Bolsa "Bomba de Trump" intensifica clima de incerteza e pressiona Wall Street

"Bomba de Trump" intensifica clima de incerteza e pressiona Wall Street

As tensões geopolíticas na Ásia e Médio Oriente prosseguem. Além do escalar de tensões na península coreana e entre os EUA e Rússia devido ao diferendo quanto à Síria, hoje houve outro dado a ser lançado no tabuleiro: o bombardeamento, pelos norte-americanos, de posições do ISIS no Afeganistão. Esta instabilidade está a penalizar as bolsas.
"Bomba de Trump" intensifica clima de incerteza e pressiona Wall Street
Reuters
Negócios 13 de abril de 2017 às 21:25

As bolsas do outro lado do Atlântico continuaram hoje a negociar no vermelho, numa altura em que os investidores preferem apostar em activos mais seguros, como o ouro.

 

O petróleo, que tem estado a ganhar com a instabilidade, acabou esta quinta-feira por ceder terreno, no mesmo dia em que a Agência Internacional de Energia salientou os esforços feitos pelos países da OPEP no corte de produção nos primeiros três meses do ano, dizendo acreditar que uma continuação dessa travagem no que resta de 2017 pode pressionar os EUA a reduzirem a oferta.

 

O Dow Jones fechou a perder 0,67% para 20.453,25 pontos, e o Standard & Poor’s 500 recuou 0,68% para 2.328,96 pontos. O tecnológico Nasdaq Composite, por seu lado, desvalorizou 0,53% para 5.805,15 pontos.

 

Com o intensificar de tensões na Ásia e Médio Oriente, investidores estão a fugir da volatilidade dos mercados accionistas e a concentrarem-se mais nos tradicionais valores-refúgio, como o ouro. Além disso, o volume de negociação bolsista está a ser menor do que o habitual, por muitos operadores estarem já a gozar as férias da Páscoa.

 

Os Estados Unidos da América lançaram hoje uma bomba GBU-43, conhecida como a "mãe de todas as bombas" no Afeganistão, numa zona onde estão grutas alegadamente ocupadas por elementos do Estado Islâmico – o que veio aumentar a incerteza nos mercados.

 

O lançamento da bomba "criou mais incerteza nas pessoas", comentou à Bloomberg um operador da NorthCoast Asset Management, Frank Ingarra. "A grande questão que se está a colocar é: vamos estar mais militarmente presentes no mundo?", acrescentou.

 

Além disso, na opinião de muitos analistas, os comentários de Donald Trump – feitos ontem numa entrevista ao The Wall Street Journal – não ajudaram. O presidente norte-americano disse que considera que o dólar está demasiado forte e, relativamente à Fed, afirmou que preferia ver os juros manterem-se em níveis baixos.

 

"As declarações em favor de taxas de juro mais baixas e de um dólar mais fraco não ajudaram", sublinhou à Bloomberg um gestor de activos da Themis Trading, Mark Kepner.

 

Entretanto, a banca norte-americana já começou a divulgar os resultados do primeiro trimestre. O pontapé de saída foi dado hoje com as contas do Citigroup, JPMorgan Chase e Wells Fargo.

 

JPMorgan e o Citigroup registaram um aumento de 17% dos lucros nos primeiros três meses deste ano comparativamente com o período homólogo. Em sentido inverso, o Wells Fargo, o terceiro maior banco americano em activos, registou uma ligeira quebra de 0,6% dos lucros no primeiro trimestre, o que se ficou a dever à quebra nas receitas e ao aumento dos custos da instituição.

 

Amanhã, Sexta-feira Santa, os mercados estarão encerrados, bem como na próxima segunda-feira (onde a chamada Pascuela é celebrada em muitos pontos).




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