Obrigações Disputa com credores leva juros da Grécia para perto dos 10%

Disputa com credores leva juros da Grécia para perto dos 10%

Os juros das obrigações a dois anos estão a disparar perto de 1 ponto percentual, devido à crescente tensão sobre o programa de ajustamento grego.
Disputa com credores leva juros da Grécia para perto dos 10%
DR Governo grego
Negócios com Bloomberg 07 de fevereiro de 2017 às 13:55

Os juros da dívida grega estão em forte alta no mercado secundário, reflectindo a crescente disputa entre Atenas e os credores, que está a colocar em causa a aprovação da revisão do programa de ajustamento grego.

 

A "yield" dos títulos com maturidade a dois anos está a disparar 79 pontos base para 9,72%, o nível mais elevado desde Setembro.

 

No espaço de um mês os juros destes títulos dispararam cerca de 3 pontos percentuais (ou 300 pontos base), a reflectir as crescentes dúvidas sobre o progresso do país nas reformas e metas exigidas pelos credores.

 

Estas obrigações que estão sob forte pressão chegam à maturidade em 2009 e foram emitidas em Abril de 2014, numa operação que marcou o regresso de Atenas aos mercados depois.   

 

Em 2014 o juro desta linha de obrigações chegou a situar-se abaixo dos 4%, mas disparou para 37% em 2015, quando o Governo de Alexis Tsipras convocou um referendo que colocou em risco a permanência do país na Zona Euro.

 

A desconfiança sobre o programa grego acentuou-se esta terça-feira, depois do FMI ter reiterado que Atenas não conseguirá atingir as metas definidas pela Comissão Europeia.

 

Esta divergência entre o FMI e as entidades europeias sobre as projecções para a economia e sustentabilidade da dívida grega tem impedido de fechar a segunda revisão ao programa grego. Caso não seja possível chegar a acordo antes da reunião do Eurogrupo de 20 de Fevereiro, o cenário ficará ainda mais difícil, assinala a Bloomberg.

 

FMI vê economia a crescer menos de 1%

 

O Conselho Executivo do FMI esteve reunido na segunda-feira, 6 de Fevereiro, para apresentar as suas conclusões relativamente à avaliação das medidas económicas da Grécia, e a maioria dos seus membros mostrou-se favorável a uma meta de 1,5% do PIB para o excedente orçamental primário [sem os encargos da dívida] do país em 2018, ao passo que alguns defenderam a meta de 3,5% que é almejada pelos credores de Atenas, avançou a Reuters.


Segundo as projecções do FMI, divulgadas na madrugada desta terça-feira, a economia da Grécia deverá crescer anualmente abaixo de 1%, no longo prazo, devido aos condicionalismos do seu programa de resgate, mas deverá conseguir atender à meta de 1,5% para esse excedente orçamental primário.


O FMI não refere, como se esperava, qualquer decisão sobre o seu envolvimento no terceiro pacote de assistência financeira a Atenas. Mas voltou a insistir no alívio da dívida, que considera actualmente insustentável. E, de acordo com um relatório a que a agência AFP teve acesso, o fundo apela à Zona Euro para fazer mais no sentido de aliviar a dívida grega e permitir a participação do FMI no programa.


O organismo liderado por Christine Lagarde tinha já frisado que não participaria financeiramente no terceiro resgate – que se estima que ascenda a 86 mil milhões de euros – enquanto não houver uma substancial redução da dívida helénica, de modo a que os compromissos financeiros do país possam atingir um nível sustentável.


A Comissão Europeia e o Banco Central Europeu ainda não chegaram a acordo quanto ao patamar de alívio da dívida que o FMI diz ser necessário.


Entretanto, o ministro alemão das Finanças, Wolfgang Schäuble, já fez saber que se o FMI não participar no resgate, "então o programa [de assistência financeira] termina", recordou esta segunda-feira o porta-voz daquele Ministério, Juerg Weissgerber, numa conferência de imprensa onde foi questionado sobre este assunto.


A Alemanha quer que o FMI participe no resgate à Grécia, para conferir assim a este programa de ajuda uma maior credibilidade, mas opõe-se a conceder o significativo alívio da dívida proposto pelo Fundo Monetário Internacional, como recorda a Reuters.




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comentários mais recentes
Pedro Há 2 semanas

Eis o caminho que Costa, Catarina e Jeronimo querem para Portugal. Primeiro o colapso financeiro, depois irmos de joelhos pedir ajuda ao Putin. Uma vergonha. Uma política anti-patriótica e que de esquerda nada tem.

fred Há 2 semanas

O mercado secundário não é o verdadeiro. Se tivéssemos que ajustar as nossas vidas por nos aumentarem os créditos, que fazíamos?

Anónimo Há 2 semanas

Pobre adaptação da noticia em https://www.bloomberg.com/news/articles/2017-02-07/greek-two-year-yields-approach-10-amid-imf-standoff-with-eu
Pelo menos deviam verificar as datas mencionadas ...

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