Primeiro dia de negociação
Direitos do BCP fecham em forte desequilíbrio com as acções
14 Setembro 2012, 17:18 por Hugo Paula | hugopaula@negocios.pt, Jornal de Negócios Online | negocios@negocios.pt
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Os direitos de subscrição do aumento de capital do BCP encerraram o primeiro dia de negociação num nível muito inferior ao seu valor teórico implícito no valor de fecho das acções.
Os direitos de subscrição de novas acções do banco liderado por Nuno Amado encerraram o dia a negociar nos 3,2 cêntimos (0,032 euros) e o seu preço chegou a oscilar entre os 0,03 euros e os 0,038 euros.

Ao longo da sessão foram negociados quase 350 milhões de direitos que, em função do valor de rateio (aproximadamente 1,7345), dão direito a subscrever 605 milhões das 12,5 mil milhões que vão ser emitidas. Ao longo da sessão, os direitos que permitem subscrever as novas acções do BCP foram negociados abaixo do valor teórico de mercado.

O valor dos direitos implícito nas acções que estão a ser negociadas no mercado secundário é de 3,99 cêntimos. Contudo, estes títulos acabaram por terminar a sessão a negociar a 3,2 cêntimos, o significa que o valor teórico excede o de mercado em 24,7%.

Ou seja, os direitos estão "mais baratos" do que as acções, o que abre oportunidades de arbitragem entre os títulos. A cotação dos direitos está em linha com o valor teórico dos títulos quando os direitos foram destacados das acções no início da semana.

Note-se que este valor de fecho dos direitos coincide com o que foi determinado aquando do destaque dos direitos, na passada segunda-feira. As acções, pelo contrário, estão 7,3% acima do preço a que fecharam essa mesma sessão.

Paradoxalmente, a relutância dos investidores em participar no aumento de capital está a fazer com que seja mais barato obter exposição ao banco através da compra de direitos, do que através da compra das acções que estão a ser transaccionadas no mercado secundário.

Já as acções do BCP desvalorizaram hoje 7,35% para 0,063 euros, prolongando a descida superior a 8% de ontem. Contudo, não foi o suficiente para compensar a totalidade dos ganhos acumulados na sessão de terça e quarta-feira, quando os accionistas acorreram para comprar acções depois de estas deixarem de implicar uma participação no aumento de capital.

Aos valores actuais, quem comprar direitos de subscrição do BCP confronta-se com um custo de 0,05845 euros por acção, excluindo os custos e comissões associados à operação. Preço que compara com os 0,066 euros a que negociaram as acções.

Contudo, as acções estão a ser transaccionadas a um valor superior ao custo de subscrição das novas acções, que é de 0,04 euros, ao contrário do que chegou a acontecer no aumento de capital do BPI. Isto significa que a descida de hoje das acções do BCP não põe em risco o sucesso do aumento de capital.

Almoço grátis no aumento de capital do BCP?

Os investidores que procuram ineficiências nos mercados de capitais procuram podem procurar oportunidades de implementar estratégias com activos de risco, que lhes permitam obter retornos elevados sem incorrer em riscos. A isto chama-se arbitragem e, diz a teoria financeira, em mercados eficientes não existem tais oportunidades.

É, contudo, em operações como a do aumento de capital que está a ser levado a cabo pelo BCP que podem ser implementadas este tipo de estratégias, que se aproveitam do desencontro entre o preço dos direitos de subscrição das acções a serem emitidas e daquelas que são transaccionadas no mercado secundário.

Assumindo, para simplificar, um investidor com mil acções do BCP e que não tem direitos de subscrição. Se quiser trocá-las por direitos de subscrição que lhe permitam comprar mil novas acções no aumento de capital, pode vender as acções a 6,6 cêntimos cada, encaixando 66 euros.

Depois, pode comprar 576 direitos (que a um factor de rateio de 1,7343846613 dão direitos a comprar mil acções) ao custo de 3,2 cêntimos cada, desembolsando 18,304 euros. Ficam-lhe a faltar pagar quatro cêntimos por cada uma das mil acções que vai subscrever, num total de 40 euros.

O investidor que recebeu 66 euros pelas suas acções, comprou direitos e exerceu o direito de subscrição fica, então, com 7,696 euros para pagar comissões de negociação. Se sobrar algum dinheiro, então terá tido um ganho de arbitragem.

Um dos riscos deste tipo de operação está na alteração dos preços assumidos para que a operação tenha sucesso, entre a introdução de uma ordem e de outra (neste caso, entre a venda das acções e a compra dos direitos).

A arbitragem é, por definição, uma operação livre do risco de perda, mas o retorno seria superior ao de activos considerados sem risco, como são as Obrigações do Tesouro norte-americano ou alemão. Assim, é com alguma propriedade que se diga que uma operação de arbitragem corresponde a um “almoço grátis”, ao conseguir um retorno exagerado para o risco em que se incorre.

Em mercados financeiros em perfeito equilíbrio não existiriam oportunidades de arbitragem. Nos mercados relativamente equilibrados, a existência destas oportunidades é muito limitada e, assim que identificada, tende a desaparecer rapidamente.
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