Investidor Privado Dez comissões excêntricas que o banco lhe pode cobrar

Dez comissões excêntricas que o banco lhe pode cobrar

Praticamente todos os serviços bancários têm um custo. As comissões fazem parte da relação do cliente com a instituição financeira. O Negócios seleccionou algumas despesas que podem ser consideradas inesperadas. Conheça as dez mais bizarras.
Dez comissões excêntricas que o banco lhe pode cobrar
Raquel Godinho 10 de Outubro de 2016 às 10:00
 Declarações que provam valores

Vai inscrever o seu filho no jardim de infância. Para que seja determinado o valor da mensalidade a pagar precisa de apresentar os valores das suas despesas mensais. No que diz respeito ao crédito à habitação, tem que entregar uma declaração que comprove o valor da mensalidade. Esta declaração acarreta custos. Entre os maiores bancos nacionais, a comissão pode chegar aos 35 euros no BCP e CGD, mais IVA. E, caso precise de entregar um documento que comprove o valor que ainda tem em dívida também terá encargos. 

35€
Comissão
Entre os cinco maiores bancos, a CGD e o BCP cobram 35 euros mais IVA pelo documento.


 Precisa de fotocópia? Tem que pagar

Precisa de tirar fotocópias a documentos para realizar operações bancárias? É natural que este documento tenha um custo. O que pode surpreender é precisamente o encargo que lhe pode ser cobrado. Se no BCP, o custo é de 0,50 euros por página (mais IVA), no Santander Totta o encargo é de 3,45 euros e no BPI chega aos 7,50 euros (mais imposto do selo). No preçário do Novo Banco não foi encontrado este encargo. Assim, a CGD é, entre os cinco maiores bancos nacionais, aquele que cobra mais: 15 euros (mais IVA). 

15€
Custo
A CGD é, entre os maiores bancos, aquele que cobra mais pelas fotocópias.


 Depositar moedas ao balcão

Nos últimos anos, nas operações realizadas ao balcão têm sido introduzidas comissões. Um dos encargos refere-se ao depósito de moedas realizado ao balcão, sobretudo nos casos em que sejam depositadas mais de 100 unidades. Neste caso, o Santander Totta é o banco que cobra mais: cinco euros (mais imposto do selo). Já o BCP e o BPI aplicam uma comissão de 3,50 euros, enquanto a da CGD ascende a três euros. E, além da despesa, há outro inconveniente: é que o montante pode ficar indisponível durante alguns dias. 

5,20€
Encargo
O Santander Totta é o banco que cobra a comissão mais alta: 5,20 euros.


 Pagamento da taxa de esgotos

Os proprietários de imóveis têm que proceder ao pagamento anual da taxa de conservação de esgotos ao seu município. Em algumas instituições financeiras, o pagamento desta taxa pode requerer o pagamento de uma comissão. Tanto no caso do BCP, como no caso da CGD, é cobrado um valor de 15 euros por cada prestação da taxa, ao qual acresce o IVA. Contudo, o valor desta despesa não pode exceder 50% da taxa, pode ler-se em ambos os preçários. O BCP lembra que as condições são "acordadas contratualmente". 

15€
Despesa
No BCP e CGD, tem que pagar 15 euros mais IVA para pagar a taxa de esgotos.


 Cuidado com as cartas devolvidas

Se não estiver em casa quando o carteiro bater à porta, o mais provável é que a carta seja devolvida. Uma situação que pode ser mais frequente do que o desejável. E, se estivermos a falar de documentos bancários relacionados por exemplo com o crédito, o reenvio de correspondência devolvida tem um custo que, na CGD, pode ser de 15 euros (mais IVA). Em "alguns casos, até admitimos que seja cobrada alguma despesa, mas deve ser proporcional ao serviço que é prestado", defende Nuno Rico, economista da Deco. 

15€
Custo
A CGD cobra 15 euros (mais IVA) pelo reenvio de cartas devolvidas.


 Mudar o titular da conta tem custos

O seu estado civil alterou-se? Ou já não faz sentido ter um dos seus pais como titular da conta? Precisa de fazer alterações na titularidade. Desengane-se se pensa que essa mudança é isenta de custos. Algumas das instituições financeiras a operar no mercado nacional cobram esta despesa que pode desencorajar muitos clientes a mudar de titular da conta. No BCP, a comissão aplicada é de 7,50 euros (mais imposto do selo), enquanto no caso da CGD é de 6,90 euros (mais IVA). BPI e Santander não cobram nada. 

7,80€
Encargo
O BCP cobra aos clientes 7,80 euros pela mudança de titulares das contas.


 Consultar movimentos ao balcão

Nem todos os consumidores portugueses estão familiarizados com a utilização do "homebanking". Sobretudo se estivermos a falar de pessoas de mais idade. "Muitos idosos vão ao balcão para consultar os últimos movimentos da conta e isso tem custos", alerta Nuno Rico, economista da Deco. O BCP e o BPI cobram 2,50 euros (mais imposto do selo) pelo pedido de extracto ao balcão, mas o encargo sobe para três euros (mais IVA) no caso da CGD e ascende a 3,72 euros (mais imposto do selo) no caso do Santander Totta. 

3,87€
Despesa
Pedir o extracto ao balcão, no caso do Santander Totta custa 3,87 euros.


 Processar a prestação do crédito

"Há comissões que as pessoas têm vindo a aceitar e a interiorizar por serem cada vez mais comuns, mas que para nós continuam a ser muito estranhas", explica Nuno Rica. O economista da Deco dá como exemplo a comissão de processamento da prestação do crédito à habitação que "é um mero procedimento informático". Esta é uma comissão cobrada pela generalidade dos bancos. Entre as grandes instituições, apenas o BPI não a cobra. Pode chegar aos 2,70 euros (mais imposto do selo) no Santander Totta. 

2,81€
Custo
O Santander Totta tem a comissão mais elevada: 2,81 euros por cada prestação.


 Documento para provar que nada deve

Se necessitar de uma declaração que comprove que já não tem qualquer dívida para com a instituição financeira, também terá que pagar. A comissão pelo distrate é uma das várias despesas cobradas no âmbito do crédito à habitação e que, entre os cinco maiores bancos nacionais, apenas não foi encontrada no BPI. À excepção do Santander Totta, que cobra 68 euros (mais IVA) por este documento, nos restantes casos, a comissão é de centenas de euros: 130 euros no BCP, 110 euros no Novo Banco e 100 euros na CGD. 

130€
Encargo
O BCP cobra 130 euros (mais IVA) pelo documento que prova que já não tem dívida.


• Pagamento de multas tem mais custos

"Tratamento de multas, coimas e outras infracções do Código da Estrada". Esta é outra das comissões inusitadas que pode ser encontrada nos preçários das instituições financeiras. É cobrada no âmbito de contratos de financiamento e resulta de um acordo com o cliente. O Novo Banco cobra 24,39 euros (mais IVA), enquanto a CGD aplica um custo de 15 euros e o BPI pratica uma comissão de 10 euros. Já no Santander Totta o encargo é de 6,29 euros. Entre os grandes bancos, apenas o BCP não cobra esta despesa. 

24,39€
Comissão
Para tratar multas de veículos objecto de crédito, o Novo Banco cobra 24,39 euros.






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mais votado Anónimo Há 3 semanas

Eu tenho uma pessoa amiga que é empresaria em nome individual, tem um pequeno negocio. Celebrou recentemente com as finanças um acordo de pagamento referente a uma divida em atraso total de cerca de 400 euros, este valor esta decomposto em cerca de 250 euros de imposto em atraso e 150 euros de coimas, ou seja, 60% da divida diz respeito a alcavalas colocadas pelo Estado. Para quem fala dos Bancos gostaria de saber a opinião geral sobre os ROUBOS que o Estado faz todos os dias aos contribuintes. Com um Estado ladrão destes como pode haver investimento.

comentários mais recentes
Anónimo Há 3 semanas


PS . BE . PCP são uns PHILHOS DE PHU TA que xupam o sangue ao POVO...

para dar mais dinheiro e privilégios aos FP & CGA.

alcpf Há 3 semanas

Mr.Tuga as tascas das esquinas deveriam-te cobrar 500 euros por cada refeição de bife com batata frita!

Anónimo Há 3 semanas

Estou algo decepcionado com com alguns comentários que dizem que os bancos prestam serviços logo, têm o direito de cobrar as suas comissões, como "outros" também cobram!!! Gostaria de ler algumas respostas dos que postaram esses comentários sobre: Em tempos que já lá vão os bancos não cobravam muitas destas comissões vergonhosas, quer pelas comissões em si quer pelos montantes que cobram e, pagavam juros, as respectivas receitas davam para pagar as despesa da sua actividade, davam para pagar os vencimentos que a nível directivo pelo menos já eram chorudos e ainda davam para ter lucros, lucros esses que eram distribuídos e não suficientemente aplicados em provisões para que quando estiveram/estão à rasca, terem o "chamado pé de meia" e tenham que ser ajudados pelos nossos impostos!!! Afinal não será pela má gestão que é feita e consentida pelos governantes/desgovernantes?
Aceitem o repto e contrariem a minha opinião com dados concretos e credíveis!!!

Resposta de Anónimoa Anónimo Há 3 semanas

Em tempos que já la vão as taxas dos creditos eram superiores a 30% e as taxas dos depositos a prazo não chegavam aos 20%, faça a conta ao diferencial e ao dinheiro que os Bancos ganhavam. Hoje em dia com a euribor negativa o diferencial das duas taxas é irrisório, logo os Bancos como qualquer empresa têm que se adaptar, não cobram no juro, cobram na(s) comissão(s) sobre o(s) serviço(s) que prestam.

JCG Há 3 semanas

Comissões ou extorsões?
Como é evidente, estamos mais no domínio da pura extorsão do que da comissão.
Uma empresa comercial numa sociedade civilizada, que é como quem diz num suposto Estado de direito, tem o direito de cobrar preços aos seus clientes pelos bens que lhes vende ou pelos serviços que lhes presta em transações voluntárias. Não tem, obviamente, o direito de lhes cobrar impostos ou algo similar.
No caso vertente, as ditas comissões aparecem associadas a pressupostos serviços que o banco presta aos clientes. Ora, assim sendo, a comissão seria ou deveria ser o preço pelo serviço prestado e consequentemente deveria, esse preço, ser formado como normalmente são formados os preços no comércio não especulativo e não predatório, ou seja, o preço deveria ser o somatório do custo de produção do bem ou serviço acrescido de uma taxa de ganho razoável e civilizada para a empresa.
É uma evidência que os preços ou comissões que os bancos cobram não são assim formados ou constituidos e tal evidência resulta da enorme disparidade de preços para serviços semelhantes em bancos distintos. É uma evidência que tais comissões são fixadas de forma absolutamente arbitrária, sem qualquer relação com o custo da produção dos serviços, antes tendo como principal fundamento a postura predatória e as necessidades dos bancos de sacar dinheiro de quaquer maneira e feitio aos clientes para cobrir a sua gestão faustosa e incompetente e a gula dos gestores, hoje em dia os novos senhores feudais neste neo-feudalismo. Trata-se de uma situação de uso de arbitrariedade e pura extorsão feita com a cumplicidade negligente e criminosa dos supervisores a quem pagamos para moderar e travar tais práticas.
Mas não é só a questão da fixação do montante dos preços. É também a questão da própria natureza e conceito do serviço que o banco supostamente presta em que o caso mais bizarro é o da cobrança de comissão pelo processamento da prestação de um empréstimo. O banco quando processa a prestação não está a prestar nenhum serviço ao cliente, está apenas a cobrar o preço da concessão do crédito. O cliente não foi ao banco pedir o serviço de processamento de prestações, foi apenas pedir um crédito e só deve pagar o preço pelo crédito que pediu. Processar a prestação é de puro e exclusivo interesse do banco e não do cliente. É como se alguém que entra numa padaria para comprar um pão tivesse de pagar o preço do pão, mais a informação do preço do pão, mais om preço do serviço da cobrança do preço do pão. O que eu sugiro a toda agente que tenha tal situação é que escreva ao banco e que o informe de que não se importa que o banco deixe de ter o incómodo de lhe processar e cobrar a prestação do crédito, dado que não está disposto a pagar uma comissão por um serviço que não lhe interessa para nada nem pediu.
Um outro detalhe que me chamou a atenção na notícia foi o surgimento da CGD como um dos bancos que mais cobra por todos esses pressupostos serviços. Interessante, sem dúvida. O tal banco de que dizem sermos todos acionistas e que presta um serviço público, mas que na verdade comporta-se como um autêntico instrumento ao serviço de um gangue de chulos. "Felizmente" com o apoio do BE e do PCP.

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