Mercados Como Clinton e Trump podem fazer mexer com os mercados

Como Clinton e Trump podem fazer mexer com os mercados

Bolsas, mercado cambial, mercados emergentes e matérias-primas. O desfecho da eleição presidencial nos EUA poderá ter consequências bem diferentes para esses activos.
Como Clinton e Trump podem fazer mexer com os mercados
Reuters
Rui Barroso 08 de novembro de 2016 às 11:00

Clinton ou Trump? Os americanos decidem esta terça-feira quem será o próximo inquilino da Casa Branca. E se as eleições nos EUA estão sempre sob o foco dos investidores, desta vez o escrutínio aparenta ser maior, dada a incerteza que, segundo os analistas, uma vitória de Trump poderia trazer para os mercados.

"As eleições presidenciais nos EUA apresentam um elemento de incerteza e terão possivelmente diferentes implicações para os mercados financeiros, quer o desfecho sinalize continuidade (Clinton) ou se definir um novo e menos previsível caminho político (Trump)", referem os especialistas da Pioneer Investments. Mas quais poderão ser as consequências do desfecho das eleições nos mercados?

Bolsas suspiram por Clinton


Para os analistas do Société Générale, caso Clinton vença "deverá haver uma recuperação de alívio nas acções dos EUA". Uma das tácticas do banco de investimento é privilegiar as acções em detrimento das obrigações caso a candidata democrata vença as eleições. No entanto, no cenário menos provável, em que além da vitória de Clinton os democratas consigam também passar a controlar o Congresso, os sectores bancário e farmacêutico poderiam ficar sob pressão, dadas as promessas de Clinton em aumentar a regulação.

Os especialistas da gestora Amundi referem que a "nível sectorial, uma vitória de Hillary Clinton teria consequências potencialmente positivas para as renováveis e para a construção; a candidata prometeu quase 275 mil milhões de dólares em projectos de infra-estruturas".

Já uma vitória de Trump seria para os mercados accionistas "vista como um grande factor de risco", refere o Natixis. O banco de investimento francês refere que neste cenário, as acções dos EUA perderiam o prémio que historicamente têm em relação aos títulos europeus. Por seu lado o Société Générale recomenda que se Trump chegar à Casa Branca o melhor é trocar as acções por obrigações. Mas diverge da visão de que as acções dos EUA seriam as mais prejudicadas. "O mercado dos EUA sempre provou ser mais resistente em tempos complicados", defende o banco de investimento.

Apesar de a visão mais consensual ser a de que Trump traria incerteza e volatilidade às bolsas, a Amundi refere que poderia haver sectores a beneficiar. "Uma vitória de Donald Trump, que supostamente resultaria numa diminuição da regulação, beneficiaria a indústria de carvão, o sector financeiro e as farmacêuticas".

Tornar o dólar forte novamente?

Dada a incerteza que os analistas referem que uma eleição de Trump poderia trazer, a vitória de Clinton permitiria à Reserva Federal dos EUA ter um caminho mais fácil no processo de normalização das taxas de juro. "O foco regressaria para uma potencial subida dos juros por parte da Fed em Dezembro, com o dólar a prosseguir a sua subida face ao euro e ao iene", antevê o Société Générale.

Já uma vitória de Trump levaria, segundo o banco de investimento, os investidores a procurarem activos-refúgio. No mercado cambial isso significaria privilegiar divisas vistas como defensivas, casos do euro, iene e franco.


Emergentes entre o muro e abertura

Os activos de países emergentes são encarados como dos mais sensíveis às eleições nos EUA. E a retórica mais proteccionista de Donald Trump poderá causar mossa em alguns destes mercados. Nesse cenário "existem riscos claros de uma política de comércio internacional mais agressiva que deverá atingir fortemente os mercados emergentes, especialmente aqueles com uma elevada exposição aos EUA, nomeadamente o México e a Coreia do Sul", refere o Société Générale.

Já a vitória de Clinton será um "alívio para a ameaça de elevado proteccionismo, diminuindo a pressão nos mercados emergentes bastante expostos aos EUA", defende o banco de investimento.  

 

Ouro brilha com Trump

Uma vitória de Trump é vista como positiva para o ouro. "Existe incerteza sobre como as políticas de Donald Trump poderão afectar o preço dos activos. Isso poderá forçar os investidores a armazenarem o seu dinheiro em ouro e tirarem-no de activos mais arriscados, como as acções", explicam os especialistas da Schroders.

Apesar das ideias divergentes sobre a energia, na cotação das matérias-primas o Société Générale defende que "nenhum dos desfechos (Clinton ou Trump) teria muito impacto nos fundamentais do petróleo".

No entanto, os analistas do Natixis realçam que "caso Hillary Clinton vença a eleição presidencial, esperamos que os preços do petróleo permaneçam estáveis". Mas referem que no "médio a longo prazo vemos as suas reformas no sector da energia a começarem a ter impacto na procura já que Clinton favoreça as renováveis". Já no cenário de uma vitória de Trump, o Natixis refere que a incerteza sobre as suas políticas externas, nomeadamente no Médio Oriente, poderá fazer acelerar os preços.

No caso das matérias-primas industriais, as posições mais proteccionistas de Trump poderão pressionar os preços, segundo o Société Générale. 


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