, SAP e Merck kGaA.  Nos títulos que tem "perfil de rendimento, caracterizadas por rentabilidades do dividendo mais altas, margens operacionais estáveis, e negócios mais maduros, as apostas são a BASF, Michelin e AXA.

 

BCE pode subir taxa de depósitos

 

Na política monetária, o BIG aponta para medidas de normalização da política monetária do Banco Central Europeu este ano, estimando mesmo numa subida da taxa dos depósitos, que está actualmente em -0,4%, "a qual antecipa o início da trajectória ascendente" da taxa de juro de referência do BCE (actualmente em 0%) em 2019.

 

Esta perspectiva terá impacto nas taxas de juro da dívida soberana da Zona Euro, com o BIG a apontar para um aumento da taxa das bunds a 10 anos para um intervalo entre 0,6% e 1% (actualmente está abaixo de 0,5%).

 

As estimativas do BIG apontam para que o "spread" da dívida portuguesa e italiana face à alemã se situe entre 100 e 150 pontos base, o que corresponde a um nível inferior ao actual.

 

Criptomoedas são "aposta altamente arriscada"

 

No "outlook" para 2018 o BIG alerta para "os riscos envolvidos no investimento" em criptomoedas, como a Bitcoin, considerando que esta é uma "aposta altamente arriscada".

 

"As criptomoedas não são ‘activos’ regulados, as bolsas onde são negociadas são recorrentemente alvo de ataques informáticos, é largamente sabido que são usadas para efeitos de branqueamento de capitais, entre outros factos que fazem das criptomoedas uma aposta altamente arriscada", refere o banco.

 

Acrescenta que "existem vários motivos que ajudam a justificar as subidas das criptomoedas este ano, como a fuga de capital de países com rígidos controlos de capital, a utilização destas ‘moedas’ para pedidos de resgates de ciber-ataques, ou simplesmente a atenção mediática que tem tido. Nenhum deles é suficiente para ponderar um investimento neste tipo de ‘activos’".




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