Obrigações DBRS mantém CGD acima de “lixo” mas avisa para risco de execução do plano estratégico

DBRS mantém CGD acima de “lixo” mas avisa para risco de execução do plano estratégico

A agência canadiana manteve o “rating” da Caixa um nível acima de “lixo”, após um período de avaliação que poderia levar a uma descida. A perspectiva é negativa e uma subida de “rating” é improvável.
DBRS mantém CGD acima de “lixo” mas avisa para risco de execução do plano estratégico
Rui Barroso 01 de junho de 2017 às 19:13

A DBRS manteve o "rating" da dívida sénior e de emitente da Caixa Geral de Depósitos em BBB (baixo), um patamar acima da categoria vista como "lixo" pelos mercados. Isto depois de ter colocado o banco sob avaliação negativa, um processo iniciado em Novembro e que é agora encerrado, que poderia ter resultado numa descida de "rating". Apesar disso, a perspectiva ficou com tendência negativa.

Se por um lado a agência vê alguma flexibilidade para cumprir o plano estratégico, avisa que qualquer alteração das condições económicas ou de mercado podem complicar a tarefa da administração liderada por Paulo Macedo. A manutenção do "rating" é justificada, numa nota divulgada esta quinta-feira, com "o fortalecimento da posição de capital em resultado da conclusão do processo de recapitalização de final de Março de 2017".

A DBRS considera ainda que "com a melhoria da posição de capital e o apoio da incipiente recuperação económico em Portugal, o Grupo tem mais flexibilidade para executar o seu plano estratégico". A agência defende ainda que o banco público resolveu os seus problemas de governação, que "resultaram da demissão da maioria dos administradores em Novembro. Depois disso, a CGD designou recentemente novos administradores e um presidente-executivo que aparenta estar a executar as suas prioridades estratégica, incluindo o plano de recapitalização".

O foco da DBRS está agora "no regresso à rentabilidade doméstica e à melhoria da qualidade dos activos, principalmente através da redução dos ‘non-performing loans’ [crédito em risco]".  No entanto, a agência defende que apesar da "economia portuguesa estar gradualmente a melhorar, qualquer alteração repentina das condições económicas, ou enfraquecimento da confiança no soberano e/ou no sector bancário pode tornar mais difícil que a equipa de gestão recentemente designada implemente com sucesso o plano estratégico".

A equipa de analistas liderada por Maria Rivas constata que a "economia portuguesa está a melhorar de forma gradual". Mas ressalva que "qualquer alteração súbita nas condições económicas, ou um enfraquecimento da confiança no soberano e/ou no sector bancário podem tornar mais difícil à nova equipa de gestão implementar o plano estratégico".

Apesar de ter encerrado o processo de revisão aos principais "ratings" da Caixa Geral de Depósitos, a DBRS continua com a notação da dívida subordinada, a que tem maior risco, sob vigilância também com implicações negativas, após uma decisão no início do ano que incluiu instrumentos deste tipo de 27 bancos europeus. Neste tipo de títulos o "rating" da DBRS para a CGD é de BB+, o primeiro nível de "lixo".

A improvável subida do "rating"

A perspectiva negativa para os principais "ratings" da CGD sinalizam que com os dados actuais a agência considera ser mais provável descer do que melhorar a notação. A DBRS considera como improváveis que se venham a verificar factores que levassem a uma subida da avaliação, como um "rating" de maior qualidade para Portugal.

Para subir a notação da CGD seria necessário, segundo a DBRS, "uma melhoria do "rating" soberano de Portugal em conjunto com um histórico sustentado da rentabilidade doméstica, uma redução significativa do risco do balanço". Já para mudar a perspectiva de negativa para positiva, a DBRS precisa de ver mais provas de que "o plano estratégico está a ser implementado, incluindo uma redução significativa e contínua dos NPL e a melhoria da rentabilidade".

E avisa que se houver instabilidade na administração ou um falhanço das metas do plano o mais provável é cortar a notação. 




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mais votado Anónimo 01.06.2017

A dívida pública Portuguesa na óptica que conta para Bruxelas aumentou quase 4 mil milhões de euros num mês e atingiu um novo recorde.

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Anónimo 01.06.2017

Mas quando o trabalhador nem pode ser despedido por o posto de trabalho já não se justificar nem substituído por uma máquina, nem ver o seu salário, já inflacionado ao longo de toda uma carreira de progressões automáticas constantes, reduzido para valor mais próximo do preço de mercado uma vez que há uma fila de candidatos àquele emprego, mais dinâmicos, motivados e preparados, que trabalhariam de bom grado por metade da remuneração, a população que investiu na organização ou tem trabalho para oferecer perde rendimentos. A população que consome produtos da organização perde rendimentos. A população que paga impostos para a organização, no caso daquela ser do sector público, fornecedora do sector público ou subsidiada pelo Estado, perde rendimentos. A população que inventou e desenvolveu a máquina perde rendimentos. A população que poderia inovar, investir e lançar no mercado máquinas ainda melhores, perde rendimentos.

Anónimo 01.06.2017

Então mas vamos despedir as pessoas assim sem mais nem menos mesmo que elas já não tenham desde há muito qualquer tarefa justificável a cumprir na organização que as emprega e tem remunerado? Claro que não. Aumentem-se as comissões, as contribuições e os impostos às "não pessoas" que são os clientes ou utentes da organização e os contribuintes. O nível de vida das pessoas tem que ser salvo e mantido em elevado patamar custe lá o que custar. Haja humanidade. Tenham as pessoas em consideração. As não pessoas que paguem e não bufem.

Anónimo 01.06.2017

Contrata o talento de que precisas rapidamente. Despede os excedentários de que não precisas ainda mais rapidamente.

Anónimo 01.06.2017

A dívida pública Portuguesa na óptica que conta para Bruxelas aumentou quase 4 mil milhões de euros num mês e atingiu um novo recorde.

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