Petróleo "Deus do petróleo" não resiste às perdas e fecha portas do Astenbeck

"Deus do petróleo" não resiste às perdas e fecha portas do Astenbeck

O célebre operador petrolífero Andy Hall decidiu encerrar o seu principal fundo de cobertura de risco, o Astenbeck Master Commodities Fund II, depois de ter registado fortes perdas no primeiro semestre.
"Deus do petróleo" não resiste às perdas e fecha portas do Astenbeck
Bloomberg
Negócios com Bloomberg 04 de agosto de 2017 às 17:09

"Se um operador petrolífero tão bom no que faz, a ponto de ser conhecido como ‘Deus’, não consegue ganhar dinheiro actualmente, é difícil imaginar quem conseguirá", diz a Bloomberg referindo-se ao reconhecido investidor Andy Hall, que anunciou que vai fechar o seu fundo-estrela.

 

Andy Hall decidiu encerrar o seu principal fundo de cobertura de risco (hedge fund), o Astenbeck Master Commodities Fund II, depois de ter registado fortes perdas na primeira metade do ano, comentaram à Bloomberg fontes conhecedoras do processo. O Astenbeck perdeu perto de 30% nos primeiros seis meses do ano, referiu uma outra fonte.

 

A capitulação de uma das figuras mais conhecidas da indústria das matérias-primas ocorre depois de a queda dos preços do petróleo estar a levar a um mau desempenho de muitas unidades de transacção de grandes casas de investimento, como o Goldman Sachs [que reportou, no segundo trimestre, o seu pior resultado de sempre na negociação de "commodities"] e a BP.

 

Pelo menos 10 gestores de activos no segmento dos recursos naturais encerraram os seus fundos desde 2012, incluindo a Clive Capital e a Centaurus Energy, acrescenta a Bloomberg.

 

"Estou chocado. Isto é o fim de uma era. Ele é um dos melhores operadores petrolíferos de sempre", comentou à agência noticiosa um gestor de carteira da Dogma Capital em Lugano (Suíça), Danilo Onorino.

 

"Andy Hall é um dos grandes do trading do petróleo", declarou, por seu lado, Jorge Montepequen, vice-presidente senior do departamento de trading da italiana Eni.

 

Hall foi catapultado para a fama durante a crise financeira mundial, quando o Citigroup revelou que, num só ano, o operador tinha embolsado 100 milhões de dólares a transaccionar petróleo para o banco norte-americano. 

Os preços do petróleo têm negociado com bastante volatilidade este ano, ao sabor das reservas de crude e do corte implementado pela OPEP, numa altura em que o mercado ainda se depara com um excesso de oferta. No mercado nova-iorquino, o crude de referência (WTI) cai 8,02% desde o início do ano. Já em Londres, o Brent do Mar do Norte recua 7,77% no acumulado de 2017.




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