Petróleo Corte da produção de petróleo por parte da OPEP pode terminar antes do final do ano

Corte da produção de petróleo por parte da OPEP pode terminar antes do final do ano

O acordo da OPEP e dos parceiros prevê que haja um limite à produção de petróleo até ao final deste ano. Mas esse cenário pode mudar. A subida dos preços do petróleo nos mercados está a fazer crescer a especulação de que os cortes na produção vão terminar mais cedo.
Corte da produção de petróleo por parte da OPEP pode terminar antes do final do ano
Reuters
Ana Laranjeiro 19 de janeiro de 2018 às 15:32

Vai o acordo estabelecido entre os Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) e alguns aliados, que prevê uma redução da produção de petróleo, manter-se até ao final deste ano como previsto? Esta parece ser a questão que está a pairar no mercado. Para já, não há uma resposta oficial, mas o cenário de um fim antecipado para os cortes da produção ganha cada vez mais força.

Os membros da OPEP vão reunir-se este fim-de-semana em Omã para fazerem uma avaliação à estratégia em curso e que visa atacar o excedente de oferta existente no mercado. Ainda assim, não é expectável que seja comunicado nada para já, nesse sentido, ao mercado.

Harry Tchilinguirian, líder da área de estratégia em commodity do BNP Paribas, disse à Bloomberg que "a probabilidade está a crescer" de que o acordo, que prevê uma redução da produção da matéria-prima, termine antes do final de 2018, algo que foi estabelecido no ano passado pelos produtores. As discussões sobre uma conclusão antecipada vão, provavelmente, surgir no próximo encontro da OPEP, agendado para Junho, assinalou também.

Além disso, Tchilinguirian considera que "se o Brent continuar a negociar nos 60 dólares por barril e os inventários de petróleo estiverem próximos da média de cinco anos da OPEP", o compromisso de reduzir os cortes pode perder força e os países produtores podem começar a não cumprir com esse compromisso.

Mas nem todos os analistas partilham totalmente desta visão. Bjarne Schieldrop, líder da área de análise de matérias-primas do SEB AB, defende, em declarações à Bloomberg, que "o acordo não vai terminar per si". O responsável acredita, contudo, que a Declaração de Cooperação (acordo assinado em 2016 pelos produtores para travarem a produção) vai manter-se, sofrendo, todavia, alterações para permitir que os cortes na produção sejam gradualmente menos significativos.

O discurso oficial, no entanto, aponta para que tudo fique como está. Há uma semana o ministro russo do Petróleo indicou que o encontro deste fim-de-semana poderia servir para debater mecanismos para um regresso gradual aos níveis de produção de petróleo antes do acordo ter sido alcançado, há cerca de dois anos. Dias depois, disse que este acordo ia manter-se. Entretanto, os homólogos de Alexander Novak dos Emirados Árabes Unidos, Iraque e Kuwait têm insistido que não há necessidade de alterar o acordo vigente, de acordo com a agência de informação.

Algo que está a contribuir para esta crescente especulação é a evolução dos preços do petróleo nos mercados internacionais, bem como, os dados relativos às reservas da matéria-prima. Apesar de por esta altura, os preços do petróleo estarem em queda nos mercados internacionais, desde o início do ano a cotação tem disparado e tocado em máximos de três anos.

O West Texas Intermediate recua 0,67% para 63,52 dólares por barril; desde o início do ano ganha mais de 5%. E o Brent do Mar do Norte, referência para Portugal, desvaloriza 0,58% para 68,91 dólares por barril e cresce desde 1 de Janeiro mais de 3%.

Esta sexta-feira, 19 de Janeiro, a Agência Internacional de Energia revelou, num relatório, que a produção de petróleo dos Estados Unidos vai atingir este ano um máximo desde 1970 e superar a da Arábia Saudita, segundo maior produtor mundial, e aproximar-se da da Rússia, líder mundial.

E ontem a OPEP reviu em alta as estimativas para o crescimento da oferta dos produtores rivais depois de os preços da matéria-prima terem atingido máximos de mais de três anos nos mercados internacionais.Ainda que os cortes na produção acordados pelo cartel tenham sido bem-sucedidos na redução do excedente de matéria-prima e aumento dos preços, a subida das cotações acaba por ter um efeito indesejado para a OPEP, que é estimular os rivais a aumentarem a sua própria produção, para tirarem vantagem da subida dos preços.

"O aumento dos preços do petróleo está a trazer mais oferta para o mercado, particularmente da América do Norte", afirma a OPEP, no seu relatório mensal, divulgado esta quinta-feira.

 




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