Mercados Crise política na Holanda: acções afundam, juros avançam. "Rating" máximo em risco?

Crise política na Holanda: acções afundam, juros avançam. "Rating" máximo em risco?

Primeiro, a impossibilidade de alcançar aprovação parlamentar para mais austeridade. Depois, o pedido de demissão do primeiro-ministro. A incerteza política está a elevar o risco dos Países Baixos. O país pode seguir-se à França e perder a notação financeira mais alta possível, alertam os analistas.
Diogo Cavaleiro 23 de abril de 2012 às 19:56
Está a Holanda em risco de perder a notação financeira máxima? A pergunta tem sido trazida para os mercados depois de o primeiro-ministro dos Países Baixos se ter demitido. Poderá a renúncia reduzir para apenas três o número de países a quem as principais agências de “rating” atribuem o triplo A?

Os sinais de perigo vieram hoje do mercado de “credit-default swaps”, instrumentos que servem de seguro contra um incumprimento da dívida. Os Países Baixos lideraram a subida dos CDS entre os países desenvolvidos. Um avanço de 13,59 pontos base para 132,72 pontos, segundo os dados compilados pela Bloomberg. É o valor mais alto deste ano.

O movimento ascendente deste título que serve de indicador de risco seguiu-se ao anúncio de demissão de Mark Rutte, o primeiro-ministro (na foto). Rutte apresentou a demissão do Executivo depois de a terceira força parlamentar, o Partido da Liberdade, ter indicado que não iria apoiar as medidas de austeridade a impor para cumprir com as regras definidas no Pacto Orçamental, como o défice orçamental máximo de 3% em 2013. Essas medidas incluíam cortes no valor de 16 mil milhões de euros. Até aqui, este partido tinha dado o aval às medidas orçamentais avançadas pela coligação minoritária formada pelo Partido Popular para a Liberdade e Democracia, de Rutte, e os democratas cristãos.

A rainha Beatriz, a quem foi apresentada a renúncia do Governo, assinalou que está a considerar a demissão, “mas pediu a todos os ministros e vice-ministros para continuarem a fazer tudo o que é necessário no interesse do reino”, avançava a declaração, citada pela agência France Press.

Incerteza pode tirar um A ao triplo A

A incerteza nos Países Baixos, numa altura em que a crise da dívida continua a pairar sobre a Zona Euro, prejudica a percepção de risco pelos investidores, tanto que uma demissão levará a eleições antecipadas.

“O risco intensificou a ideia de que os Países Baixos possam ser alvo de cortes e perder o ‘rating’ ‘AAA’”, comentou à agência Bloomberg Nick Kounis, líder de “research” macroeconómico do holandês ABN Amro Group.

Kounis não está sozinho neste receio: “Uma mudança no Governo neerlandês eleva as preocupações em torno da aprovação do orçamento e sobre a perda do triplo A”, considera a analista do Investec Bank, Elisabeth Afseth, igualmente em declarações à Bloomberg. O economista Marco Wagner, do Commerzbank, alerta para o mesmo perigo.

Neste momento, há quatro nações da Zona Euro com a notação financeira mais elevada, o chamado “Triplo A”, atribuída pelas três maiores agências de “rating”: Standard & Poor’s, Moody’s e Fitch. Além da Holanda, encontra-se a Finlândia, Alemanha e o Luxemburgo. Para a S&P, por exemplo, o “rating” máximo da Holanda já está sob revisão, o que indica que poderá haver uma descida. Uma possibilidade que ganha expressão com a actual crise política.

A notação financeira máxima indica que o país não apresenta riscos de que não irá conseguir pagar a respectiva dívida. Contudo, um corte à classificação de risco poderá significar um agravamento das rendibilidades pedidas por quem a compra, o que aumentará os custos a pagar pelo país no mercado primário (quando o Estado vende dívida directamente).

Juros sobem mais de 10 pontos base, acções afundam

Foi esse comportamento que se verificou hoje no mercado secundário, onde o Estado não intervém mas sim onde os investidores negoceiam dívida. Houve uma subida das taxas de juro implícitas das obrigações neerlandesas acima dos 10 pontos base na generalidade dos prazos. A dois anos, a rendibilidade, que ontem tinha encerrado nos 0,39%, avançou 11 pontos base (0,11 pontos percentuais) para se situar em 0,511%. Foi a subida mais acentuada desde Novembro.

Já no que diz respeito aos títulos de dívida a 10 anos, o avanço foi de 11,8 pontos base para 2,4%. O prémio de risco que os investidores pagam para comprar dívida dos Países Baixos em vez de deter obrigações alemãs – que serve igualmente como indicador de risco – disparou para um máximo de três anos.

Na bolsa, a ausência de uma certeza política também penalizou a Holanda e intensificou a indefinição sobre a Europa, já pressionada pelas eleições francesas de ontem. O índice AEX caiu 2,56% e encerrou nos 301.26 pontos. O valor mais baixo de 2012.

A seguradora ING deslizou 6,1% e terminou nos 5,23 euros. As cotadas do sector financeiro são as mais penalizadas por possíveis cortes de “rating”. Nesse sentido, também a Aegon, dona da seguradora Transamerica, caiu 6,7%, enquanto o SNS Reaal caiu 9,1%, segundo dados da Bloomberg.



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comentários mais recentes
00SEVEN 24.04.2012

Não há dúvida nenhuma que a demissão do primeiro ministro Holandês não veio ajudar nada ao problema da vitória do socialista Hollande na França

Caso Hollande venha a ganhar as eleições na segunda volta coloca a França em rota de colisão com a chanceler Merkel que não abdica do rigôr orçamental que lhe é imposto pelo "Bundestag".

Assim, perspectiva-se uma Europa ainda mais fracturada caso Hollande prevaleça, o que não é bom para Portugal e restantes periféricos.

José Seguro está enganado quando pensa que a eleição do seu amigo, em França, é benéfica para o país!

lollol 24.04.2012

paga juros de 0,5%

nem USA pagam tao pouco!!!

pois 24.04.2012

Crash bolsista mundial aproxima se , provavelmente amanha havera uma correçao para disfarcar as amarguras ..... Situaçao em frança , holanda , Espanha e mais uns bitaites sobre a Grecia tem as condiçoes necessarias para um crash ........as quedas vao ser grandes

almada negreiros 23.04.2012

AAA rocks. estes mandam os mercados plantar ... cannabis. trabalham que se desunham, garantem os direitos do povo, os políticos roubam menos do que nos outros países e ainda querem mamar na teta ??? pois simmeu bom joaquim !!! na holanda mandam os holandeses.

Que inveja... em portugal mandam os 40 ladrões, que o ali-bá-bá não os tem no sítio... mais parece o ali... pois sim meu bom joaquim

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