Obrigações Declarações de Trump afundam dívida de Porto Rico

Declarações de Trump afundam dívida de Porto Rico

O presidente dos Estados Unidos disse que a dívida de Porto Rico deve ser eliminada. Foi corrigido pela Casa Branca.
Declarações de Trump afundam dívida de Porto Rico
Reuters
Nuno Carregueiro 05 de outubro de 2017 às 12:53

"Podem dizer adeus" à dívida de Porto Rico. "Vai ser eliminada". As declarações foram proferidas por Donald Trump e provocaram uma reacção tumultuosa no mercado de dívida de Porto Rico.

 

Os investidores entenderam nestas palavras que a dívida de Porto Rico iria ser perdoada ou alvo de um elevado "haircut". As obrigações afundaram para 32 cêntimos de dólar, a cotação mais baixa de sempre e que indica uma perspectiva de recuperação de apenas 32% do valor nominal dos títulos.

 

Os títulos recuperaram após vários responsáveis da Casa Branca terem corrigido as declarações de Trump, dando conta que os Estados Unidos não estão a preparar um resgate à dívida do território e que não haverá lugar a um "bailout" para os obrigacionistas.

 

Mick Mulvaney, director do departamento do orçamento na Casa Branca, afirmou à Bloomberg que as declarações de Trump não deveriam ser entendidas de forma literal. "Penso que o que ouvimos o presidente dizer foi que Porto Rico tem que encontrar uma forma de resolver o seu problema com a dívida", acrescentou.

 

Mas as declarações de Trump, na quarta-feira em entrevista à Fox News, foram bem diferentes e muito claras: "Eles devem muito dinheiro aos vossos amigos de Wall Street. Temos que eliminar essa dívida. Isso tem que acontecer – podem dizer adeus a isso".

Protecção contra credores e o furacão Maria

 

O governador de Porto Rico, Ricardo Rossello, ignorou as palavras de Trump e assegurou que o problema da dívida vai ser resolvido através do processo de protecção conta credores.

 

Porto Rico tem cerca de 74 mil milhões de dólares de dívida e cerca de 50 mil milhões de dólares em obrigações com pensões que não estão financiadas.

 

Em Maio deste ano formalizou um pedido de protecção contra credores, que representa uma espécie de falência. Uma situação financeira difícil que se agravou substancialmente devido aos estragos provocados pelo furacão Maria.

 

Em recessão desde 2006, a ilha que faz parte do território norte-americano tem vindo a acumular défices orçamentais sucessivos e metade da população (3,4 milhões de habitantes) vive na pobreza. Sem ter em conta os prejuízos causados pelo furacão, o plano de recuperação de Porto Rico previa que as receitas geradas nos próximos 10 anos serviriam para pagar apenas um quarto das dívidas aos obrigacionistas.

 

Trump visitou Porto Rico nos últimos dias e anunciou que a Casa Branca quer pedir ao Congresso a aprovação de um pacote de 29 mil milhões de dólares (25 mil milhões de euros) para financiar a ajuda à reconstrução da ilha.

 

Duas semanas depois da passagem devastadora do furacão Maria de categoria 4, Porto Rico continua a sofrer, com a electricidade a chegar a apenas 7% da ilha, com mais de nove mil pessoas a viverem em refúgios e apenas 40% dos meios de comunicação restabelecidos. Grande parte dos habitantes continua sem água potável nem combustível.

 

Antiga colónia espanhola, Porto Rico tornou-se território norte-americano no fim do século XIX, antes de adquirir um estatuto especial de "Estado livre associado" nos anos 1950. 





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