Bolsa Dow Jones volta a afundar mais de mil pontos com regresso do medo da subida de juros

Dow Jones volta a afundar mais de mil pontos com regresso do medo da subida de juros

A recuperação das bolsas foi de pouca dura. Esta quinta-feira voltou a ser de fortes quedas em Wall Street, com o Dow Jones a cair mais de mil pontos.
Nuno Carregueiro 08 de fevereiro de 2018 às 21:16

Wall Street regressou às fortes quedas e caiu com estrondo, depois de uma recta final de sessão em queda livre, a fazer lembrar o que aconteceu na segunda-feira desta semana.

Os índices fecharam com quedas expressivas, numa sessão que fica marcada pelo regresso dos receios com uma subida agressiva das taxas de juro por parte dos bancos centrais.

O Dow Jones caiu 4,15% para 23.860,46 pontos e está agora em níveis semelhantes aos verificados no fecho da segunda-feira negra, sessão em que recuou mais de 1.100 pontos (4,6%). A queda de hoje ficou muito próxima, com uma queda que voltou a superar os mil pontos. Mais precisamente 1.032,89 pontos.

O Nasdaq desceu 3,90% para 6.777,16 pontos e o S&P500 caiu 3,75%, fechando em mínimos de 17 de Novembro. O S&P500 já recuou mais de 10% desde o máximo histórico fixado em Janeiro, entrando já num território que os analistas conseideram ser de correcção (quando um activo cai mais de 10% face ao pico). Quando a descida atinge 20%, o activo entra em "bear market".



 

Os índices estiveram toda a sessão em queda acentuada, mas as variações ganharam dimensão no final da negociação, que foi marcado por uma pressão vendedora frenética, semelhante à registada na segunda-feira.  

 

Bancos centrais penalizam

 

Nas praças europeias o dia também foi de vermelho carregado, com o Stoxx 600 a descer 1,6% e vários índices nacionais a marcar perdas acima de 2%.

 

A principal justificação para este regresso do sentimento negativo estão os receios que têm marcado os mercados accionistas nas últimas semanas. Os investidores temem que a subida da inflação motive os bancos centrais a acelerar o ritmo de subida de juros e retirada de estímulos monetários.

 

Uma tese que as declarações efectuadas esta quinta-feira por vários responsáveis de bancos centrais ajudaram a validar. A principal foi efectuada pelo Banco de Inglaterra, que apesar de ter mantido a taxa directora em 0,5%, avisou que os juros deverão subir mais cedo e de forma mais pronunciada do que o previsto em Novembro.

 

O governador do Banco de Inglaterra, Mark Carney, antecipou que a inflação deverá superar os 3% no curto prazo. O alerta da autoridade monetária do Reino Unido constitui mais uma evidência de que o crescimento dos preços vai acelerar nos próximos meses, levando os bancos centrais a ajustar a sua política monetária mais cedo do que o previsto.

 

No que diz respeito à política monetária do Banco Central Europeu, o presidente do Bundesbank, Jens Weidmann (apontado como possível sucessor de Mario Draghi), afirmou que os responsáveis pela política monetária "não devem ficar perturbados com a descida dos preços das acções a que assistimos".

 

Robert Kaplan, da Fed de Dallas, até vê evoluções positivas na recente correcção das bolsas. "Mais volatilidade nos mercados, e a resolução de alguns excessos e desequilíbrios nos mercados, pode ser um desenvolvimento saudável", afirmou à Bloomberg TV, acrescentando que não há sinais de que esta turbulência se esteja a transmitir à economia. "Nesta altura estou optimista sobre isso", reforçou.

 

Peter Praet, economista-chefe do BCE, adiantou que a normalização da política monetária na Zona Euro vai ser um processo "longo e complexo". Axel Weber, que já integrou o conselho do BCE, afirmou que "o mercado mostrou um nível de complacência sem precedentes", sendo que não há nada a temer com a recente queda das bolsas, "pois uma correcção estava para acontecer há muito tempo".

 

Esta incerteza sobre o rumo dos mercados accionistas colocou a volatilidade das bolsas em níveis elevados, com os analistas a avisarem que assim deve continuar nas próximas sessões, até que uma tendência mais certa seja definida. O índice Cboe Volatility mais do que duplicou face ao registado na semana passada. O índice que mede a volatilidade em Wall Street atingiu 31,93 pontos, mais de três vezes o nível médio do ano passado.

 

A contribuir para a descida dos mercados accionistas está a queda das cotações do petróleo, que está a arrastar as acções das cotadas do sector energético.

 

O petróleo recuou hoje pela quinta sessão consecutiva, seguindo em mínimos de 22 de Dezembro em Londres abaixo dos 65 dólares. A matéria-prima continua a ser penalizada pelo aumento das reservas de crude nos Estado Unidos e pela subida da produção norte-americana para um recorde de 10,25 milhões de barris por dia.  

O sector financeiro destacou-se nas perdas, com a American Express a cair 5,58%, a Visa a ceder 4,98% e o Goldman Sachs e o JPMorgan a caírem também mais de 4%.  

 

Numa sessão de fortes quedas em Wall Street, o Twitter destacou-se pela positiva, com as acções da rede social a dispararem 12% depois da rede social ter conseguido o primeiro trimestre de lucros desde que está cotada em bolsa. No início da sessão os títulos chegaram a subir 30%.




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comentários mais recentes
Marco 09.02.2018

Um esquema aceite pela generalidade, controlado e bem estudado.
Praticamente 100% da sociedade mundial paga para isto, para alguns viverem à grande e manter o poder.
Invest Crypto, e ponham estes criminosos na banca rota!

Anónimo 09.02.2018

Ele vem ai...

RPG 09.02.2018

R ato P orco e G gordo # hoje a TUA pharol vai DIREITINHA para o CAIXOTE do LIXO

Johnny 08.02.2018

"não há nada a temer"
Não foi o mesmo que os mesmos agiotas criminosos disseram em 2008 ?

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