Trading China abala acções das mineiras

China abala acções das mineiras

O indíce FTSE All Share Mining, onde estão por exemplo os títulos da BHP Billiton, Glencore e Rio Tinto, perdeu 15% desde Fevereiro.
China abala acções das mineiras
Bloomberg
Negócios 02 de junho de 2017 às 10:05

As medidas do Governo chinês para controlar o sector bancário paralelo vão afectar ainda mais a procura por metais, no segundo semestre do ano. Uma previsão que vem ensombrar as acções das mineiras, que afundaram - mais de 4% - em Maio, pelo terceiro mês consecutivo.

De acordo com o Financial Times, o mercado das commodities está nervoso com o impacto das medidas de Pequim para restringir o crescimento do crédito, particularmente os empréstimos dos bancos a instituições não financeiras. Esta preocupação reflecte-se já no índice FTSE All Share Mining, onde estão por exemplo BHP Billiton, Glencore e Rio Tinto, que perdeu 2% Maio e 15% face a Fevereiro.


A mudança de Pequim para reduzir a dívida no sistema financeiro da China, ao emitir regras mais rígidas sobre os produtos fora do balanço, viu as taxas de empréstimos interbancários, bem como os rendimentos da dívida corporativa, aumentarem este ano. De acordo com a Bloomberg, o crédito por liquidar no país pesava 260% do PIB no final de 2016, acima dos 160% de 2008.


Os preços de metais industriais e materiais a granel, que são fundamentais para as empresas mineiras, como Rio Tinto e Glencore, têm sido escassos. Depois de atingir os 95 dólares por tonelada em Fevereiro, o preço do minério de ferro, um ingrediente-chave para o fabrico de aço, caiu 40% para 55 dólares por tonelada, enquanto o cobre ganhou apenas 2% este ano, embora a produção nas duas maiores minas de cobre do mundo tenha sido interrompida por greves e proibições de exportação.


"Estamos à espera que a actividade no sector diminua ainda mais, tendo em vista os esforços do governo para controlar o crescimento do crédito, principalmente no sector imobiliário (que usa metais intensivos)", referem os analistas da Capital Economics, citados pelo Financial Times.

O aperto das condições de crédito poderia limitar o reaproveitamento de metais, disse Nicholas Snowdon, analista da Standard Chartered, acrescentando que "todos esperavam uma fase de crédito mais apertado em 2017, mas não eram esperadas estas medidas reguladoras de aperto que o governo começou a impor".


A juntar a estas medidas de aperto na banca o ritmo de crescimento da economia chinesa continua a abrandar à medida que Pequim enceta uma transição para um modelo económico baseado no consumo interno. O Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê que o Produto Interno Bruto chinês vai crescer 6,6%, em 2018 e 6,2% em 2019 e que o abrandamento dos grandes investimentos e importações chinesa - que compra actualmente 40% dos metais e 10% do petróleo no mundo - vai afectar os preços das matérias-primas.

 

Recorde-se que no passado dia 24 de Maio a agência de notação financeira internacional Moody's cortou o rating da China, de Aa3 para A1. Esta foi a primeira vez desde 1989 que aquela agência reviu em baixa a notação da segunda maior economia do mundo. O corte foi justificado pela expectativa de riscos de potencial desaceleração ao mesmo tempo que aumenta o peso da dívida e o "fardo" para o Estado.

A queda de reservas monetárias e a capacidade das autoridades desenvolverem reformas também foi notada. A Moody’s refere ainda que há receios de que o perfil de crédito da China possa desagregar-se nos próximos anos, com a desalavancagem do sector financeiro a penalizar os objectivos de crescimento.

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