Mercados Deco quer travão nos "spreads" da habitação

Deco quer travão nos "spreads" da habitação

Associação defende que, tal como já acontece actualmente nos créditos ao consumo, seja definida uma taxa de usura no crédito à habitação
Paulo Moutinho 02 de julho de 2012 às 00:01
A Deco quer que o Governo ponha um travão à escalada dos "spreads". Defende que sejam adoptados limites nas margens que as instituições financeiras podem cobrar no crédito à habitação, tal como já acontece nos financiamentos ao consumo. E defende mesmo que seja definida uma taxa máxima a partir da qual seja considerado crime de usura.

"Financiamentos entre 50% e 80% do valor da avaliação, ‘spreads’" médios na casa dos 5% (podendo chegar aos 7%) e comissões que ultrapassam em muito os valores cobrados há quatro anos são as condições propostas pela maioria" dos bancos, diz a Deco. "Esta situação impede o acesso a um bem essencial como a habitação", acrescenta, em comunicado.

E, alerta, a associação, "pode contribuir para novos casos de sobreendividamento, no dia em que a Euribor, actualmente em mínimos históricos, voltar a subir". Nessa altura, "mais famílias terão dificuldade em pagar os seus empréstimos", alerta, exigindo, por isso, que o Governo intervenha.

A associação defende a criação de "uma taxa de usura no crédito à habitação, que sirva de tecto aos juros cobrados por quem concede financiamento". No entanto, defende que "o modelo a implementar, deve evitar a metodologia adoptada desde 2009 para o crédito ao consumo, cujos resultados têm sido o oposto do desejado: em vez de reduzir as taxas de juro, contribuiu para o seu agravamento".

"A taxa de usura num produto tão importante como o crédito à habitação não pode ser determinada apenas pelos interesses dos bancos nacionais ou distorções pontuais da economia", diz a Deco, defendendo que seja considerada a taxa do Banco Central Europeu (BCE), adicionada de um "spread".

"O limite poderia estar indexado, por exemplo, à taxa de refinanciamento do BCE, à qual seria somado um ‘spread"’, de forma que a "esta taxa de usura não seja desvirtuada pelo comportamento do mercado português", diz a Deco, acrescentando que já dirigiu uma proposta neste sentido aos grupos parlamentares e também ao Ministério das Finanças.



A sua opinião5
Este é o seu espaço para poder comentar o nosso artigo. A sua opinião conta e nós contamos com ela.
Faltam 300 caracteres
Negócios oferece este espaço de comentário, reflexão e debate e apela aos leitores que respeitem o seu estatuto editorial, promovam a discussão construtiva e combatam o insulto. O Negócios reserva-se ao direito de editar, apagar ou mesmo modificar os comentários dos seus leitores se atentarem contra o bom senso e seriedade.O acesso a todas as funcionalidades dos comentários está limitada a leitores registados e a Assinantes.
comentar
comentários mais recentes
Politicamente incorrecto 02.07.2012

Estavam à espera de quê? Querem que os bancos assumam as perdas do crédito malparado, desresponsabilizando "clientes" caloteiros. Já falam, alegremente em perdoar dívidas (!) A nova ordem é ah e tal endividou-se, coitadinho ah e tal, que culpa tem um devedor de dever, ah e tal, a crise, os bancos, esses bandidos ah e tal. A resposta está aí - spreads proibitivos que serão pagos pelos clientes realmente cumpridores que precisem mesmo de contratar um crédito. Como sempre, paga o justo pelo pecador.É no que dá transformar bancos, tradicionalmente casas de negócio em instituições de caridade.

Francisco Antonio 02.07.2012

Os bancos actuam nos negocios dos dinheiros. Recebem depositos e vendem credito. Para pagar a sua actividade cobram juros e mais coisas. Voltando atras, todo o credito mal parado nos EUA, RU, Espanha ou Portugl deriva do facto das Familias pedirem mais do que podiam pagar, da incompetencia dos bancos em avaliar o risco e do desemprego actual. Quer a Deco queira ou nao, no contexto actual, as solucoes passarao pela intervencao do BdP e demais entidades de supervisao, com gente competente e honesta !

Miguel Lopes 02.07.2012

Como é possível alguém permitir que alguns bancos cobrem taxas de juro de cartões de crédito na caso dos 34%. Isto não é roubo?
Taxas de juros máximas de 20% não seriam suficientes.
Deviam era estar preocupados com isto...

Indignado 02.07.2012

A entrar nos bancos, não para pedir emprestado mas sim para roubar ! E vai ser complicado prender estas pessoas, pois lá diz o ditado: "Ladrão que rouba ladrão..." AH AH AH

ver mais comentários
pub