Research BPI: Navigator pode distribuir dividendo extraordinário após a venda do negócio de pellets

BPI: Navigator pode distribuir dividendo extraordinário após a venda do negócio de pellets

O BPI admite que a Navigator distribua um dividendo extraordinário pelos seus accionistas com o dinheiro que vai encaixar com a venda do negócio de granulados de madeira nos Estados Unidos.
BPI: Navigator pode distribuir dividendo extraordinário após a venda do negócio de pellets
Miguel Baltazar/Negócios
Sara Antunes 02 de janeiro de 2018 às 11:54

A Navigator anunciou um acordo para a venda do seu negócio de granulados de madeira (pellets), nos Estados Unidos. A venda deverá estar concluída no primeiro semestre de 2018, de acordo com a informação prestada pela ex-Portucel.

 

No comunicado que emitiu na última sexta-feira, 29 de Dezembro, a empresa não revelou os montantes financeiros envolvidos na operação. Ainda assim, o BPI acredita que, uma vez que a Navigator não tem pressão para vender activos, pois não tem necessidades de financiamento próximas, não terá vendido a operação a um preço baixo. E acredita que o encaixe terá essencialmente dois destinos: "impulsionar um novo plano de negócios" e distribuição de um dividendo extraordinário.

 

"Não foram divulgados detalhes financeiros, o que invalida uma análise mais detalhada sobre o impacto desta operação", salientam os analistas do BPI numa nota de análise publicada esta terça-feira, 2 de Janeiro, a que o Negócios teve acesso.

 

Ainda assim, realçam os analistas, "a empresa não tem constrangimentos financeiros (não tem necessidades de refinanciamento até 2020 e tem uma dívida líquida sobre o EBITDA de 2017 de 1,7 vezes), pelo que não acreditamos que a Navigator tenha feito uma venda pressionada". Ou seja, os analistas acreditam que este negócio não foi feito a um preço baixo, já que a Navigator não está pressionada a vender activos.

 

No comunicado emitido, a Navigator referia que teve "uma oportunidade financeiramente atractiva de desinvestimento".

 

O BPI dá como "referência o total de capex destes activos, que atingiu os 116 milhões de dólares", tendo o projecto sido concluído no segundo semestre de 2016.

 

Os analistas adiantam que "este tem sido um dos principais travões na história de investimento [da Navigator], nomeadamente [no que respeita] ao racional de deter estes activos, considerando o limite das sinergias face aos restantes negócios da empresa."

 

"Recordamos que [este negócio] foi apresentado pela Navigator como um investimento com retornos acima da média, mas com a queda dos preços do petróleo, as perspectivas de retorno diminuíram e ajudaram a acelerar esta venda, na nossa opinião", sublinham.

 

"A empresa não tem novos projectos para além de 2018 e pensamos que isto pode ser usado para impulsionar um novo plano de negócios com investimentos no seu negócio ‘core’, enquanto a Navigator pode também usar parte dos rendimentos para distribuir um dividendo extraordinário. A Navigator já oferece um dividendo ‘yield’ elevado (6,6%) e isto tem sido visto como positivo para o caso de investimento", salientam os analistas.

 

As acções da Navigator estão a subir 0,33% para 4,266 euros, tendo chegado a subir no início da sessão mais de 2% para 4,358 euros.

Nota: A notícia não dispensa a consulta da nota de "research" emitida pela casa de investimento, que poderá ser pedida junto da mesma. O Negócios alerta para a possibilidade de existirem conflitos de interesse nalguns bancos de investimento em relação à cotada analisada, como participações no seu capital. Para tomar decisões de investimento deverá consultar a nota de "research" na íntegra e informar-se junto do seu intermediário financeiro. 




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