Mercados BPI: "EDP pode ser uma armadilha de valor"

BPI: "EDP pode ser uma armadilha de valor"

Os analistas receberam os resultados da EDP mas alguns dizem-se preocupados com o endividamento. A cotada pode estar "sobrevalorizada" e "enfrenta dois grandes desafios para 2011".
Hugo Paula 04 de março de 2011 às 10:31
Os resultados da cotada ficaram próximos do esperado pelos analistas e não deverão implicar revisões das estimativas. No entanto, diz o Banco Espírito Santo de Investimento, a eléctrica “enfrenta dois grandes desafios em 2011”.

Um deles prende-se com a liberalização do negócio, que poderá penalizar o EBITDA, segundo explicam os analistas Fernando Garcia e Felipe Echevarría. O outro desafio diz respeito a um potencial aumento dos custos de financiamento, já que a eléctrica pagou uma taxa de juro de 3,5% durante 2010 que corresponde a despesas de financiamento no valor 560 milhões de euros, enquanto poderá vir a ter de pagar 600 milhões de euros em 2011.

Em linha com a perspectiva está a nota de análise do UBS, que diz que “o endividamento tem de ser abordado”. O banco de investimento diz que, na sua perspectiva, “apesar da natureza regulada dos resultados, o endividamento é excessivo”.

O BPI Equity Research diz que a EDP tem um “excelente desempenho de preço” e negoceia a bons múltiplos, com um resultado por acção que parece “apelativo”. No entanto, ressalvam os analistas, esta pode ser uma “armadilha de valor”.

“Assumindo a EDP Renováveis ao valor de mercado, a EDP está, de facto, sobreavaliada”, conclui a nota de análise assinada pelos analistas Bruno Silva e Gonzalo Sanchez-Bordona.

O Banco Espírito Santo de Investimento recomenda “comprar” para a cotada, assim como o Caixa BI e o banco suíço UBS. O BPI Equity Research tem uma recomendação de “manter” os títulos.

Os títulos da EDP depreciam 0,61% para 2,771 euros.




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jpgjpg 04.03.2011

Parabéns, "engenheiro" sucateiro Sócrates por transformar a nossa CGD, a Parpública, a Refer, a CP e o Metro (100% propriedade do Estado) em "junk". Ou seja, lixo. LIXO. Com total impunidade política. Portugal e os Portugueses empobrecidos e humilhados diariamente, graças ao ko.rrupto manipulador do "engenheiro" sucateiro Sócrates que continua 100% impune, devido à covardia de Cavaco e do PSD e à inexistência de Justiça. Portugal socrático = JUNK. Portugal socrático fede.

modestus 04.03.2011

A EDP está excessivamente alavancada, tem uma dívida líquida de 16,3 M€, quando a capitalização bolsista é actualmente de 10,2 M€. Ou seja, a dívida líquida é 160% superior ao valor da capitalização bolsista. O EBITDA em 2010 foi 3.613 milhões de euros. Ou seja, o rácio dívida líquida EBITDA é de 4,5. Existem três elementos cujos sinais de evolução merecem um seguimento atento: 1 – O esforço de investimento, supostamente gerador de EBITDA, está fortemente focalizado nas renováveis (EDPR) cujos resultados 2010 não foram propriamente fantásticos. Recorde-se que a EDPR apresentou um resultado líquido de 83 M€, em termos relativos, cerca de 7,7% do resultado líquido da EDP. Por aqui a perspectiva não é propriamente animadora. 2 – A liberalização do mercado, com a consequente abertura ibérica, trás para o lado de cá as eléctricas espanholas (IBERDROLA e ENDESA) que são maiores e experientes na lógica de funcionamento em mercado liberalizado. A EDP está actualmente e sofrer este impacto, perdendo no market share. No futuro esta situação será gravemente penalizante para a economia nacional mas só muito tarde é que a ERSE se dará conta quando se abstrair do puritanismo da modelação teórica do mercado eléctrico. O modelo real – não o teórico – do mercado eléctrico espanhol não é compatível com o nosso. Esta situação tenderá ainda a agravar-se num cenário de preços futuros de energia eléctrica elevados; 3 – O serviço de divida é extremamente elevado, cerca de 600 M€/ano. Esta situação irá conduzir à alienação de activos, tal como já foi aliás proposto pelo Dr. AM. Será interessante verificar se essa alienação de activos não conduzirá a uma interpretação penalizante do mercado sobre o plano estratégico inicialmente assumido.

1ab 04.03.2011

Só agora é que se estão a preopcupar? grandes inteligências!!!!!!

ABemDaNacao 04.03.2011

Nem foi por crescimento orgânico, foi feito comprando mercado e investindo. O capital necessário para investir também não aparece do nada, consegue-se com dívida e retirando o máximo de valor da base de Clientes, dois aspectos que no caso da EDP estão sem dúvida bem trabalhados. Esta é uma empresa num mercado que tradicionalmente tem associado a si um perfil de risco baixo e relativamente à qual, em condições normais, a variação das taxas de juros exigidas pelos mercados financeiros deveria fazer variar marginalmente o custo do serviço da dívida. Mas este pressuposto é apenas válido para condições normais, porque se a Empresa exagerou na alavancagem, as surpresas vão sem dúvida começar a dar à costa… mas aguardemos, em breve teremos por aqui uma estrelinha que nos vai explicar tudo tintim por tintim, como se fossemos muito burros…

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