Bolsa BPI faz emissão de dívida de 300 milhões para respeitar exigências do BCE

BPI faz emissão de dívida de 300 milhões para respeitar exigências do BCE

O CaixaBank fez um acordo para adquirir todos os títulos de dívida subordinada que o BPI vai fazer para compor os seus rácios de capital. As obrigações, que serão emitidas no Luxemburgo, terão uma taxa de 5,74% a somar à Euribor a seis meses.
BPI faz emissão de dívida de 300 milhões para respeitar exigências do BCE
Miguel Baltazar
Diogo Cavaleiro 17 de março de 2017 às 20:01

O BPI vai fazer, na próxima quarta-feira, uma emissão de dívida subordinada de 300 milhões de euros. O seu dono, o CaixaBank, compromete-se a comprar todos os títulos. O objectivo é cumprir as exigências de capital determinadas pelo Banco Central Europeu (BCE).

 

Segundo um comunicado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), a administração ainda presidida por Artur Santos Silva e Fernando Ulrich decidiu "efectuar uma emissão" de 300 milhões de euros de obrigações subordinadas. A operação vai decorrer no Luxemburgo, onde também a Caixa Geral de Depósitos vai realizar a emissão de dívida perpétua de 500 milhões. Após a emissão, as obrigações são admitidas à negociação pela Euronext Lisbon. 

 

Enquanto o banco público terá de procurar investidores interessados na sua dívida, o BPI já tem um subscritor para cada uma das obrigações subordinadas: o CaixaBank. Os 300 milhões de euros são acima dos 225 milhões que Fernando Ulrich tinha admitido em Fevereiro, aquando da conclusão da oferta pública de aquisição dos catalães.

 

Além da autorização para a operação que já tinha sido anunciada, o conselho de administração do banco privado acordou que o principal accionista, o grupo catalão com 84,5% do seu capital, a "integral subscrição" da emissão. Na prática, o CaixaBank empresta 300 milhões ao BPI que serão reembolsadas dentro de dez anos acrescidas de juros. 

 

Taxa de 5,74% mais Euribor a seis meses

 

Cada uma das obrigações está avaliada em 100 mil euros. Os juros, que se contam desde a emissão e até 23 de Março de 2027, terão uma taxa igual a 5,74% mais a taxa Euribor a seis meses. Esta sexta-feira, a taxa foi fixada em 0,241%, pelo que o juro estará, nesta altura, em torno de 5,5%.

 

Em Janeiro, no prospecto da OPA sobre o banco português, o CaixaBank estimava que o BPI tivesse de pagar uma taxa de 8% a 10%. Contudo, o preço baixou, até porque o accionista compromete-se a ficar com os títulos. E o valor necessário agora é inferior: a colocação prevista era de 350 milhões. 

O conselho fiscal do BPI deu o parecer favorável à operação e houve um auditor independente, não identificado pelo BPI, que considerou que as condições de definição do preço "se encontram dentro do intervalo do que são as actuais condições de mercado".

 

Como referido, a emissão ocorre na próxima quarta-feira, 24 de Março de 2017, sendo que a maturidade será no mesmo dia de 2027. O reembolso antecipado pode começar a ser feito a 24 de Março de 2022.

 

Emissão permite cumprir rácio do BCE

 

Esta emissão de obrigações é realizada para que o BPI cumpra o rácio de capital total. No comunicado ao regulador do mercado de capitais nacional, o banco, que passará a ter Pablo Forero como presidente executivo na assembleia-geral prevista para 26 de Abril, indica quais os requisitos que cumprirá com a emissão.

 

O impacto desta operação no rácio de capital mais exigente, o Common Equity Tier 1, que mede o peso do melhor capital no banco, é reduzido. Em vez dos 11% de CET1 que, tendo já em conta as regras de 2017 e incluindo a venda de 2% do Banco de Fomento Angola (BFA), o BPI teve em Dezembro de 2016, ficaria em 11,4%. O banco tem de ter 9,25% de CET1, segundo as exigências europeias.

 

Já no rácio de capital total, que avalia o peso não só do CET1 mas também de outro tipo de fundos da instituição, a emissão é mais significativa: este indicador sobe de 11% para 12,8%. Só assim o banco consegue cumprir o requisito mínimo para 2017  que, no âmbito da avaliação individual feita pelo BCE, tem de ser de 11,75% de rácio capital total. 







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comentários mais recentes
Anónimo Há 1 semana

"O BPI vai fazer, na próxima quarta-feira, uma emissão de dívida subordinada de 300 milhões de euros. O seu dono, o CaixaBank, compromete-se a comprar todos os títulos"

Aqui já não existe risco de contaminação? Só quando uma Associação, efetua aumento de capital e que existe risco! BdP onde anda?

pertinaz Há 1 semana

E PORTUGAL???

S&P has raised Republic of Iceland Ratings to 'A/A-1' on lifting of capital controls. Outlook is stable.

pertinaz Há 1 semana

presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, afirmou este sábado que o encerramento de balcões da Caixa Geral de Depósitos (CGD) é de um "cinismo atroz" por parte dos socialistas, comunistas e bloquistas.

"No meu tempo, ele [banco] era público e essas agências existiam, porque é que agora têm de encerrar, agora que o banco tem de ser defendido como um banco público apoiado por comunistas, bloquistas e socialistas. Isto é de um cinismo atroz", disse, durante um almoço das mulheres sociais-democratas do distrito do Porto, realizado em Ermesinde.

Passos Coelho lembrou que o presidente da CGD veio dizer que, por causa do plano de restruturação, que não há "nenhuma razão" para que a Caixa tenha balcões em partes do território nacional onde os outros bancos não têm, questionando se o facto de a Caixa ser pública não pressupõe "até certo ponto" um nível de serviço público.

"Se a ideia é que não vale a pena estar onde os outros também não estão, como é que eles sustentam a ideia de que o banco deva ser público. Há de ser público porquê?", questionou.

O social-democrata entendeu que se o Estado Português quer ter um banco público não pode deixar de observar as regras da concorrência, mas daí a dizer que tem de funcionar como um banco privado "desautoriza" quem entende que ele deva ser público.

"A segunda coisa é como é que é possível que para manter o banco público haja uma emissão de obrigações perpétuas, ou seja, os privados vão comprar obrigações, que é como quem diz vão emprestar dinheiro à Caixa para sempre (...) se isto não é começar uma privatização da Caixa, o que seria", sustentou.

Pedro Passos Coelho ressalvou que "há qualquer coisa de errado neste processo de privatização" porque aqueles que vão emprestar dinheiro à Caixa vão receber um juro superior, um retorno maior do que aquele que o Estado Português lá vai meter.

"Como é que os bloquistas, socialistas e comunistas justificam que a caixa esteja a pagar mais dinheiro aos capitalistas pelo dinheiro que recebe emprestado do que ao Estado que põem lá dinheiro dos contribuintes", frisou.

Desta forma, o líder do PSD entendeu que "caiu a máscara da ilusão" porque aquilo que se diz não é aquilo que se faz, sublinhando que o Governo tem prestado um "mau serviço" a Portugal.

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