Mercados Crédito às empresas diminui 27% em quatro meses

Crédito às empresas diminui 27% em quatro meses

Há cada vez menos crédito a chegar à economia. O valor dos novos empréstimos às empresas desceu 27,76% este ano, de acordo com os dados estatísticos referentes a Abril, disponibilizados ontem pelo Banco de Portugal (BdP). Também o financiamento às famílias caiu.
Crédito às empresas diminui 27% em quatro meses
(republica notícia com dados do Boletim Estatístico do Banco de Portugal, que foi hoje divulgado)

Os bancos emprestaram 3760 milhões de euros às empresas em Abril, uma quebra de 3% em termos homólogos e 27,6% perante o último mês de 2011. O recuo este ano é mais expressivo no crédito às grandes empresas (-31%) do que nas pequenas (22%).


O financiamento às famílias totalizou 563 milhões de euros, recuando para o valor mais baixo desde Janeiro de 2003, data do início da série estatística. A variação homóloga é mais significativa na habitação, com uma queda de 67% no montante concedido.

Contas feitas, o financiamento à economia recuou 12,26% em relação ao mesmo período do ano passado. Resta perceber qual será a evolução em Maio, dado que os bancos portugueses aumentaram a captação de recursos junto do Banco Central Europeu. De acordo com os dados divulgados ontem, a exposição subiu 3,28 mil milhões para um novo recorde de 58,7 mil milhões.

Novo recorde no malparado

A diminuição na concessão de crédito não está a ser acompanhada por uma descida nos montantes do malparado. O crédito vencido das famílias e empresas superou pela primeira vez os 10 mil milhões de euros, com a recessão económica e o desemprego a contribuírem para este agravamento.

O peso do malparado nos empréstimos a particulares atingiu os 3,6% em Abril (1180 milhões de euros), chegando aos 11% no crédito ao consumo. Nas empresas, o nível de incumprimento está nos 8,06%.

O sector da construção regista a taxa mais elevada, chegando pela primeira vez aos 15%. Seguem-se as actividades imobiliárias com 10,33%. Com cinco mil milhões de euros em empréstimos vencidos, estes dois sectores são responsáveis por 56% do montante total de malparado das empresas.

Recorde-se que a economia portuguesa registou uma contracção de 2,2% no primeiro trimestre, perante o mesmo período do ano passado. O PIB deverá encolher 3,3% este ano, segundo a Comissão Europeia. A taxa de desemprego no final do primeiro trimestre era de 14,9%, a mais alta desde a adesão ao euro. Factores que deverão manter elevados os níveis do malparado.


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Povo que entra num banco sai de lá FALIDO E PENHO 21.06.2012

MADEM PASTAR OS X-ULOS DOS BANCOS e se não tiverem dinheiro NÂO SE ENDIVIDE para enriquecer os X.ULOS.

Anónimo 21.06.2012

Os Bancos portugueses andam a fazer um péssimo trabalho pois com as comissões absurdas, spreads etc etc levam a uma fuga de capitais e consequentemente de uma queda enorme no investimento, venham a um banco no estrangeiro e verão como os depósitos e tudo sto são diferentes . A banca quer dinheiro para estoirar todo em especulação/engenharia financeira

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