Câmbios Chegou o momento do euro brilhar

Chegou o momento do euro brilhar

As apostas do mercado financeiro na recuperação da economia por meio de medidas governamentais podem ter abrandado nos EUA, mas a jogada cruzou o Oceano Atlântico.
Chegou o momento do euro brilhar
Bloomberg 22 de junho de 2017 às 15:06

Em vez de apostar no dólar e na aceleração do crescimento dos EUA, os investidores de câmbios estão a reconhecer que talvez o período áureo da moeda americana tenha ficado para trás após três anos de força impressionante. Cada vez mais, os investidores vêem a possibilidade de o euro substituir o dólar neste mercado que movimenta 5,1 biliões de dólares.

 

À primeira vista, o euro não parece capaz de ter um desempenho superior. A taxa de juros na região é negativa e o Banco Central Europeu compra títulos de dívida todos os meses para sustentar os preços dos activos e a economia. Mas com a diminuição dos riscos políticos, a recuperação da actividade e a perspectiva de retirada de estímulos no horizonte (da mesma forma que se esperava para os EUA em 2014), o euro pode iniciar uma fase de apreciação de vários anos, como ocorreu com o dólar.

 

"Houve uma mudança completa quando se pensa no optimismo total desde a eleição nos EUA, quando todo mundo estava optimista em relação ao dólar, optimista em relação à situação política e optimista em relação ao ciclo" económico, afirma David Bloom, estratega-chefe cambial do HSBC Holdings, em entrevista à Bloomberg. "Hoje esta é a atitude da Europa e não dos EUA."

 

O HSBC não é o único com esta visão. Neste trimestre, os investidores têm mostrado grande preferência pelo euro, que se valorizou em relação a praticamente todas as moedas importantes, o que não ocorria desde 2013. Já o dólar recuou em relação à maioria.

 

Analistas questionados pela Bloomberg estão a ajustar as suas projecções para acompanhar o avanço do euro neste ano. A moeda única já apreciou 6% desde o início de 2017, após um tombo de 6,4% no último trimestre do ano passado, quando o tom era dado pela confiança nas promessas de medidas pró-crescimento do presidente americano Donald Trump.

 

"Algo parecido pode acontecer com o euro", disse Thomas Flury, responsável da área cambial do UBS Wealth Management, em Zurique. "Particularmente quando o BCE for pressionado a encerrar o alívio quantitativo porque a economia está demasiado forte, quando se trata do superavit comercial da indústria e do sentimento dos consumidores para justificar uma extensão do programa."

 

Trajectórias divergentes

Por ser o par de moedas mais negociado do mundo, a aposta na alta do euro em relação ao dólar pode parecer óbvia. Mas talvez os investidores ganhem mais a apostar na relação de troca entre o euro e o iene, outra moeda também limitada pelas taxas de juros negativas.

 

O euro valorizou-se quase 8% em relação ao iene nos últimos dois meses, um avanço maior do que o registado por qualquer moeda importante em relação ao dólar. No mês passado, o ritmo de ajuste das estimativas dos analistas para a taxa de câmbio entre euro e iene no final do ano foi o mais rápido que já se viu. O facto de o Banco do Japão não ter mencionado o cronograma de retirada dos estímulos na semana passada empurrou a taxa de câmbio para o maior nível em 14 meses.

 

"Há menos espaço para ganhos com dólar-iene do que com euro-iene", disse Kit Juckes, estrategista de renda fixa do Société Générale. "O euro tem sido contido pelas políticas agressivas do BCE e, ao passo que o foco migra lentamente para a normalização, vai haver um salto assim que a porta se abrir."

 

Título original em inglês: Remember the Stunning Dollar Rally in 2014? It’s the Euro’s Turn




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