Acções do banco estão a ser pressionadas pelo início da negociação dos direitos de subscrição. Se as acções descerem dos 0,50 euros, os direitos têm um valor teórico nulo.

Arrancou hoje o período de negociação em bolsa dos direitos de subscrição das acções do aumento de capital de 200 milhões de euros que o
BPI está a efectuar, que está a ser marcado pela queda dos títulos.
Os direitos começaram a sessão a negociarem nos 0,004 euros, valorizaram até aos 0,018 euros e estão agora a transaccionar nos 0,008 euros. O início da negociação dos direitos está a pressionar em baixa a cotação das acções, que desvalorizam 2,75% para 0,53 euros.
No âmbito do aumento de capital que o banco está a realizar, os accionistas do BPI receberam um direito por cada acção detida. Cada direito permite aos accionistas subscreverem 0,406923896 novas acções do BPI, mediante o pagamento adicional de 0,50 euros por cada acção.
O BPI pretende emitir um máximo de 400 milhões de novas acções, pelo que encaixará 200 milhões de euros com a operação, se todos os direitos forem exercidos.
Dado que o BPI decidiu aplicar um desconto de apenas 8% no preço de subscrição do aumento de capital (face à cotação das acções na altura do anúncio do preço de subscrição), os direitos estão a negociar a um valor reduzido e próximo de zero. Os direitos terão mesmo um valor nulo caso a cotação das acções do BPI baixe de 0,50 euros, pois nessa altura será mais vantajoso comprar acções em bolsa do que subscrever no aumento de capital a 0,50 euros.
A negociação em simultâneo dos direitos e das acções permite operações de arbitragem, já que ao valor das acções corresponde um valor teórico dos direitos. Para o encontrar basta fazer a diferença entre a cotação das acções e o preço de subscrição (0,50 euros), multiplicando depois o resultado pelo factor de rateio (0,406923896).
Tendo em conta a actual cotação das acções (0,53 euros), o valor teórico dos direitos é de 0,012 euros. Dado que estes direitos estão a negociar a 0,008 euros, existe uma situação de desequilíbrio, com os direitos “baratos” em relação à cotação das acções. O que permite também concluir que é a negociação dos direitos que está a pressionar em baixa a cotação das acções.
O BPI publicou no seu site duas tabelas, sendo que uma delas contém
a equivalência teórica entre a cotação de mercado da acção e o valor dos direitos. Os analistas têm referido que o reduzido desconto da operação deverá diminuir o interesse dos investidores particulares no aumento de capital. Os principais accionistas (La Caixa e Isabel dos Santos) já se comprometeram a participar na operação.
Novas acções devem ser admitidas a 13 de Agosto Os direitos de subscrição do BPI vão negociar em bolsa até 30 de Julho, sendo que o período de exercício, que também hoje arrancou, só termina a 3 de Agosto. As ordens de subscrição das novas acções podem ser revogadas até 30 de Julho.
O BPI estima que o apuramento dos resultados da oferta ocorra no dia 7 de Agosto, prevendo-se que as novas acções possam vir a ser admitidas à negociação no dia 13 de Agosto.
Nessa altura o BPI passará a ter, caso o aumento de capital seja todo subscrito, um capital composto por 1,39 mil milhões de acções.