Bolsa Comentários de Trump determinam abertura negativa de Wall Street

Comentários de Trump determinam abertura negativa de Wall Street

O presidente dos EUA ameaçou paralisar o governo se o Congresso não libertar a verba necessária que as obras de construção do muro na fronteira com o México possam arrancar e admitiu que possa colocar um ponto final no NAFTA. Os investidores estão a digerir estas informações. Bolsas abrem no vermelho.
Comentários de Trump determinam abertura negativa de Wall Street
Reuters
Ana Laranjeiro 23 de agosto de 2017 às 14:41

As principais bolsas americanas arrancaram a sessão desta quarta-feira, 23 de Agosto, em terreno negativo, numa altura em que os investidores estão a digerir os comentários proferidos ontem pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O Dow Jones desce 0,33% para 21.827,52 pontos, o Nasdaq recua 0,49% para 6.266,723 pontos e o Standard & Poor’s perde 0,36% para 2.443,74 pontos.

Esta terça-feira, perante centenas de apoiantes em Phoenix (EUA), Trump apontou baterias ao Congresso e ameaçou que pode levar a que o governo fique praticamente paralisado se tiver que pressionar o Congresso a libertar financiamento para a construção do muro, de acordo com a Bloomberg.

O presidente dos Estados Unidos pediu 1,6 mil milhões de dólares para dar início à construção da barreira na fronteira. Mas este pedido surge numa altura em que o Congresso está sob pressão para aprovar alguma lei para a despesa que permita que o governo continue a funcionar com normalidade após 30 de Setembro, segundo a Bloomberg. Mas nem mesmo o partido de Trump – o Partido Republicano – está muito inclinado a lutar pelo financiamento para o muro, algo que pode custar milhares de milhões de dólares.

Este financiamento iria pesar no défice norte-americano, numa altura em que os republicanos estão a tentar encontrar formas de compensar cortes nos impostos, acrescenta a Bloomberg.

Além disso, Trump admitiu ontem a possibilidade de terminar com o NAFTA - Acordo de Comércio Livre da América do Norte – que envolve o México e o Canadá. A observação surge depois de a primeira ronda de negociações entre as partes, que decorreram no domingo, para renovar este tratado, criado em 1994, ter terminado sem colmatar as diferenças entre os três países.

"Pessoalmente, não acredito que possamos ter um acordo. Acho que provavelmente vamos acabar por terminar com o NAFTA, a determinada altura", disse Donald Trump, em Phoenix, citado pela Reuters.

Estes comentários estão a provocar um aumento dos receios dos investidores em torno da capacidade do presidente Trump em legislar e cumprir a agenda pró-crescimento prometida durante a campanha, nomeadamente os cortes nos impostos e aumento dos gastos em infra-estruturas, devido aos constantes rumores que pairam sobre a Casa Branca, escreve a Reuters.  

Peter Cardillo, economista-chefe para a área de mercado da First Standard Financial, disse à Reuters que os comentários sobre o NAFTA podem pesar nos mercados uma vez que levanta novamente a questão de uma guerra comercial. "Podemos ter um corte nos impostos, mas se tivermos uma guerra comercial, isso vai ter impacto no crescimento económico", acrescentou.

Além disso, esta evolução tem lugar numa altura em que o mercado aguarda pelo arranque da conferência de Jackson Hole para ouvir nomeadamente Janet Yellen e tentar encontrar pistas sobre a evolução da política monetário nos EUA.

Nas tecnologias, a Microsoft desce 0,21% para 73,005 dólares, a Apple recua 0,22% para 159,43 dólares, o Facebook  perde 0,29% para 169,14 dólares e a Alphabet (dona da Google) desvaloriza 0,25% para 938,048 dólares.

No sector financeiro, o Goldman Sachs desce 0,42% para 222,63 dólares e o JPMorgan desvaloriza 0,37% para  91,22 dólares.




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