Obrigações Commerzbank: Desempenho da dívida portuguesa "é notável mas ainda existem riscos”

Commerzbank: Desempenho da dívida portuguesa "é notável mas ainda existem riscos”

O banco alemão destacou pela positiva a evolução das taxas das obrigações portuguesas nas últimas semanas. Mas alerta para os riscos que a economia portuguesa atravessa e não antecipa melhorias de “rating” em breve.
Commerzbank: Desempenho da dívida portuguesa "é notável mas ainda existem riscos”
Reuters
Rui Barroso 11 de maio de 2017 às 20:55

A evolução nas últimas semanas das obrigações portuguesas é "notável" e "encorajadora", consideram os analistas do Commerzbank. Mas apesar desses sinais positivos, os especialistas do banco alemão dizem que "ainda é demasiado cedo" para dar alta à economia portuguesa.

Numa nota a investidores divulgada esta quinta-feira, o Commerzbank realça que o desempenho das obrigações portuguesas tem sido "impressionante", tendo em conta as travagens cada vez maiores das compras do BCE. Em Abril, essas compras ficaram pouco acima de 500 milhões de euros. No ano passado houve meses em que o Eurosistema comprou 1.400 milhões em dívida portuguesa.

"O prémio de risco das obrigações portuguesas a dez anos em relação às obrigações alemãs caiu quase 100 pontos base desde o pico de Fevereiro. Isto é notável e encorajador já que ocorre numa altura em que o BCE está a reduzir as compras porque está perto do limite de 33% por emitente", refere o banco alemão.

Portugal continua "vulnerável"

Apesar de ficar impressionado com o desempenho da dívida portuguesa no mercado, o Commerzbank considera que "é demasiado cedo" para deixar de se ser cauteloso com Portugal. Reconhece que apesar de dados melhor que o esperado, como o crescimento no segundo semestre do ano passado e da redução do défice, o País continua "vulnerável".

"Concluímos que Portugal ainda não está fora de perigo, apesar de algumas surpresas positivas", defende o banco. Acrescenta que o "País está a beneficiar actualmente – tal como toda a Zona Euro – de uma economia global mais forte". Mas considera que "o elevado nível de dívida privada e pública apenas é sustentável graças à política monetária ultra-expansionista do BCE".

E avisa: "Se um (ou mesmo ambos) daqueles factores forem retirados da equação, os problemas substanciais que o País ainda atravessa deverão tornar-se novamente mais evidentes. Em particular, poderemos ver o ainda muito elevado rácio de dívida pública subir em resultado disso, o que poderia rapidamente perturbar os investidores".

"Rating" não vai melhorar tão cedo

Ainda assim, apesar dos riscos que enumera para a economia portuguesa, o Commerzbank considera que a recente descida dos juros é justificada, "devido aos dados melhor que o esperado". Mas tem dúvidas que a partir deste ponto possam existir mais progressos. A começar por reduções adicionais do défice.

"O Governo reclamou a redução do défice de 4,5% para 2% como um do seus grandes feitos, já que poucos acreditariam que o conseguisse. Mas 1,4 pontos percentuais, quase metade desta redução, foi devido ao efeito do défice de 2015 ter sido inflacionado pela recapitalização do Banif", refere o Commerzbank.

E expressa dúvidas sobre as metas do Governo para 2017 e 2018: "Como o investimento de longo prazo não pode (nem deve) ficar no nível baixo de 2016, não se pode falar de uma consolidação sustentada das finanças públicas no ano passado. Com o investimento a aumentar e a despesa com juros a deixar de baixar, será difícil empurrar o défice para 1,5% este ano e 1% em 2018".

Assim, antecipa que "o rácio de dívida de 130% desça apenas de forma lenta". Factor que poderá levar a que as agências de "rating" ainda demorem tempo a colocar Portugal em grau de investimento. "As maiores agências de 'rating' (Moody’s, S&P e Fitch) ainda avaliam o País em nível de subinvestimento, o que reduz significativamente o círculo de potenciais investidores. E é improvável que estas agências melhorem os "ratings" antes de 2018", antecipa o banco.

E ressalva que para o fazerem "o défice orçamental tem de facto de ter reduções adicionais, o rácio de dívida retomar uma clara tendência de descida e a perspectiva económica continuar positiva". 




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mais votado Anónimo 12.05.2017

Especulação pura feita por especuladores treinados na arte de especular nas suas salas de trading especulativo. É uma janela de oportunidade que se abre para eles ganharem muitos milhões. Não garante absolutamente nada em termos de sustentabilidade da dívida lusa ou em termos de futuro da economia portuguesa e da sua população, para as quais de resto estes especuladores se estão literalmente a marimbar.

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Anónimo 12.05.2017

Especulação pura feita por especuladores treinados na arte de especular nas suas salas de trading especulativo. É uma janela de oportunidade que se abre para eles ganharem muitos milhões. Não garante absolutamente nada em termos de sustentabilidade da dívida lusa ou em termos de futuro da economia portuguesa e da sua população, para as quais de resto estes especuladores se estão literalmente a marimbar.

Anónimo 12.05.2017

Vamos ouvir excelentes elogios ao governo e à dívida portuguesa por parte de todas aquelas instituições que já aplicaram o dinheiro na dívida que Portugal emite. De outras instituições, que não estão a especular com a nossa dívida, os avisos e recomendações continuam enquanto se justificar. Os que já investiram têm meios ao seu dispor para especular propagandeando, tendo também muito a ganhar com o número de prestidigitação do governo das esquerdas, e agora só vão emitir comunicados favoráveis a dizer maravilhas da dívida portuguesa emitida pelas autoridades e até da genialidade do governo em funções enquanto não venderem com mais valias. Querem espalhar confiança nas políticas que nós sabemos serem erradas do governo socialista e pressionar os juros para baixo, ou seja, querem o valor dos títulos a ir para cima para venderem antes de se começar a falar novamente no novo resgate à República Portuguesa. Há muito dinheiro a ganhar com o hipotecar do futuro dos portugueses. Siga a festa.

Ó Valha-nos Santa Ingrácia . . . . 11.05.2017

Os xxuxxas descobriram a pólvora

DJ viajante 11.05.2017

É o que digo enganam esses famosos 62% de iletrados mas mais ninguém. Recebem elogios, tanto este governo quanto o anteror mas o futuro parece sombrio pela simples falta de ação, de reformas. Não esquecer que isto tudo com o apoio do nosso "grande" Presidente, que não mais é um PR fraco, incapaz de dizer as coisas como são e sempre a encostar-se a mediocridade. Não gostaria de ser seu aluno, pois rege por baixo.

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