Mercados Construção e imobiliárias têm 54% do malparado

Construção e imobiliárias têm 54% do malparado

É na construção que está o maior problema do malparado para os bancos. Dívidas de cobrança duvidosa somam 4,5 mil milhões de euros.
André Veríssimo 23 de Abril de 2012 às 12:36
O montante de crédito em cobrança duvidosa das construtoras atingiu em Fevereiro os 3.000 milhões de euros. Em cada mil euros de empréstimo, 134 estão em incumprimento. É o sector com a taxa mais alta, de mão dada com a promoção imobiliária. Juntas, as duas actividades são responsáveis por mais de metade do malparado das empresas.

Os bancos tinham, no final de Fevereiro, 13,15 mil milhões de euros de crédito malparado de empresas e famílias no balanço. Este valor representa 5,21% do total de empréstimos, um novo recorde desde que o Banco de Portugal começou a reunir os dados, em 1998. As empresas são responsáveis por perto de dois terços do valor, com mais de oito mil milhões de euros por pagar. A situação mais grave está na construção.

O montante do malparado no sector atingiu pela primeira vez os 3.079 mil milhões ou 13,4% do total dos empréstimos. Na promoção imobiliária há já 1.419 milhões em incumprimento, com o peso a chegar aos 9,3%. Ao todo são 4.500 milhões de euros, que equivalem a 54% do crédito em cobrança duvidosa das empresas.

Os outros sectores com níveis mais elevados de incumprimento são o comércio grossista e a retalho (8,97%) e a indústria transformadora (7,15%). Seguem-se as industrias extractivas (6,3%) e a restauração (6,2%).

O incumprimento deverá aumentar, já que os bancos têm ordens para travar o refinanciamento de empréstimos a quem já não tem condições para os pagar. De acordo com o último relatório de avaliação do FMI, o Banco de Portugal vai obrigar os bancos a não renovarem estes créditos.

A concessão de empréstimos às empresas aumentou 9,5% em Fevereiro, face ao mesmo mês do ano passado, para 3.468 milhões, embora o crescimento seja explicado sobretudo pelos créditos às grandes empresas. Já no financiamento às famílias voltaram a fixar-se novos mínimos: foram concedidos 531 milhões, metade do que há um ano.

Os empréstimos de cobrança duvidosa também cresceram entre as famílias, chegando aos 3,5%. O incumprimento subiu em todos os segmentos, continuando a ser mais baixo na habitação (1,92%) e mais alto no consumo (10,59%).

(Notícia publicada inicialmente a 9 de Abril)




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comentários mais recentes
Rodriguez99 10.04.2012

Para aqueles que pensavam que o imobiliário já havia desvalorizado tudo, olhem para os mercados de capitais ainda a cair, quando eles começarem a recuperar, faltará mais de uma década para que o imobiliário possa recuperar.
Acordem....
Para a Banca, estejam atentos pois quanto mais dinheiro emprestarem para o imobiliário mais irão contribuir para artificialmente mater o paciente vivo, sendo que o destino é a morte independentemente do que façam.

jpalves 10.04.2012

Acabou a bebedeira começou a ressaaca, dura e de morte para muitos. Já há 10 um iminente economista dizia que portugal a continuar assim estava numa espiral de ausência de competitividade e crescimento sustentavél, foi Michael Porter que o disse,que levaria a perda de pooder de compra e a um retrocesso civilizacional. Na altura o governo PortuguÊs encomendou-lhe um estudo sobre a economia e caminhos a seguir, está lá tudo, no entanto nada foi feito.
Infelizmente cada pais tem os ogvernantes que merece.

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