Bolsa Bolsas americanas vivem pior semana da presidência de Trump

Bolsas americanas vivem pior semana da presidência de Trump

As bolsas norte-americanas encerraram em baixa esta sexta-feira, com os investidores a digerirem um aumento acima do esperado da criação de emprego em Janeiro nos EUA, o que intensificou a especulação de que a inflação irá aumentar e levou à continuação da escalada nos juros da dívida soberana.
Bolsas americanas vivem pior semana da presidência de Trump
Reuters
Carla Pedro 02 de fevereiro de 2018 às 21:53

As praças bolsistas em Wall Street acentuaram as perdas na última sessão da semana, com as maiores descidas percentuais da presidência de Donald Trump – eleito em Novembro de 2016 e investido a 20 de Janeiro de 2017.

 

O Dow Jones fechou a cair 2,54% (ou 665,75 pontos), para se fixar nos 25.520,96 pontos, naquele que foi o nível mais baixo desde 10 de Janeiro e a maior descida percentual desde Junho de 2016 – no dia seguinte à decisão dos britânicos de saírem da União Europeia (Brexit).

 

No cômputo semanal, o recuo do Dow foi de 4,2% – o pior desde que mergulhou 6,2% em inícios de Janeiro de 2016. Em pontos, perdeu mais de 1.100, o que não acontecia desde a semana terminada a 10 de Outubro de 2008, quando viu ‘fugirem-lhe’ 1.874 pontos, salienta a Bloomberg.

 

O Standard & Poor’s 500 seguiu a mesma tendência e recuou 2,12% para 2.762,13 pontos. Na semana, o S&P 500 perdeu 3,7%, naquela que foi a pior performance de segunda a sexta-feira desde inícios de 2016.

 

Por seu lado, o tecnológico Nasdaq Composite registou uma descida de 1,96%, para 7.240,95 pontos esta sexta-feira. No saldo de cinco sessões, registou a pior semana desde Fevereiro de 2016 ao depreciar-se 3,53%.

 

A pressionar a negociação em Wall Street esteve uma vez mais a subida dos juros das obrigações, reforçada pelos dados do mercado de trabalho nos EUA em Janeiro, que revelaram um aumento robusto dos postos de trabalho [maior criação de empregos desde 2009], bem como a continuação do movimento de subida dos salários.

 

Estes dados reforçaram a convicção de que a inflação irá subir, tal como foi avançado esta semana pela Reserva Federal, o que abre caminho a uma nova subida dos juros directores já na reunião de Março do banco central.

 

Esta perspectiva de aumento da inflação tem estado a levar a uma subida dos juros das obrigações norte-americanas, movimento que penaliza as acções. A dívida dos EUA a 10 anos superou os 2,85% pela primeira vez desde Janeiro de 2014.

 

Tecnologias em queda, com excepção da Amazon

 

Os 11 sectores representados no S&P 500 estiveram todos em território negativo, com o tecnológico a apresentar a maior queda (2,3%) – liderada pelas perdas da Microsoft, da Alphabet e da Apple.

 

A Alphabet (casa-mãe da Google) fechou a cair 5,28% para 1.119,20 dólares, depois de ter reportado ontem, depois do fecho das bolsas, resultados que desanimaram os investidores. A gigante tecnológica, que detém a Google e Youtube, registou no quarto trimestre de 2017 lucros abaixo do esperado pelos analistas.

 

A contribuir para este desempenho inferior ao esperado estiveram vários factores, como um aumento dos pagamentos aos parceiros de buscas na web, maiores despesas de marketing e problemas no YouTube que pesaram no negócio publicitário durante a época natalícia, informou a empresa liderada por Larry Page.

 

Também a Apple pressionou o sector tecnológico, fechando a recuar 4,34% para 160,50 dólares, numa altura em que os investidores se mostram preocupados com o panorama débil da fabricante de iPhones para o actual trimestre, já que se fala de uma redução da meta de produção do iPhone X.

 

Por seu lado, a Microsoft, que apresentou no dia 31 de Janeiro contas trimestrais acima do estimado, hoje negociou no vermelho e encerrou a ceder 2,63% para 91,78 dólares.

 

Amazon prestes a eclipsar Microsoft

 

A subida de 2,87% Amazon.com, animada pela subida do seu preço-alvo por parte de inúmeras casas de investimento após ter reportado ontem um forte aumento das receitas, não foi suficiente para dar a volta à performance geral do sector.

 

Mas, com este desempenho, a capitalização bolsista da Amazon está prestes a superar a da Microsoft, como salienta a Reuters.

 

Com efeito, a valorização de hoje da empresa liderada por Jeff Bezos elevou o seu "market cap" para 701 mil milhões de dólares, ameaçando eclipsar a Microsoft – que com a queda desta sexta-feira reduziu o seu valor em bolsa para 711 mil milhões de dólares.

 

O sector petrolífero também esteve a pressionar a negociação em Wall Street, com as acções da Exxon Mobil e da Chevron a descerem 5,10% e 5,57%, respectivamente, depois de ambas as empresas terem reportado lucros inferiores ao esperado no quarto trimestre.




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